Análises

Eu? Eucalipto!

O eucalipto, ao contrário do que é propagado ao vento, tem nos provado, ao longo do plantio de novas florestas, ser um excelente agente transportador e transformador da água em terras degradadas no Cerrado.

Carlos Secchin ·
10 de novembro de 2009 · 16 anos atrás

Respeitada e mantida a vegetação natural do Cerrado, a baixa umidade do ar de nossa região do (Planalto Central) pode ser amenizada pelo plantio de florestas de plantas exóticas e de crescimento rápido.

Contrário do ar e da vegetação nativa que sofrem com o longo período de estiagem, o que não é visível – o aqüífero permanece de baixo da terra, abastecido, guardado dentro do seu reservatório natural. Ele nos dá prova permanente de sua existência, fazendo emergir nos campos e veredas, caminhos de água.

Relativamente raso, bastante amplo e volumoso, o aqüífero do Planalto permite que raízes de plantas nativas ou não, processem a transferência da água do subsolo para a atmosfera. As folhas, especialmente, as do eucalipto, quando transpiram, e o fazem com freqüência diária, devolvem ao ar, o que foi pego emprestado, por suas raízes. Elevam assim, a níveis suportáveis, a tão baixa e conhecida umidade relativa do ar do Planalto.







O eucalipto, contrário do que é propagado ao vento, especialmente onde existiu o ecossistema do Cerrado, em terras degradadas e exauridas que, absolutamente não são poucas, tem nos provado, ao longo do plantio de novas florestas, ser um excelente agente transportador e transformador da água, em vapor atmosférico e que, nas terras altas ajuda muito na formação de nuvens.

A floresta de eucalipto sombreia a terra e evita a propagação da praga do capim exótico e invasor. Ela faz baixar a temperatura em + ou – 2°C, o que, hoje, em tempos de aquecimento global é muito bom. Ela estimula o surgimento de um micro ciclo hidrológico benéfico a toda região.

A floresta de eucalipto além de abrigar abelhas melíferas, faz conexão entre capões de reservas legais protegendo grande parcela da fauna ameaçada de extinção. É uma cultura que, além de seqüestrar moléculas de carbono, transforma-as em celulose e em energia verde. Evita a pressão antrópica sobre vegetação nativa que, historicamente, tem sido impiedosamente, abatida para virar carvão. Carvão esse, de baixo aproveitamento calorífico.

O eucalipto é uma planta de crescimento rápido, pouco exigente, tem valor de mercado e nos dá três cortes a cada 7 anos.

A nobre planta adaptada às condições do Planalto, ao usar a força natural que transforma da luz o sol em energia, interage com a atmosfera do Cerrado captando, distribuindo e transformado água do subsolo, antes indisponível, numa região que, metade do ano apresenta-se com clima desértico, em um oásis de esperança e de qualidade de vida.

Plantamos eucalipto da mesma forma que recuperamos áreas nativas, remanescentes do que, outrora, era conhecido como Cerrado. E mais, depois de anos de pesquisa, obtivemos licença ambiental para aplicação do adubo natural orgânico em forma de lodo, (fornecido pela estação de tratamento e beneficiamento de esgoto para aplicação em silvicultura, aqui e no Distrito Federal).

Quando o MST ameaça arrasar plantações de eucalipto é bom para a opinião pública, independentemente de sua posição político-ideológica, ficar consciente de que, ele (MST) está destruindo muito mais do que uma fotografia pode mostrar.

  • Carlos Secchin

    Carlos Secchin é engenheiro e fotógrafo, Carioca, vive no Cerrado onde se dedica a conservar uma pequena porção deste rico bi...

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