Análises

Tá feia a coisa

Enquanto no Brasil as notícias dão conta dos incêndios e desmatamentos, na África a percepção da destruição da natureza é medida não em flora mas em fauna. 

Pedro da Cunha e Menezes ·
9 de setembro de 2010 · 16 anos atrás

Enquanto no Brasil as notícias dão conta dos incêndios e dos desmatamentos que inexoravelmente reduzem a cobertura do Cerrado e da Floresta Amazônica, na África a percepção da destruição da natureza é medida não em flora mas em fauna.

 
Somente na África do Sul, este ano 120 exemplares do ameaçadíssimo rinoceronte já foram eliminados para a extração de seu chifre, considerado afrodisíaco na China e no Vietnã. No mercado asiático o preço do pó feito a partir desse corno alcança valores estratosféricos. Por isso mesmo vale a pena para os caçadores investir em caros fuzis militares e até em helicópteros que facilitam a localização da vítima e a rápida evasão dos predadores.
 
Graças à mobilidade conferida pelas aeronaves, os caçadores têm conseguido evitar a fiscalização feita por meio de rádios transmissores presos aos rinocerontes. No Quênia, que também enfrenta o problema, a solução encontrada foi mover os bichões para os Parque Nacionais de Nairobi e Nakuru, ambos urbanos e mais fáceis de vigiar. Na África do Sul ainda não se sabe muito bem como combater o problema com eficiência. Em recente seminário sobre o tema, foram sugeridas medidas tais como a extração preventiva dos chifres dos animais vivos ou a remoção de todos eles para zoológicos. De concreto o Serviço de Parques Nacionais (SAN Parks) criou a Unidade Anti-Caça, prevista para ser uma espécie de BOPE da conservação (unidade semelhante opera com sucesso vestindo o uniforme do Kenya Wildlife Service). Além disso a ong Endagered Wildlife Trust estabeleceu um disque-denúncia para o qual qualquer atividade que coloque a vida de um rinoceronte em risco pode ser denunciada anonimamente.
 
Será que vai dar certo? Nunca uma frase feita aplicou-se tão bem à realidade: “Quem viver verá

 

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Salada Verde
31 de julho de 2026

Justiça determina que Rio incorpore clima no processo de licenciamento ambiental

Decisão estabelece prazo de 90 dias para que prefeitura passe a exigir de empreendimentos poluidores plano de mitigação de emissões e medidas de compensação

Salada Verde
31 de julho de 2026

Quase 600 áreas protegidas da Amazônia não registraram desmatamento no primeiro semestre

Mais de 80% das áreas protegidas do bioma não apresentaram desmatamento entre janeiro e junho deste ano, segundo o Imazon. É o melhor desempenho dos últimos 8 anos

Colunas
31 de julho de 2026

A Era do Fogo: o alerta que vem da França

Os incêndios franceses demonstram que capacidade técnica e econômica, embora indispensáveis, não garantem proteção quando os ecossistemas perdem resiliência

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.