O Brasil vive propalando o fato de sua matriz energética ser uma das mais limpas do mundo, por causa das hidrelétricas, mas também por conta do etanol. Mas não bastará ao país estar à frente desta tecnologia se ela não vier associada a outras formas de geração de energia. Isso é o que mostra um estudo divulgado hoje (28) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), órgão ligado à Secretaria de Assuntos Estratégicos do Governo Federal.
Isso poderá ocorrer porque o etanol não tem ganhado a preferência de outros países do mundo como alternativa para reduzir suas emissões de gases de efeito estufa. O automóvel elétrico é a opção mais discutida no momento. Diante deste cenário, se continuar insistindo somente no etanol, o Brasil pode ver a tecnologia ficar restrita ao país, o que o tornará inviável do ponto de vista econômico, diz o estudo.
Atualmente, o preço ainda é um entrave para a substituição do diesel pelo etanol e os motores que são capazes de utilizar combustíveis fosseis e biocombustível, chamados de flex, ainda são pouco desenvolvidos. A opção que talvez tenha menor resistência nos países desenvolvidos é a utilização do etanol em automóveis de grande porte, principalmente os híbridos, que já têm grande aceitação.
“Para fomentar esta aplicação, o Brasil precisará interagir com a indústria automobilística mundial, tanto para fornecer etanol, tanto para fornecer etanol aos automóveis híbridos já fabricados, como a fim de viabilizar a utilização destes veículos em seu território”, orienta o estudo. “Aplicações diversas existem para o etanol, sendo necessário o seu desenvolvimento, bem como a elaboração de um eficiente sistema de incentivos e penalidades que leve o usuário a adotá-lo.” (Cristiane Prizibisczki)
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