
Manaus (AM) — O primeiro filhote órfão de peixe-boi resgatado esse ano no Amazonas chegou no início desta semana ao Instituto Mamirauá. Batizada de Valentina, é uma fêmea com idade estimada de um mês. Com 85 centímetros de comprimento e 12 quilos de peso, ainda não foi desmamada. Nesta terça-feira, foi transferida para o berçário localizado na Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Anamã, onde deve permanecer pelos próximos dois anos.
Valentina foi encontrada por moradores de uma comunidade de Guajará, município do Sul do Amazonas, e teve de fazer uma viagem aérea de três horas e meia até a cidade de Tefé (AM). Segundo a oceanógrafa Miriam Marmontel, coordenadora do projeto Aquarvert, do Instituto Mamirauá, o peixe-boi chegou ferida e está sendo tratada com antibióticos. Esses ferimentos provavelmente tenham sido causados durante o tempo em que ficou em um tanque, onde era visitado por crianças em Guajará.
Os pesquisadores não têm informações sobre o que aconteceu com a mãe do filhote. Provavelmente tenha sido abatida por caçadores. “É um problema grava, porque é um filhote que perdeu a mãe, que é uma procriadora. Perdeu uma mãe que poderia estar se reproduzindo”, lamenta Miriam Marmontel.
No ano passado, o Instituto Mamirauá recebeu quatro filhotes, que segundo a pesquisadora continuam no Centrinho, para onde são levados os animais resgatados. Outros 9 filhotes foram levados para Manaus, onde são recebidos pelo Laboratório de Mamíferos Aquáticos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (LBA/Inpa). O Centro de Preservação e Pesquisa de Mamíferos Aquáticos da Amazonas Energia, na Hidrelétrica de Balbina, também recebe peixes-bois resgatados.
Com esse grande número de peixes-bois resgatados, aumenta a necessidade de fazê-los retornar a natureza. Nos últimos dois anos, cinco animais foram devolvidos à natureza por pesquisadores do Instituto Mamirauá. Um deles, teve de ser resgatado. “Ele estacionou em um lugar com capim e, depois de comer todo o capim, ficou parado. Ficou emagrecendo e foi recapturado”, conta a pesquisadora. Os outros quatro, segundo ela, foram acompanhados por radiotelemetria durante alguns meses, e aparentemente se adaptaram bem. Mas depois os equipamentos deixaram de emitir sinais.

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