Bom negócio

A Chicago Climate Exchange, bolsa auto-reguladora que vende e compra emissões de gases poluentes, ganhou um novo cliente brasileiro: a companhia de papel e celulose Suzano. A empresa anunciou que tem capacidade de vender 5 milhões de toneladas de CO2 no mercado de créditos de carbono até 2006. Essa cota representa a quantidade de CO2 que é seqüestrada da atmosfera pelas árvores do projeto de reflorestamento da Suzano no Brasil. Empresas compram cotas para compensar a poluição que provocam. Potencialmente, a oferta da Suzano é a maior já apresentada neste tipo de mercado. A Chicago Climate Exchange tem 52 membros. A primeira empresa brasileira a se associar à bolsa foi a Klabin, que também fabrica papel e celulose. →

Por Lorenzo Aldé
15 de outubro de 2004

Marina perdeu

Depois de insistir nos últimos 12 meses que o Brasil não ficaria mais um ano regulando o plantio de transgênicos através de Medida Provisória, o governo rendeu-se à realidade e, em alguma medida, à sua própria incompetência, informa em curta nota O Globo (gratuito, pede cadastro). Foi editada nova MP sobre o assunto. Ela diz o que se pode ou não fazer quanto aos transgênicos enquanto não se consegue fazer que o Congresso aprove alguma lei para dispor sobre o problema. Não há qualquer garantia que tudo estará resolvido até o início do plantio da safra de soja de 2006, que começa em outubro do ano que vem. A decisão foi uma derrota para Marina Silva. Ministra do Meio Ambiente. Era ela a principal porta-voz da promessa de não se reeditar nova MP. →

Por Manoel Francisco Brito
15 de outubro de 2004

Sem fumaça

A Philip Morris, diz reportagem do Valor (só para assinantes), está testando em escala global seu cigarro de baixíssimo risco. Ele não queima. É apenas aquecido, o que inibe a liberação de fumaça e cinzas. Diz a empresa que isso reduz o risco dos fumantes em 50%. Para quem fuma, soa bom demais. Para a Organização Mundial de Saúde, cheira a enganação. →

Por Manoel Francisco Brito
15 de outubro de 2004

Mutantes

O The Washington Post (gratuito, pede cadastro) reporta que apesar de sua aparência cristalina, o braço do rio Potomac que corre ao sul da capital americana esconde um mistério ecológico de imensas consequências: peixes machos estão produzindo ovas. A razão da inversão sexual ainda não é conhecida. Mas a suspeita é que seja produto de poluição provocada por drogas como estrogêneo aplicado em frangos de granja, ou outros hormônios humanos, que chegam ao rio através da rede de esgoto filtrado. O caso do Potomac é o último indício de uma situação apavorante: os esgotos americanos, apesar de estarem preparados para processar a maioria dos dejetos despejados neles, nunca constituíram qualquer tipo de defesa contra drogas ou hormônios, cuja presença na água vem sendo detectada de maneira cada vez mais alarmante. →

Por Manoel Francisco Brito
15 de outubro de 2004

Madeira queimada

Anúncios de TV no estado do Oregon, o maior produtor de madeira dos Estados Unidos, alertam para a possibilidade que as crianças de hoje talvez não vejam nem uma árvore no futuro, porque elas correm todas o risco de ser lambidas por incêndios em florestas. O curioso é que eles são pagos por madeireiras, para pressionar a regulamentação de proposta do governo Bush sobre a remoção de madeira queimada em incêndios inclusive em áreas de parques nacionais. O governo diz que é uma maneira de evitar novos incêndios, conta o The Washington Post (gratuito, pede cadastro). Os ambientalistas, apoiados pelo candidato democrata John Kerry, afirmam que isto vai ter impacto no processo de regenaração de florestas que sofreram a ação do fogo em larga escala. →

Por Manoel Francisco Brito
15 de outubro de 2004

Devastação nos sapos

Recente pesquisa sobre a situação de anfíbios ao redor do mundo – para os leigos, leia-se sapos e rãs – diz que um terço deles estão ameaçados de extinção. Foi encomendada pela Science e, segundo o Guardian, envolveu 500 cientistas de 60 países. O levantamento durou 3 anos. →

Por Manoel Francisco Brito
15 de outubro de 2004

Anti-mosquito

O The New York Times (gratuito, pede cadastro) diz que pela primeira vez, um teste de vacina contra malária em Moçambique produziu resultados promissores. Conseguiu deixar imunes 30% das crianças inoculadas e entre as que pegaram a doença, impediu que em 58% delas o vírus evoluísse a ponto de ameaçá-las de morte. A Malária mata 1 milhão de pessoas por ano. Por essa razão, ainda que longe de poder ser considerada perfeita, a nova vacina não deixa de ser um avanço importante na luta contra a doença. →

Por Manoel Francisco Brito
15 de outubro de 2004

Tem MP na agulha

O lobby da soja transgênica está acelerando para passar ainda esta semana por cima da ministra Marina Silva. Ela entrou a noite de quinta-feira discutindo com o presidente Lula a edição da nova medida provisória, que liberará o fato consumado, legalizando a comercialização da próxima safra, plantada sem licença nem controle do governo. Mas antes mesmo que a ministra do Meio Ambiente saísse da conversa, o ministro da Agricultura Roberto Rodrigues já dizia a jornalistas em Brasília que desta semana a resistência não passa. As pressões contra a soja transgênica cresceram tanto nos últimos dias que Lula achou melhor tomar logo a decisão. A favor da soja, naturalmente. →

Por Marcos Sá Corrêa
14 de outubro de 2004

Desfazendo a barbeiragem

O governo do Rio Grande do Sul foi convidado a se explicar sobre um decreto assinado no dia 28 de setembro, que faz o Parque Estadual do Delta do Jacuí virar Área de Proteção Ambiental (APA). Isso significaria um rebaixamento da área, já que os Parques merecem proteção integral e as APAs aceitam as mais diversas intervenções humanas. Acontece que só é permitido desfazer unidades de conservação alterando-se a lei, nunca por decreto (art. 225 da Constituição). Entidades ambientalistas convocaram uma audiência pública com as partes envolvidas para o dia 25 de outubro. Como o decreto é flagrantemente inconstitucional, a tendência é moverem uma ação civil pública contra o executivo estadual. →

Por Redação ((o))eco
14 de outubro de 2004

Derrota japonesa

O Japão saiu de cabeça baixa da 13a Conferência da CITES, que regulamenta o comércio internacional de fauna e flora silvestres ameaçadas de extinção. O encontro terminou esta semana em Bangkok, na Tailândia, e priorizou a defesa das espécies marinhas. Mais uma vez foi dado total apoio à moratória da caça às baleias. O lobby japonês fracassou e continuou proibida a comercialização internacional de produtos derivados deste cetáceo. Também foram criadas maiores restrições à pesca do tubarão branco e do peixe-Napoleão. As duas espécies estão ameaçadas de extinção e têm grande valor comercial na Ásia. O Brasil participou da reunião e foi um dos maiores defensores das novas restrições. Representante da delegação e colunista do O Eco, José Truda Palazzo Jr vibrou com a derrota japonesa. Na foto, ele aparece ao lado do ministro do Meio Ambiente da Tailândia. →

Por Redação ((o))eco
14 de outubro de 2004

Pontos Fracos

Cientistas alertaram esta semana que as mudanças climáticas estão acontecendo em um ritmo muito mais rápido do que o esperado. Talvez não tenhamos tempos para esfriar esse processo e os primeiros efeitos podem ser assustadores. A previsão é que comece a chover no deserto do Saara e a areia dê lugar ao verde. Em compensação, a Amazônia deve enfrentar longos períodos de seca. O Guardian (gratuito) traz uma matéria sobre esse quadro pouco animador. →

Por Carolina Elia
14 de outubro de 2004

Polêmica

A jornalista Miriam Leitão entrevistou dois especialistas em soja transgênica e dedica a sua coluna de hoje, no Globo (gratuito), ao tema. O presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul, Carlos Speroto, confessou que o estado começou a plantar soja transgênica este ano mesmo sem a lei de biossegurança ter sido aprovada e disse que foi incentivado pelo próprio Ministério da Agricultura. →

Por Carolina Elia
14 de outubro de 2004