Reportagens

Área protegida pede socorro

Ìndios da Terra Indígena Kayabi, gigante que protege um milhão de hectares de Amazônia, apelam para conclusão de demarcação. Desmatamento e licenciamento de hidrelétricas correm soltos.

Redação ((o))eco ·
19 de outubro de 2009 · 16 anos atrás

Contígua ao Parque Nacional do Juruena, a Terra Indígena Kayabi garante a proteção de uma das últimas grandes porções de floresta amazônica na rota do desmatamento, entre Mato Grosso e Pará. São mais de um milhão de hectares sob proteção. Mas as invasões e destruição ilegais têm sido tantas que os índios da aldeia Kururuzinho divulgaram uma carta pedindo intervenção da sociedade civil para que o processo de demarcação da área, reconhecida em 2002, seja finalmente concluído. Ele está parado desde 2004, devido a um agravo de instrumento emitido pelo Trubunal Regional Federal e Justiça Federal de Cuiabá, que desconsideram a importância da área. A situação só poderá ser revertida se a procuradoria de Justiça da Funai se mexer, o que ainda não dá sinais de que vá acontecer. Até agora, 29 mil hectares de floresta já foram destruídos na terra indígena.

A não delimitação da terra indígena é conveniente a interesses minerários, de expansão da fronteira agrícola e especialmente de construção de usinas hidrelétricas numa região tão rica em cursos hídricos e tão cercada por unidades de conservação. Pelo menos duas usinas de grande porte estão sendo licenciadas pelo Ibama a poucos quilômetros da Terra Indígena Kayabi. Uma delas é a UHE Teles Pires, com potência instalada de 1.820 MW, localizada numa belíssima sequencia de corredeiras que é conhecida como Sete Quedas, e um reservatório de 40 km de comprimento. A outra é a UHE São Manoel, com 750 MW e uma barragem de 914 metros de extensão. A Empresa de Pesquisa Energética, responsável pelos dois projetos, ainda não apresentou estudo de impacto ambiental para os empreendimentos. Não existem informações sobre a presença da Terra Indígena Kayabi na região de interesse de construção das usinas, de acordo com dados sobre o licenciamento ambiental, do Ibama.

Leia a carta na íntegra.

Leia também

Salada Verde
6 de fevereiro de 2026

Governo suspende licitação de dragagem no Tapajós após mobilizações indígenas em Santarém

Após protestos em Santarém, governo suspende pregão de dragagem e promete consulta a povos indígenas do Tapajós

Salada Verde
6 de fevereiro de 2026

Fotógrafo brasileiro vence prêmio internacional com ensaio sobre água e identidade

João Alberes, de 23 anos, conquista espaço no ambiente da fotografia documental, e projeta o agreste pernambucano como território de produção artística contemporânea

Salada Verde
6 de fevereiro de 2026

Pela 1ª vez, ICMBio flagra onça pintada caçando em unidade do Acre

Registro foi feito às margens do Rio Acre, em uma das áreas mais protegidas da Amazônia. Onça tentava predar um porco-do-mato perto da base do Instituto

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.