Há várias semanas a duplicação da marginal Tietê, na capital paulista, tem tomado os noticiários. Além do trânsito lento devido à interdição de trechos da rodovia, está na boca do povo o fato de que a obra, ao custo de mais de 1 bilhão de reais, servirá para desafogar o trânsito por apenas 10 anos. Depois, com o aumento da frota, tudo volta a ficar congestionado.
O engenheiro civil Creso de Franco Peixoto, mestre em Transportes, é um dos pesquisadores que, nas últimas semanas, vêm alertando governos estadual e municipal para a ineficácia da medida. Em artigo divulgado hoje (28), Peixoto defende que a solução não está sobre as vias urbanas, mas abaixo delas. “Não adianta apenas incorporar novas vias urbanas. Exauriu o rodoviarismo nas metrópoles. Às novas vias expressas bastam poucos dias para que não mais mereçam este nome, a demanda reprimida funciona como metástase urbana”, diz.
Para Peixoto, a solução são mesmo os trens urbanos e metrôs. Ônibus, automóveis ou quaisquer outros veículos, diz, devem ser usados apenas para alimentar os carros sobre trilhos da metrópole. Bicicletas e caminhadas seriam a solução para viagens curtas. “O transporte metropolitano deve ser estudado de forma orgânica, onde se atribui conceito de órgão vital a alguns elementos e terapias adequadas para seus problemas.” O metrô é caro, mas sua capacidade atravessa décadas. Se a Cidade do México conseguiu construir 200 quilômetros de metro , por que o Brasil não conseguiria, pergunta-se.
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