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Salles e Mourão contam versões diferentes sobre corte na fiscalização ambiental

Ministério do Ambiente anunciou que bloquearia a partir da próxima segunda-feira (31) mais de 60 milhões em verbas do Ibama e do ICMBio. Governo voltou atrás

Marcos Furtado ·
28 de agosto de 2020 · 6 anos atrás
Ricardo Salles e Mourão, juntos em coletiva sobre Amazônia, no começo de julho. Foto: Romério Cunha/VPR.

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, causou alvoroço nesta sexta-feira (28) ao decretar o fim de todas as operações de combate ao desmatamento ilegal e queimadas na Amazônia Legal e no Pantanal a partir da próxima segunda-feira (31). O anúncio, feito em nota, informava que o Ministério da Economia decidiu pelo bloqueio de 60 milhões de reais da pasta ambiental a pedido da Secretaria de Governo e pela Casa Civil. Após a repercussão, e com direito a desmentido do vice-presidente Hamilton Mourão, a medida foi anulada. As equipes de fiscais e brigadistas continuarão em campo.  

Salles sustenta a versão de que o governo desbloqueou o recurso após a repercussão da nota. Já para o vice-presidente da República que preside o Conselho da Amazônia e herdou as funções de combate ao desmatamento ilegal e queimadas no bioma, função antes exercida pelo Ibama –, o ministro “se precipitou”. 

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“O ministro se precipitou, pô, precipitação do ministro Ricardo Salles. O que tá acontecendo? O governo está buscando recurso para poder pagar o auxílio emergencial. É isso que eu estou chegando à conclusão. Então, está tirando recursos de todos ministérios. Cada ministério oferece aquilo que pode oferecer, né?”, disse Mourão a jornalistas, na saída da vice-presidência. “Não vai ser bloqueado os 60 milhões aí entre Ibama e ICMBio”.

O Ministério do Meio Ambiente havia divulgado a desmobilização, no âmbito do combate às queimadas no Ibama, “de 1.346 brigadistas, 86 caminhonetes, 10 caminhões e 4 helicópteros”. 

“Nas atividades do IBAMA relativas ao combate ao desmatamento ilegal serão desmobilizados 77 fiscais, 48 viaturas e 2 helicópteros. No âmbito do ICMBIO, nas operações de combate ao desmatamento ilegal serão desmobilizados 324 fiscais, além de 459 brigadistas e 10 aeronaves Air Tractor que atuam no combate às queimadas”, detalhou em nota.

Contrariando a versão de Mourão, Salles disse que o congelamento já havia sido efetuado. “Não é verdade. Já estava bloqueado e eles desbloquearam agora. Mas não vou ficar discutindo com o vice-presidente, que respeito muito. Eles desbloquearam depois da nota (do ministério)”, disse, em entrevista ao jornal O Globo

Às 19h54, o Ministério do Meio Ambiente atualizou a nota, reforçando a versão de Salles. Diz a atualização:

O Ministério do Meio Ambiente informa que na tarde de hoje houve o desbloqueio financeiro dos recursos do IBAMA e ICMBIO e que, portanto, as operações de combate ao desmatamento ilegal e às queimadas prosseguirão normalmente.

Há uma previsão para o ano que vem de uma redução de R$ 120 milhões como corte orçamentário na área do meio ambiente. Apesar de alegar que os 60 milhões afetaria a fiscalização ambiental, o Ibama, por exemplo, gastou só 20% do orçamento para fiscalização até julho

 

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  • Marcos Furtado

    Escreveu para ((o))eco, Estadão, Folha de SP, Colabora. Ganhou o Prêmio Santander Jovem Jornalista e teve o 3º lugar em concurso do ICFJ

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Comentários 1

  1. Paulo diz:

    Confusão, e no meio o beato salû.
    Ninguém merece.