O loteamento das florestas públicas do Brasil
Projeto de Lei que libera exploração de florestas públicas é uma vergonha para o país. Querem lotear a Amazônia para madeireiros, traficantes e multinacionais. →
Projeto de Lei que libera exploração de florestas públicas é uma vergonha para o país. Querem lotear a Amazônia para madeireiros, traficantes e multinacionais. →
De Ceci AlmeidaParabéns Silvia! Sua coluna mereceria a reprodução em jornais de todo o país!!!. Além da campanha "não leve seu filho ao circo que tem animais", deveríamos lançar a campanha "não leve seu filho ao zoológico". →
De Dr. Pedro A. YnterianCoordenador NacionalSantuário de Grandes PrimatasProjeto GAP - BrasilPrezada Sra. Sílvia,Conheça no nosso site Projeto Gap que lá poderá obter informações para onde a Suíça poderia ter ido, que é onde mora a sua família original do Paraná (onde ela morou em sua juventude).Você entendeu errado a notícia.Um abraço, →
De Lêda Leal da Costa"Defensores dos Animais" - vice-presidente Rio de Janeiro - RJAdorei o seu artigo. Realmente, zoológicos são uma aberração e uma covardia. Só faço uma ressalva quanto ao Dr. Heron. De fato, todos deveriam ser libertos, não só a chimpanzé. Mas se, pelo menos, ela puder sair dali para um lugar melhor, já seria um ganho. A reserva do GAPA não é seu habitat natural mas tem muito mais espaço e ela poderá conviver com outros de sua espécie. Menos mal. Se todos os promotores públicos tivessem, pelos animais, o respeito que o Dr. Heron tem, sua escravidão terminaria, não só nos zoos mas em todas as situações. O Dr. Heron é um entusiasta do "abolicionismo animal". →
De Rosa CartagenesIndigenista e jornalista de Santarém-PACaras-Pálidas versus Caras-de-Pau?O diretor de Assuntos Fundiários da FUNAI, Arthur Nobre Mendes, propôs em reunião na sede do IBAMA em Brasília, no último dia 13, o arrendamento de 90 hectares próximos a atual área indígena de Santa Rosa do Ocoí (São Miguel do Iguaçu – noroeste do PR), como →
De Maria Elizabeth Carvalho da Rocha Chefe da Área de Proteção Ambiental (APA) da Baleia Franca IBAMA/SCCaro EditorLinda matéria sobre o projeto Gaia Village! Gostaria, apenas de complementar que a Fazenda encontra-se inteirinha dentro da APA da Baleia Franca e é com certeza absoluta uma referência de empreendimento privado que busca sustentabilidade econômica com sustentabilidade ambiental.A estória pessoal do Dolizete é extraordinária! De agricultor que trabalhava com agrotóxicos à coordenador de um projeto ambiental referência e presidente do Conselho Municipal de Meio Ambiente de Garopaba! São pessoas como o Doli que estão na prática transformando o mundo pra melhor.São projetos como o Gaia Village que nos mostram sim que outra forma de mundo é possível. Os irmãos Franco e Justo juntamente com sua mãe nos apontam,essas possibilidades. Todas aqui, bem pertinho de nós.A equipe da APA da Baleia Franca se orgulha dessa parceria e do exemplo de iniciativa privada ambientalmente responsável dentro do território da UC.Parabéns sinceros pela matéria. Ela é importantíssima para que se tenha um contraponto à egrégora do caos que a grande mídia tanto se empenha em ressaltar.Cordialmente, →
De Gustavo Heinz Schmidt Wiggers1) Rafael, olha, vocês se superaram essa semana... só para citar algumas matérias e reportagens fenomenais:Limpeza não é tudo - Ana Antunes - 18.09.2005 Cidade em pedaços - Carolina Elia - 16.09.2005Enquanto é tempo - Juliana Tinoco - 18.09.2005Vendo baleias - Manoel Francisco Brito - 18.09.2005Um resto de paraíso - Manoel Francisco Brito - 18.09.2005Motosserras - Salada Verde - 16.09.2005Por trás da bancada - Marcos Sá Corrêa, Manoel Francisco Brito, Carolina Elia, Lorenzo Aldé, Andreia Fanzeres, Juliana Tinoco - 18.09.2005Em nome da eficiência - Rafael Corrêa- 18.09.20052) Outra coisa, Rafael, o artigo do Paulo Bessa, "Correr atrás de baleia é crime", de 18.09.2005 é baseado numa sentença de meu pai. Pode isso!!! Poxa, eu leitor assíduo de vocês, começo a semana brindado com trechos da sentença de papai, olha é um sentimento sem palavras meu caro amigo, por enqüanto virtual!!!Se quiseres cópia da sentença e denúncia posso tentar conseguir.3) Quando irão lançar uma seleção de reportagens de "O Eco" em livro com fins beneficentes? Com um preço justo, viu!!! Serviria até como mote para lançarem em outros países por Editoras de renome, como Editorial Bosch na Espanha e Harvard Press (se eu não estiver equivocado) nos EUA.4) Eu sugiro, ainda, um livro teu e do Paulo Bessa com os melhores artigos jurídicos de vocês publicados em "O Eco" e arrisco a dizer, também, que deveria ser traduzido para o inglês. Um forte abraço, →
De Pieter M. van der Meer Olá Juliana! Meu nome é Pieter, sou Biólogo, e sobre sua reportagem do dia 18.09.2005, "Enquanto é tempo", gostaria de fazer alguns comentários, principalmente a respeito do seguinte parágrafo: Enquanto isso, o adeus acontece lentamente. Madeireiros e proprietários de áreas com floresta vêm desmatando incessantemente nos últimos seis meses, transformando as áreas em lavoura ou plantação de pinus. Ainda assim, o desenho das oito unidades desconsidera qualquer propriedade produtiva, incluindo apenas as florestas onde ainda restam araucárias. Conheço a região em questão (Principalmente as UCs na regiao dos Campos Gerais no Paraná), e posso afirmar que lá não houve desmatamentos, como ocorreu nos municípios de Palmas e no Estado de Santa Catarina. Os proprietários nessa região fizeram corretamente seu dever de casa, preservaram as matas ciliares, fazem uso de uma agricultura que protege o solo através do plantio direto e respeitam os 20% de reserva legal! Então peço a você Juliana, que evite generalizar! Não são todos os produtores rurais que são crápulas com sede de desmatamento. Nos Campos Gerais há anos não se implantam novas lavouras nem plantios de Pinus, ou seja, é utilizada apenas a área onde já se pratica a agropecuária! Outro comentário diz respeito à afirmação de que o desenho das UCs desconsidera áreas produtivas, o que não procede. No próprio site do MMA/Ibama e Rede Pro-UCs, existem mapas e dados que demonstram a inclusão de áreas produtivas. Inicialmente constavam para o Parque Nacional dos Campos Gerais (PNCG), quase 4.000 hectares de áreas agrícolas. Mais tarde, o MMA reviu os dados e concluiu que seriam quase 6.000 hectares, e apresentou esse número em uma mesa redonda no UnicenP em Curitiba. Já um os grupos de trabalhos das prefeituras falam em mais de 7.000 hectares! Ou seja, de qualquer forma, estamos falando no mínimo de 25% da área total (22.000 hectares) do PNCG, o que não é pouca coisa, concorda? Se possível peço a correção destas informações, pois de forma transparente o processo de criação das UCs tem chances maiores de vingar e ser implantado o quanto antes. Os produtores da região sugeriram a exclusão das áreas produtivas, e como compensação a criação de RPPNs. Parecem ser alternativas mais viáveis e com um apoio maior! Talvez fosse interessante também divulgar no site, que existem produtores preocupados com o meio ambiente, e não apenas maus exemplos! Mostrar os bons exemplos valoriza essas iniciativas, e faz com que elas se multipliquem! Agradeço a atenção, e aguardo um retorno, →
De Alvaro Barros Cara Ana,Quero parabenizá-la pelo EXCELENTE artigo sobre o Projeto de Lei que está tramitando aqui na Câmara Legislativa do DF. Sou aqui de Brasília e estou bastante procupado com as conseqüências caso essa lei passe como está. Estarei com certeza na audiência do dia 22 e pretendo colocar minhas impressões sobre o projeto. Você estará lá? Você é de Brasília? Sua presença seria de grande valia...Atenciosamente, →
De Dr. Oc. José Martins da Silva Júnior Secretário Executivo Conselho Gestor APA-FNCoordenador Centro Golfinho RotadorAndreia, achei boa sua matéria "Asas demais", mas observei um engano. A ave que tem problemas com a aviação em Fernando de Noronha é a garça-vaqueira (Bubulcus ibis). O Conselho Gestor da Área de Proteção Ambiental de Fernando de Noronha, em parceira com o CEMAVE está tentando minimizar este conflito. →
De Ellen Adriana Sezerino Assessora de Imprensa da Campos Novos Energia S.A - Enercan Prezados Senhores, RENAN ANTUNES DE OLIVEIRA, LORENZO ALDÉ, MARCOS SÁ CORRÊA, SÉRGIO ABRANCHES, MANOEL FRANCISCO DO NASCIMENTO BRITO FILHO, A Campos Novos Energia S.A. – Enercan – lamenta a maneira como o site O ECO conduziu a reportagem intitulada “Crimezinho Ambiental”, publicada no dia 28 de agosto, relacionada à empresa e a seu empreendimento: a usina Hidrelétrica Campos Novos. A matéria citada desrespeita a ética jornalística (em nenhum momento, nem a diretoria da empresa, nem os jornalistas da assessoria de imprensa contratada pela Enercan - que sempre estiveram disponíveis para prestar esclarecimentos ou conceder depoimentos e entrevistas – foram procurados para ser fontes da reportagem).Além disso, em diversos momentos do texto, a referida reportagem insinua que a empresa tem agido de má fé em seus propósitos. Pelo bem da verdade, da ética, do profissionalismo e da honradez, permita-nos esclarecer pontos da matéria publicada em referência: “A paisagem é lunar na calha do Rio Canoas, onde está sendo erguida a usina de Campos Novos, na divisa entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Tudo que se vê no canteiro de obras são enormes paredões de pedra por todos os lados”. (Grifo nosso) Nunca foi negado que uma obra deste porte é agente de determinados impactos, os quais encontram-se descritos no Relatório de Impacto Ambiental (RIMA). Neste mesmo relatório, são discriminadas as medidas “mitigadoras” e “compensatórias” para estes impactos. O RIMA foi submetido a “Audiência Pública” e o PBA (Projeto Básico Ambiental) aprovado pelo órgão ambiental. Em ambos estão detalhadas as medidas adotadas e como são documentos públicos estão depositados, pelo menos, no órgão ambiental e em todas as prefeituras dos municípios da área de influência do empreendimento. No canteiro de obras onde está sendo implantada a Usina de Campos Novos - em área adquirida de 663 hectares - foi autorizada a supressão vegetal de 250,1 hectares. O cuidado ambiental na implantação do empreendimento levou a empresa a instalar os escritórios, refeitório, oficina mecânica, etc., em locais originariamente compostos de pastagens ou capoeirinhas, buscando, desta forma, limitar ao máximo o desmatamento. Assim, o desmatamento final foi reduzido à metade da área autorizada. Além disto, foram introduzidas alterações no projeto, que possibilitaram que se evitasse a implantação de jazida de pedra à jusante da barragem, embora esta já estivesse autorizada pela FATMA. Em 25/abril/05, foi encaminhado à FATMA o projeto de Recuperação da Área Degradada, agora já aprovado, e em plena fase de implantação. Este projeto, entre outras medidas, prevê a plantação no canteiro de obras de 7.500 mudas nativas e 100.000 (cem mil) mudas de araucárias. Até o final de dezembro/07, todo o projeto estará executado e a área degradada, regenerada. “O Estudo de Impacto Ambiental diz que há uma espécie de cobra ameaçada de extinção, a Bothrops cotiara, “porque ela precisa de grandes extensões de mata preservada”. Já era. Também foram identificadas 178 aves de espécies de aves na área, sendo “7% raras, 3% vulneráveis e 2% ameaçadas de extinção”. Nada foi feito para protegê-las”. (Grifo nosso) A presença da jararaca-cotiara - Bothrops cotiara - não foi confirmada durante o monitoramento de fauna em nenhuma das áreas amostradas. Não se conhecem registros bibliográficos recentes desta espécie na Bacia do rio Canoas. Seu habitat preferencial são as grandes matas de araucária que ocorriam de São Paulo ao Rio Grande do Sul. Com a histórica destruição e fragmentação desta floresta, a cotiara tornou-se rara e está incluída na lista de espécies ameaçadas dos estados de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul, porém não consta da lista brasileira de espécies ameaçadas (IBAMA, 2003). Os registros constantes no EIA do empreendimento não permitem confirmar sua presença na área que será inundada e a área mais propícia para a ocorrência da Bothrops cotiara é o recentemente criado Parque Estadual do Rio Canoas, no município de Campos Novos. Ainda com relação à fauna, nos mais de três anos de trabalho, foram identificadas 42 espécies de anuros, 34 espécies de répteis, 194 espécies de aves e 56 espécies de mamíferos na área de influência direta e indireta do empreendimento. A ENERCAN construiu um Centro de Salvamento e Preservação de Fauna e Flora da região, na cidade de Celso Ramos, que consta de Viveiro para Plantas, Centro de Triagem de Fauna, Laboratório de Botânica e Zoologia, Sala de Reuniões e Educação Ambiental, além de depósito e alojamento para pesquisadores. Este Centro serviu de base para o desenvolvimento de estudos e monitoramento da fauna e flora nativas, a partir de maio de 2002. No que diz respeito à flora, o inventário florístico, executado como parte do programa de Conservação, Manejo e Aproveitamento Científico da Flora Nativa na UHE Campos Novos , permitiu a coleta e a identificação de espécies pertencentes a diferentes habitats, incluindo representantes dos estratos arbóreos e arbustivos. Além de ervas rupícolas e epífitas, todo o restante da flora nativa existente na região foi documentada. Foram coletadas 1950 exsicatas (sementes secas, para estudo), num total de 211 espécies e 65 famílias. Um total de 1.023 exsicatas foi doado às Instituições depositárias do material herborizado, destacando-se Herbário Alarich R. J. Schultz (HAS), Herbário Balduíno Rambo (HERBARA), Herbário UNIPLAC – Universidade do Planalto Catarinense e Herbário RSPF – Universidade de Passo Fundo. Com o objetivo de produzir mudas de espécies nativas para recomposição da faixa ciliar da UHE Campos Novos, foram coletados frutos e sementes de 89 espécies, especialmente de Anacardiaceae, Leguminosae e Myrtaceae. Além da produção de mudas e armazenamento para conservação ex situ , efetuou-se a doação de sementes de espécies nativas e de mudas à comunidade. Neste sentido, foram coletados aproximadamente 6.500 mil propágulos e produzidas cerca de 240.000 mudas pertencentes a cerca de 60 espécies. Inclusive de espécies raras e/ou ameaçadas de extinção - como o pinheiro (Araucária angustifólia) - que também foram empregadas no plantio da faixa ciliar. O resgate de material vegetal permitiu o salvamento de espécies pertencentes a diferentes habitats, incluindo representantes dos estratos arbóreo e arbustivo, além de ervas terrícolas, rupícolas e epífitas, documentando a flora existente na região em um total de 24.000 sementes, mudas, tubérculos, estacas e outros propágulos. Durante o desmatamento foram coletados 1.783 lotes de plantas, resultando no resgate de sementes, mudas, tubérculos, estacas e outros propágulos de aproximadamente 42 famílias pertencentes a divisão Magnoliophyta, a Gymnospermae e a Pteridophyta. Entre as angiospermas (Magnoliophyta), aquelas que apresentam maior número de coletas identificadas foram Orquidaceae (30,7% do total de lotes resgatados), Bromeliaceae (23,3%) e Cactaceae (7,8%). As pteridófitas representaram 1,7% e gminospermas 0,6% da totalidade dos lotes coletados durante a supressão da vegetação. Entre as orquídeas destacam-se os gêneros Oncidium e Pleurothallis; entre asbromélias Aechmea, Tillandsia e Vriesea e entre as cactáceas Ripsallis. As espécies lenhosas empregadas no processo de implantação da faixa ciliar no entorno da Usina Campos Novos compreendem um total de 60 espécies distribuídas em 30 famílias botânicas, sendo o hábito predominantemente arbóreo (86,70% das espécies empregadas), com a presença de cinco espécies com hábito arbustivo (8,30%), duas palmeiras (3,30%) e uma trepadeira lenhosa (1,70%), em um total de 218.734 mudas plantadas. Dentre elas, destaca-se o plantio de Araucária angustifólia (pinheiro brasileiro), com o emprego de aproximadamente 55.000 mudas, cerca de 25% do total de mudas já implantadas (220.000 mudas). Portanto, a fauna e flora foram e serão cuidados conforme preconiza o PBA, pois além das citadas, outras ações continuarão sendo executadas: · Monitoramento de fauna - continuará por 2 (dois) anos após o enchimento do reservatório; · Monitoramento de flora ameaçada de extinção, replantada – continuará por 5 (cinco) anos, após enchimento do reservatório. “Já ergueu a barragem, e mesmo sem licença de corte de vegetação, conseguiu fazer sumir quase toda floresta que estava em sua área de influência”. (Grifo nosso) Neste trecho, infelizmente, faltou-se com a verdade. Em 19/fevereiro/04, foi emitida a AUC – 004/04 (AUTORIZAÇÃO PARA CORTE DE VEGETAÇÃO) pela FATMA, inclusive com medida compensatória de plantio de 10 araucárias junto à APP (Área de Preservação Permanente) para cada araucária derrubada. Em 27 de maio de 2004, através do Decreto Estadual nº 1871, após aquisição da área pela ENERCAN, foi criado o “PARQUE ESTADUAL RIO CANOAS” com 1.067,86 hectares, que abriga uma floresta de araucária e várias espécies de fauna e flora, conforme avaliação ecológica concluída em abril de 2002. “Na etapa final do enchimento dos reservatórios, iniciada em janeiro, a Camargo Corrêa construiu portões e cercou com arame farpado todo acesso aos canteiros, bloqueando a ambientalistas todas as estradas que levam às áreas afetadas de Campos Novos e Barra Grande, vizinhas. Mesmo funcionários do Ministério de Minas e Energia são impedidos de entrar nas áreas e ver o que acontece – os do Ministério do Meio Ambiente já abandonaram a causa. Um cidadão comum que tente cruzar os portões é impedido por guardas armados. Eles mandam as pessoas sumirem dali”. (Grifo nosso) Em primeiro lugar, os portões e cercas existem desde o início da construção do empreendimento, delimitando a área do canteiro de obras, por tratar-se de área de segurança pela quantidade de explosivos armazenados e pelas detonações diárias para executar-se a obra. Além disto, é uma propriedade privada, pela qual não passa nenhuma estrada pública. A estrada que lá existe foi aberta para o fim específico da obra. Em segundo lugar, nunca os guardas usaram ou usam armamento. Em terceiro lugar, nunca qualquer funcionário dos órgãos ambientais, MME e MMA (devidamente identificados), foram impedidos de entrar no canteiro de obras da UHE Campos Novos. “Campos Novos vai engolir não apenas árvores e bichos. Estão ali alguns sítios arqueológicos importantes, com registros históricos da presença dos índios coroados, outrora donos do pedaço. As áreas dos acampamentos deles estão cercadas com uma fita amarela daquelas que a polícia usa nas cenas dos crimes – mas no dia em que a reportagem de O Eco passou por lá não havia ninguém trabalhando nelas”. (Grifo nosso) O trabalho de resgate arqueológico iniciou em julho de 2000 e encerrou em setembro de 2004. Ele foi conduzido pela Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL) - contratada da ENERCAN - motivo pela qual a equipe de reportagem do site O ECO não viu ninguém trabalhando no local. A área permanece demarcada para ninguém invadi-la. Em 06 de abril de 2005, o relatório final foi encaminhado ao IPHAN. Em 28 de agosto de 2005, o IPHAN aprovou o projeto de resgate arqueológico. Este documento, e os outros citados nesta resposta, está à disposição, caso haja interesse em consultá-los. Esperando a verdade dos fatos relatados, aguardamos pronunciamento deste veículo de comunicação. Atenciosamente,Resposta do autor: 1 - A Enercan diz que nunca foram encontradas jararacas na área. Isto é preocupante e indicador de que a espécie pode ter sido extinta. O primeiro relatório de impacto ambiental, realizado pela empresa Magna Engenharia, afirma na página IV-44 que "constatou-se a ocorrência de 2 ordens, 4 sub-ordens, 9 famílias, 27 gêneros e 29 espécies de répteis, registrando- se a espécie Bothrops cotiara (jararaca) como ameaçada de extinção, devido ao fato de suas populações necessitarem de grandes extensões de mata preservada". 2 - A Enercan só facilita os contatos da imprensa em visitas monitoradas. O repórter entrevistou biólogos contratados para o resgate de animais - eles consentiram em falar, desde que não fossem identificados, temendo represálias da empresa. 3 - A cerca e os guardas na entrada do canteiro de obras não estavam lá na visita anterior do repórter, em janeiro. 4 - A maior parte da area foi desmatada antes da autorização da Fatma, órgão do ambiental do governo de Santa Catarina, por sua vez sócio da Enercan no projeto. 4 - O repórter passou pela sítio arqueológico antes de 28 de agosto. Renan Antunes de Oliveira →
De André Prezada Silvia,O assunto “rodeio” já foi bastante discutido, mas volta e meia retorna à pauta,exaltando os sentimentos mais profundos dos “protetores dos animais”. Não queeu mesmo não me comova com as crueldades praticadas contra muitos seres vivos,uma vez que como biólogo, luto com unhas e dentes em prol da conservação dabiodiversidade. Mas não →
Passando pela Praia de Atafona, vemos uma casa com duas janelas, uma ao lado da outra. Embaixo delas, uma boca desenhada faz com que enxerguemos a fachada da moradia como um rosto simpático. Na pequena porta ao lado do “rosto”, encontramos Ines Vidipo encostada no muro apreciando a praia, enquanto um reggae toca na varanda da casa. Casa essa que é também um bar, o “Casa-bar erosão”, negócio administrado por Dona Ines desde 2020. Muito mais que apenas uma pintura, o “rosto” simpático na parede é um grande simbolismo, já que simpatia é o que não falta ali. “Aqui uma hora é um bar, outra hora é casa. Você chega, você fica à vontade, você faz seu churrasco e canta seu karaokê, do jeitinho que eu acho que tem que ser, que é também o modelo de Atafona. É um diferencial”, conta ela ao falar sobre seu bar.
Ines Vidipo “é uma apaixonada por Atafona”, como se define. Antes de se instalar de fato no distrito, era frequentadora da praia há mais de 10 anos e sempre ia com a família. Adorava ficar acampada em tudo quanto é lugar, só para poder aproveitar cada canto de Atafona. “Até em cima do bar de um amigo eu já acampei”, contou. Desde 2020, ela mora no distrito e não tem pretensão alguma de sair.
Além do bar, Ines trabalha na prefeitura de São João da Barra com crianças com deficiência. Mas todo tempo que tem, prefere estar no seu “Casa-bar”. Antes do Erosão, Ines tinha outro bar conhecido como Birosca, de onde teve que sair por causa do avanço do mar.
Foi em uma segunda-feira de carnaval que ela começou a ver o mar chegando em seu antigo bar. “Eu estava fazendo uma caranguejada no dia, sentada em um banquinho e o pessoal comendo caranguejo na varanda, quando vimos que ia cair. O poste em frente inclinou e caiu. Quando ele caiu, balançou o da varanda. Foi aí que vi e pensei ‘é, agora vai cair tudo aqui’”, contou.
Sem desistir, Ines recomeçou no Casa-Bar Erosão, onde permanece até hoje. Muitos dos utensílios que utiliza no bar são reciclados, vindos de lixos deixados na praia e doações. Orgulhosa, ela mostra o quadro com o nome do bar, desenhado e pintado por amigos, e a parede colorida da varanda, pintada e decorada por uma amiga próxima.
Apesar dos esforços de Ines em manter o seu bar em pé e em boas condições, a erosão tem dado sinais. A parte de trás do local é mantida por algumas telhas que, de alguma forma, impedem a parede de cair. No entanto, na cozinha já existe uma rachadura que Ines vai tentar segurar colocando mais telhas. “Porque se cair aquele lado, cai a casa”, comentou, apreensiva. Ela conta que vêm acompanhando, aos poucos, pequenas rachaduras se formando na casa. “Existe uma umidade que vai penetrando por baixo, é erosão mesmo.”
Sua tarefa agora é “manter [a casa] até onde a natureza deixar”, em suas palavras. “É um pouco tenso, sabe? Só colocando muita música, cantando muito karaoke aqui para a gente não ficar muito apreensivo”, desabafou.
Antes mesmo de toda a nossa conversa, Dona Ines fez questão de mostrar a música que idealizou, com a ajuda da Inteligência Artificial.
“Um mar, a água quentinha, misturada com o rio, é uma delícia, não tem quem não goste daqui. Tem gente que não troca um mar desse aqui nem pelos grandes centros”, disse.
Benilda Nunes é conhecida em Atafona pelo seu quiosque localizado no Pontal do distrito, à beira do Rio Paraíba do Sul, onde antes ficava a foz do rio. Chamada de “Barraca da Benilda”, o estabelecimento recebe moradores, turistas e frequentadores de Atafona que buscam um lazer, comida boa e tranquilidade em frente ao rio. Com a barraca há sete anos, Dona Benilda não esconde o prazer que tem com seu ofício. “Eu gosto muito de trabalhar aqui. Cozinho, faço e vendo de tudo um pouco e me divirto também. Brinco, dou risada, cada hora chega um conhecido, a gente conversa e o dia passa”, disse.
Benilda está em seu terceiro endereço. Na infância, morava na Ilha do Pessanha, até que o mar passou a atingir parte do lugar e os moradores tiveram que sair. Segundo ela, havia em torno de 80 casas na ilha, que era pequena e tinha poucos estabelecimentos, como um colégio e um mercadinho. Foi então que ela, junto de sua família, mudou-se para a Ilha da Convivência, que hoje também deixou de existir, como ilha, devido à ação do mar. As cerca de 300 famílias do local, incluindo a de Benilda, também tiveram que sair porque o mar vinha chegando cada vez mais. Após isso, foi morar em Atafona, recebendo um auxílio financeiro da prefeitura por apenas três meses.
Apesar da Ilha da Convivência ser hoje apenas um extenso areal conectado à Praia de Atafona, Dona Benilda se refere ao lugar como se ainda estivesse separado. “Aqui para mim é melhor ainda, eu venho para cá quase todos os dias. Eu gosto mais daqui do que de Atafona. Eu sempre falo: ‘Eu sou daqui, me criei aqui, eu sou da terra da convivência mesmo. Sou da ilha mesmo’” e continuou: “Aqui era muito bom de viver, para tudo, eu pegava caranguejo, botava uma rede no rio, pegava um peixe, qualquer coisa que você quisesse comer tinha. Tinha gente que vinha dar aula aqui, a gente estudava também.”
Religiosa, a fé para ela é um combustível para viver e seguir trabalhando com o que gosta. “Tenho muita fé em Deus, Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora da Penha. Eu tenho fé”, contou.
Nascida em Campos dos Goytacazes, Marina Leite foi morar na cidade do Rio de Janeiro para estudar jornalismo na ESPM. Apesar da mudança de moradia, o que não mudou na realidade de Marina foi a ida para Atafona em todo verão. “Venho passar todos os verões aqui desde que eu nasci e eu não troco nenhum lugar do mundo para passar meu janeiro”, contou.
Marina cresceu ouvindo as histórias dos avós e do pai sobre Atafona. A família costumava ir todos os verões para a casa da avó de Marina, construção destruída pelo mar no ano que a menina nasceu, em 2002. Foi então que a família comprou outra casa para passar os verões, a algumas ruas atrás de onde o mar está hoje.
Apesar de não lembrar da primeira casa devido a sua idade, a jornalista diz que tem muitas memórias na moradia atual. “Todo mundo fala que aqui é um lugar que traz paz. Eu acho muito isso. Atafona é muito diferente de Campos e do Rio”, disse. “Mas eu acho que o que faz com que as pessoas gostem tanto daqui são as memórias que a gente cria no lugar.”
Em meio a tantas memórias, Marina optou por fazer um documentário sobre Atafona para o seu trabalho de conclusão de curso (TCC) da faculdade. Mas não um longa qualquer: a menina realizou seu trabalho a partir de um documentário que o próprio pai havia feito nos anos 90, junto com o padrinho dela. No longa, Marina mescla cenas atuais de Atafona com takes do filme do pai, além de entrevistas com moradores do distrito. Chamado de “Atafona: as histórias que o mar não leva”, o documentário busca falar do lugar para além da erosão costeira e do avanço do mar. Marina propõe, a partir de seu olhar como veranista do balneário, contar histórias e memórias que, segundo ela, fazem tantas pessoas permanecerem ou voltarem à Atafona.
“Atafona é mais do que um lugar que está sendo engolido pelo mar. Por que esse lugar não pode desaparecer? Por causa da gente, das pessoas que frequentam, das pessoas que moram e que querem que esse lugar continue vivo”, completou, se referindo a um dos motivos pelos quais quis fazer o documentário.
Apesar do avanço do mar está cada vez mais intenso, Marina não pensa em deixar de frequentar Atafona, muito pelo contrário. Segundo ela, pretende morar de vez no distrito quando estiver mais velha. “Eu converso muito isso com meus pais, eles têm essa vontade de quando ficarem mais velhos, virem morar nessa casa em Atafona. Eu também tenho essa vontade. É isso que Atafona traz, você não quer ir embora. Você quer ficar aqui, apesar do mar, você não quer sair”, contou.
Amante da biologia, Kauan Amaral escolheu a área como profissão, fazendo a graduação na Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF). Por um acaso ou não, esse apreço pela natureza é refletido na preocupação que tem com a localidade onde nasceu, cresceu e vive até hoje. Com 19 anos, Kauan sempre morou em Atafona e gosta muito de viver ali. Ele conta que não quer ver o distrito ser destruído por inteiro e ficar apenas em sua imaginação. “É uma coisa que a gente tem que levar a sério, porque se a gente não fizer nada, nós vamos sumir. Vamos perder nossa história”, disse ao citar o relatório da ONU de 2024, o qual aponta que até 2050 o mar vai subir 21 cm em Atafona.
Toda essa preocupação fez com que o menino, junto com mais três amigas, fizessem um trabalho para a escola denunciando a erosão costeira e o avanço do mar no lugar. O projeto “SOS Atafona”, realizado em forma de esquete, recebeu o terceiro lugar em dezembro de 2024 do Festival Transformar Seeduc 2024, iniciativa da Secretaria de Estado de Educação. A premiação ocorreu no centro do Rio de Janeiro, no Teatro Riachuelo. Segundo Kauan, conseguir levar a questão de Atafona para outros lugares, principalmente metrópoles como a cidade carioca, é muito importante para que mais pessoas conheçam e se sensibilizem com a causa. “Quando você é do interior e você vai pro Rio, ninguém conhece a sua história. A gente daqui sabe o que acontece lá no rio, mas será que eles lá sabem o que acontece aqui? Então a gente levou essa pauta, levamos que Atafona precisa de ajuda, contamos nossa história”, disse.
Para Kauan, a melhor parte de viver em Atafona é poder estar perto da natureza, das praias e do ar fresco. “Eu gosto muito de ir lá ver o mar, pra mim não tem coisa melhor. E o que eu amo fazer, acho que é minha coisa favorita, é ir ver o nascer do sol. E no final de semana, eu e meus amigos saímos, a gente gosta de ir à praia, jogar vôlei, futevôlei, e é sempre isso, não tem outra coisa para fazer aqui e mesmo assim a gente gosta muito de sair todo final de semana para isso”, lembrou.
No entanto, Kauan fala do quão ruim é ir à praia e encontrar escombros pelo mar, principalmente os vergalhões ou tijolos. Ele teme que, daqui a um tempo, a praia de Atafona fique completamente imprópria para banho. “A frustração é que ninguém faz nada por isso e a gente tem que ir direto lá para Grussaí [distrito vizinho], tendo aqui uma praia vasta…”, disse, decepcionado. Por isso, para ele, é importante que todos preservem e façam algo pelo distrito, principalmente os jovens.
“Nós, jovens, somos o futuro. Eu acho que se a gente mudar agora, num futuro próximo a gente consegue sim mudar alguma coisa. Também espero que não seja só por aqui, isso tem que ser uma coisa coletiva mundialmente, pq 1% do mundo fazendo uma coisa, é bom, mas não é suficiente. O coletivo é muito importante”, completou.
Antes do andor de Nossa Senhora da Penha chegar aos barcos para o início da procissão fluvial de Atafona, tradição da festa da padroeira, dezenas de fiéis a acompanham pelas ruas do distrito, enquanto rezam e cantam. Com uma blusa escrito “#atafonapedesocorro” nas costas, Patrícia Abud é uma das devotas que seguem Nossa Senhora até os barcos à espera da santa na beira do Rio Paraíba do Sul. Emocionada do início ao fim, Patrícia canta e agradece à padroeira da cidade que frequenta desde criança.
Patrícia é uma das mais de 100 integrantes da associação SOS Atafona, que dialoga com o poder público, organiza manifestações e busca mostrar, para cada vez mais pessoas, o que acontece no distrito. “Cada oportunidade que eu tenho, eu peço: ‘vamos lá ouvir a gente o SOS Atafona, dar voz para gente’. Eu sei que isso causa impacto, a nossa camisa causa impacto, mas não adianta só causar, a gente precisa fazer disso uma voz, para que a gente consiga que nos escutem, que o poder público nos escute”, comentou.
Devota de Nossa Senhora da Penha, Patrícia diz que Nossa Senhora lhe dá força para seguir lutando por Atafona. “Eu acredito muito que tenho uma missão na vida, que é ajudar o outro, e o que eu estou vivendo é essa missão.” Mas essa força espiritual, Patrícia também recebeu quando descobriu um câncer de mama em 2021. Após alguns médicos dizerem que ela não tinha nenhum problema específico, Patrícia mesmo assim não se conformou e, em uma ida a outro profissional, teve o diagnóstico. Hoje, já operada do tumor, ela explica o quanto Nossa Senhora foi importante nesse processo. “Minha médica dizia que era coisa [o câncer] da minha cabeça, porque meus exames recentes não davam nada. E quando eu resolvi ouvir aquela vozinha na minha mente, eu fui procurar e tinha. Eu cheguei ali na igreja e falei: "Nossa Senhora, caminha comigo, eu vou vir aqui sempre na sua festa para agradecer que nunca soltou as minhas mãos", contou, emocionada.
Histórias e memórias é o que não faltam quando as pessoas se referem à Atafona. E com Patrícia não é diferente: ela sonha que seus netos, no futuro, possam também criar muitas memórias no local. “Se eu puder fazer com que eles construam amizades como as que nós temos aqui em Atafona, já valeu tudo. Atafona tem isso. A cada esquina é uma história”. Por isso, ela segue lutando, articulando e torcendo para que algo seja feito no lugar onde criou tantas lembranças e que sonha que seus filhos criem também.
Às 5 e meia da manhã, “Nenéu” aparece ao lado de sua fiel companheira de quatro patas, a Pretinha, para pescar na Praia de Atafona. Com as duas partes de uma prancha quebrada, amarradas uma em cima da outra, o pescador enfrenta as ondas da praia para tentar garantir o seu almoço ou alguma renda para si. Pretinha o observa da areia e espera pacientemente. Na volta, Nenéu retorna com o semblante triste, de quem não conseguiu pescar um mísero peixe.
José Luiz Gonçalves Rosa, conhecido em Atafona como Nenéu, é morador do distrito há 49 anos. Antes de morar na localidade, o pescador residia com a sua família na Ilha da Convivência, onde nasceu em 1974. Com um ano de idade, teve de se mudar para Atafona devido ao avanço do mar na ilha, que fez ele, sua família e outras dezenas de moradores saírem de suas casas.
Em cima das ruínas de sua penúltima casa, que foi derrubada pela defesa civil devido ao risco do avanço do mar, Nenéu aponta para o oceano e diz: “minhas outras casas estão para lá”. Já foram quatro moradias perdidas para o mar. Na última, Nenéu viveu por 15 anos. Emocionado, ele conta que precisa ficar perto do mar, mas não consegue pagar o aluguel de uma casa pela orla. Atualmente, mora em uma antiga kitnet de seu pai em Atafona.
Nenéu então mostra seu barco, instalado em frente às ruínas de sua casa. Comprado em 2020, o pescador investiu o dinheiro que ganhava com a pesca e a confecção de redes e pagou o barco por R$10 mil. No entanto, naquele mesmo ano, a embarcação quebrou enquanto ele pescava em alto mar. Hoje, não tem mais condições para bancar o conserto do barco. Nenéu se emociona ao olhar para a embarcação ali parada, com o sonho de um dia conseguir voltar a pescar com ela.
O vento nordeste sopra forte e é possível ver voando as areias das dunas que ocupam o lugar onde era o quintal de Sônia Ferreira, moradora de Atafona há 27 anos. Ela entra no que resta da área pelas dunas, porque o portão da frente da casa já foi tomado. Enquanto caminha por ali, seu rosto demonstra uma espécie de luto e, ao mesmo tempo, decepção por tudo que vem acontecendo. Uma estátua de Nossa Senhora da Penha, que antes ficava ao lado de algumas plantas no quintal, hoje mora com Dona Sônia na casa da filha, há algumas ruas atrás de onde o mar está.
Nascida em Campos dos Goytacazes, Soninha – como é conhecida no distrito – cresceu aproveitando as férias em Atafona e sempre teve no lugar um refúgio de paz e memórias boas. Em 1978, ela e o marido decidiram construir uma casa de veraneio, onde recebiam toda a família.
Em 2019, o primeiro pedaço da casa de Dona Sônia caiu. Vendo o mar avançar, em 2022 ela decidiu demolir sua casa, antes que a perdesse de vez e inesperadamente. Depois da demolição, Sônia se mudou para a casinha na parte de trás do terreno, onde ficava o caseiro. Até que o mar passou a ameaçar o espaço também e, em outubro de 2023, ela foi morar com a filha, ainda em Atafona.
Quase dois anos depois, as ruínas da casa passaram a ser cada vez mais invadidas por areias, formando dunas no entorno e dentro do que antes era o quintal da casa de Sônia. Algumas de suas coisas ainda estavam na pequena casa de trás, onde viveu até 2023. Para quem vê de fora, pode até ser apenas uma ruína de uma casa. Mas, para ela, continua sendo o lar onde criou seus filhos, reuniu sua família e viveu uma vida.
Soninha conta que, além do mar, a areia também chega com muita força e vai destruindo as coisas. “A areia entra de uma forma muito agressiva, muito forte. Esse vento nordeste que é tão gostoso aqui em Atafona, está muito forte e vem trazendo essa areia. E não tem mais jeito, caiu outro pedaço do muro de anteontem para cá e aí vai. É mais um pedaço, outro pedaço e vai acabando. ” Precisou, então, retirar o quanto antes as suas coisas da casa, principalmente álbuns de fotos e outros objetos de grande valor sentimental.
Mas não foi só pela areia e o mar que a casa de Dona Sônia foi invadida. Com a casinha de trás ainda em pé, e diversos pertences dela ali, a casa passou a ser usada por moradores de rua e usuários de drogas, além de outras pessoas que entraram e roubaram o que ainda restava de móveis e objetos de Sônia. “Eu tinha ali no escritório muitos álbuns, muitas fotos, muitos porta-retratos, muitas coisas. E essas coisas foram jogadas no chão, foram espalhadas, foram pisadas, porta-retratos foram quebrados”, contou.
Em abril de 2025, ela decidiu então, demolir também a casinha de trás e tentar, aos poucos, “virar a página”. Segundo ela, é a fé que a mantém forte para seguir com a vida e continuar lutando pelo distrito.
“Deus e Nossa Senhora precisam e dão muita força para a gente, porque senão a gente não aguenta tanta destruição dos nossos sonhos, dos nossos encontros, da nossa família, dos nossos momentos de alegria. Então eu continuo com as minhas orações para agradecer que estou virando essa página.”, disse.
Deivid Soares nutre um amor pelo mar desde criança e sempre sonhou em ser pescador. Após pressões da mãe, entrou na escola com 8 anos de idade. No primeiro mês de aula, levou falta todos os dias, mesmo sem deixar de ir um dia sequer. Sem entender, perguntou à professora o motivo de seus registros de falta. Foi então que descobriu que seu nome era Deivid, e não Leandro, como sempre foi chamado pela família e por amigos. Em Atafona, é conhecido por todos como o “pescador Leandro que ficou à deriva no mar”.
Era 25 de dezembro de 2024, Leandro sabia que não haveria ninguém pescando na data, mas a vontade de estar no mar era maior. Foi então que, enquanto pescava, caiu no meio da Bacia de Campos. “Eu tentei voltar para o barco, mas ele estava ancorado e tinha um turbilhão de água muito, mas muito forte.” Nadou, nadou e nadou até sua exaustão física, mas não conseguiu chegar ao barco.
Religioso e de muita fé, Leandro conta que a todo momento falava com Deus. “Eu falei assim: ‘Ai, meu Deus, eu não sei aonde que eu vou parar, mas eu entrego minha vida ao Senhor’. Com grande conhecimento do mar, ele sabia que não podia se machucar, se não atrairia os cações, e que se nadasse à favor das águas, chegaria num cinturão de boias da Marinha. Dando o seu máximo para chegar até lá, as águas mudaram o curso.
“Aí veio a experiência de pescador. Eu comecei nadando totalmente para terra, poente. Comecei andando de lado. Nadando para terra, a corrente já era tão grande que me empurrava de lado. Aí eu cheguei perto da boia e subi”, contou.
Já de noite, com muito frio, Leandro sentia as mucosas do nariz queimando, de tanta água salgada que havia entrado. Usava o atrito das mãos para se esquentar. “Eu fiz isso mais algumas vezes na madrugada. Cheguei a pensar que eu ia morrer mesmo de frio. Nem na água eu fiquei tão preocupado. Agora lá eu pensei que ia morrer.”
No dia seguinte, Leandro viu um barco de pesca. Fazia sinal, mas ninguém o via. Depois, mais duas embarcações, e nada. “Chegou uma hora que eu duvidei da minha vida. Eu falei: ‘Será que eu tô vivo mesmo? Será que eu tô vendo eles e eles não tão me vendo’?”. Em Atafona, a esposa de Leandro começou a ficar preocupada pelo não retorno do marido, apesar de saber o quanto ele gostava de ficar no mar. Chamou então uma amiga que trabalhava numa rádio de comunicação para procurar por Leandro.
Duas embarcações foram à procura do pescador. Chegaram ao seu barco, mas não viram nada ali. Leandro estava mais à frente, nas boias. “Pegaram o barco, começaram a rebocar para a terra. E o outro barco veio a favor das águas me procurando. Eu vi ele primeiro do que ele me viu. E gritava: ‘Meu Deus, segue as águas, segue as águas e vai me achar’. Foi então que encontraram o pescador e seguiram para Atafona, onde Leandro foi recebido com muita comemoração.
“Hoje eu venho na igreja e falo: ‘Não tenho nada a pedir, eu só tenho agradecer’”, contou. Sua fé, que já era grande, agora se multiplicou. Leandro faz questão de estar presente em todas as missas. Ele conta que, em geral, os pescadores utilizam-se muito da fé para enfrentar o mar, principalmente com o avanço cada vez maior e o rio perdendo sua força a cada ano.
“Foi uma cena impressionante, parecia um outro World Trade Center.” Foi assim que Aluysio Barbosa se referiu à queda do “Prédio do Julinho”, único edifício que existia em Atafona, em 2008. Ele caminhava com o filho e um amigo pela praia, quando se deparou com o ângulo em que o prédio estava: “era um ângulo maior que a Torre de Pisa”. Foi ali que Aluysio teve a certeza que o prédio iria cair. Ao se afastarem um pouco do local, o edifício inclinado foi puxado por um vergalhão e, conta Aluysio, “ele caiu sobre si mesmo, parece que foi perfeito”. Após a queda, uma nuvem de fumaça e poeira se formou na região. Aluysio segurou nas mãos das crianças e disse “essa poeira vai baixar, não se assustem com o vento e não desgrudem de mim”. No entorno, várias pessoas assistiam a cena e gritavam. “É como se a destruição também tivesse virado um espetáculo em Atafona”, disse ele.
Aluysio Barbosa é jornalista, poeta e amante de Atafona. Nascido em Niterói (RJ), em meados dos anos 70 seus pais se mudaram para Campos dos Goytacazes, quando ele tinha apenas 1 ano. Foi então que todos os verões passaram a ser em Atafona. Até que, não querendo mais ser apenas um veranista, Aluysio decidiu mudar-se para o distrito em 1994 e permaneceu até 2005. Hoje mora em Campos dos Goytacazes, mas continua retornando aos finais de semana e nos verões para o distrito.
A admiração por Atafona é transbordada para os versos de seus poemas, muitos voltados para a vida no distrito. “Atafona é minha grande musa inspiradora”, disse. Aluysio lembra com orgulho de um episódio em que passava pela praia e viu um antigo pescador, que acabara de pegar um robalo. Quando passou por ele, o pescador disse “Aluysio, o poeta de Atafona”. “Esse foi o maior elogio que alguém me fez na vida. Para mim é um título nobiliárquico.”
Dentre diversos poemas, histórias e matérias redigidas, Aluysio lamenta o fato de o avanço do mar está destruindo, aos poucos, um lugar com tamanho apreço dos moradores e frequentadores. “De um ano para o outro você tem mudanças drásticas na geografia física de Atafona. Isso são casos levados, são memórias, são histórias. Aqui não tem esquinas que não tenha uma história, um papo cabeça que você levou, um namoro, um desentendimento”. E completa: “E fisicamente, essas memórias hoje estão submersas pelo mar.”
Jornalista há 30 anos do Grupo Folha, um dos principais veículos de Campos dos Goytacazes, Aluysio também acompanhou o avanço do mar pelas matérias que redigiu ao longo do tempo. Segundo ele, há uma noção de que todo esse processo de destruição em Atafona vem sendo cada vez mais banalizado. “Tanto o poder público municipal, quanto o poder público estadual, quanto união, executivo nas suas três instâncias… Não faltou representante também, parlamentar. Mas nada se reverte em concreto.”
“As pessoas já aceitam como uma coisa inexorável. É só um novo capítulo de uma velha história. Um novo capítulo de uma história muito antiga que se repete sempre”, completou.
“Enquanto existir Atafona, eu estou feliz”, disse Camila Hissa, gerente do Restaurante Ricardinho, um dos mais conhecidos estabelecimentos de Atafona. Moradora do distrito desde que nasceu, Camila deseja permanecer ali até quando não puder mais. Durante sua vida, viu os pais mudarem o restaurante de endereço algumas vezes. Hoje, na administração do atual negócio, Camila reflete sobre as soluções que podem haver para Atafona e torce para que algo seja feito.
Com um filho de 7 anos, Camila pretende continuar o criando em Atafona, para que ele possa também ter boas memórias ao lado da família. Segundo ela, o local tem tudo o que valoriza: ar fresco, paz, amigos, família e sem qualquer discriminação.
“Atafona sempre foi essa coisa meio homogênea, de que todo mundo se mistura e todo mundo é igual. Você vê as vezes o pescador com o desembargador, um médico conversando com pescador e todo mundo é amigo… É um lugar onde as pessoas vem e se sentem à vontade para ser elas mesmas”, contou.
O Restaurante Ricardinho foi inaugurado em 1978 pelos pais de Camila. Localizado no antigo pontal de Atafona, o mar passou a avançar no lugar onde ficava o restaurante e, então, precisaram encontrar outro lugar. No segundo endereço, o negócio não durou uma semana, o mar chegou rápido. Mudaram-se então mais duas vezes e hoje, no quinto endereço, o restaurante já permanece há cerca de 28 anos. “No quarto [endereço], a minha mãe não esperou o mar chegar. Quando ele estava na porta, ela já se mudou e veio para cá. Diferente dos outros locais, que têm histórias de panela sendo carregada, fogão, geladeira, tudo boiando…”, lembrou Camila.
Apesar de não ter vivido todas as mudanças de seus pais, a gerente cresceu ouvindo as histórias e hoje tem noção do quão doloroso é perder um local para o mar, seja uma casa, seja um restaurante. Para ela, toda essa perda não é culpa dos moradores de atafona, e sim resultado de algo muito maior.
“A conversa não é só qual é a solução, porque a solução passa por tudo isso: passa por você mudar o que está sendo feito, repreender quem está fazendo coisa errada… E a gente também tem que cuidar do rio, não é pensar que só o mar está avançando. A gente tem que entender que o rio também está fraco, também está assoreado, então o que a gente precisa fazer? Essa é a pergunta”, disse.
Segundo ela, a sua geração tem mais consciência do que vem acontecendo, diferente da geração de seus pais que mal sabiam do que se tratava e como acontecia. “O que estamos fazendo de verdade para mudar isso? O que to fazendo de diferente? Como posso contribuir? Fico tentando buscar respostas e cada vez mais conhecimento”, completou.