Análises

Vale o mais restritivo?

De André Rocha FerrettiEng. FlorestalCuritiba-PRPrezado Editor,Antes de mais nada, quero parabenizá-lo e a toda a equipe de “O Eco”, pelo brilhante trabalho. Sou leitor e divulgador do site.Na última coluna do Paulo Bessa, que por sinal trata de um assunto muito importante e interessante, penso que ele acabou usando exemplos infelizes no quinto parágrafos. Seria bom ele ter lido a coluna da Maria Tereza Pádua (Argumentos espúrios)antes de ter escrito o texto. Tenho certeza que ao escrever a coluna o Paulo Bessa teve a melhor das intenções, mas como ele mesmo falou: “... Entretanto, está inteiramente fora da minha pouca competência falar sobre manejo de fauna ou flora, motivo pelo qual jogo a toalha e retomo o ponto central do artigo”.Porém, mesmo falando a frase acima, ele cita o fato de que coelhos europeus introduzidos na Austrália acabaram formando superpopulações e causando sérios problemas. Isso é verdade e precisa mesmo ser divulgado para que erros como esses não se repitam. No quarto parágrafo o autor transcreve um trecho de um artigo científico, que fala sobre a introdução de um vírus “... que ocorre naturalmente em coelhos (Sylvilagus brasiliensis) na América do Sul, provocando uma infecção relativamente benigna (pequenos tumores e mortalidade muito baixa). Em coelhos europeus e australianos esse vírus provoca doença letal com lesões graves. Na década de cinqüenta a população de coelhos na Austrália (Orytolagus cuniculus, descendentes de indivíduos trazidos da Inglaterra) era estimada em centenas de milhões. Como medida de controle populacional, foi introduzido o vírus da mixomatose naquele País. Após alguns anos da dispersão do vírus a população de coelhos reduziu-se a cerca de 1% do seu tamanho anterior.”É importante destacar que todo vírus apresenta taxa de mutação altíssima. Um vírus introduzido pode atacar outros animais nativos da Austrália, e causar um estrago ambiental muito maior do que aquele provocado pela superpopulação de coelhos exóticos. Esse tipo de intervenção pode, por exemplo, destruir populações inteiras de pequenos mamíferos nativos. O problema com os coelhos foi causado pela introdução de um animal exótico, e o “remédio” apresentado pelo colunista foi exatamente o mesmo, ou seja, introduzir uma outra espécie exótica (no caso um vírus). Certamente quando o coelho foi introduzido, não se pensava ou não se sabia o problema que poderia causar no futuro. O mesmo ocorre para o vírus, que num primeiro momento pode trazer um benefício (controle da população de coelhos exóticos), mas que futuramente pode provocar um desequilíbrio ainda maior. E isso, sem falar na possibilidade dos coelhos sobreviventes tornarem-se resistentes ao vírus e formarem novamente uma superpopulação ainda mais difícil de ser controlada!A introdução de toda e qualquer espécie de organismo vivo exótico em um ambiente pode provocar sérios desequilíbrios ambientais. Há uma infinidade de exemplos, e a Austrália está cheia deles. Mais informações sobre espécies exóticas invasoras podem ser obtidas em: www.institutohorus.org.br.Atenciosamente,Prezado AndréGrato pela leitura do artigo. Só quero dizer que não sugeri medida nenhuma. Ao contrário, limitei-me a transcrever um texto, de forma a possibilitar um debate específico que era sobre o problema do mais restritivo e não de "espécies exóticas". A única "espécie exótica" sobre a qual posso arriscar alguns palpites é a dos juristas. Quanto às demais, "reservo-me o direito de falar em juízo, pois estou protegido por um Hábeas Corpus" , como diriam os freqüentadores das CPIs. A crítica foi válida.Paulo

Redação ((o))eco ·
30 de agosto de 2005 · 21 anos atrás

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Notícias
19 de junho de 2026

Copa do Mundo das Áreas Protegidas: Grupo D

EUA, Paraguai, Austrália e Turquia disputam vaga na próxima fase. Na Copa das Áreas Protegidas, cada país entra em campo com suas estratégias de conservação

Notícias
19 de junho de 2026

Produtores rurais impedem audiência pública sobre criação de UC no Pantanal

Com discurso carregado de desinformação sobre “impactos” do Refúgio de Vida Silvestre Delta do Salobra, grupo liderado por sindicato rural ocupa auditório e nega diálogo com ICMBio

Externo
19 de junho de 2026

Entenda por que a extinção das línguas é uma questão ambiental

Mais de 2 mil línguas indígenas correm risco de desaparecer neste século – e, com elas, poderemos perder conhecimentos ecológicos tradicionais de suma importância

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.