Colunas

Conservação no Pantanal

Combinar, em equilíbrio e harmonia, conservação, ecoturismo e pesquisa não é fácil. Mas vale à pena. É o que acontece na fazenda Rio Negro, no Pantanal.

12 de junho de 2005 · 21 anos atrás
  • Sérgio Abranches

    Mestre em Sociologia pela UnB e PhD em Ciência Política pela Universidade de Cornell

Pita o piloto do Cesna que nos leva de Aquidauana à Fazenda Rio Negro, no Pantanal do Mato Grosso do Sul, vai apontando os principais pontos de interesse – o rio Aquidauana, a serra de Maracaju, o Rio Negro – e os pontos de desmatamento e destruição. A precisão com que vai mostrando o que é bom e o que é ruim no Pantanal, revela não apenas sua experiência – são trinta anos pilotando na região – mas um tipo de preocupação e engajamento, que fui encontrando por toda parte que passei e com todas as pessoas com quem conversei.

O Pantanal é sempre imperdível, pela beleza da luz de seus crepúsculos e profusão de suas espécies. Descer o rio Negro remando uma canoa canadense, em silêncio, deixando apenas falar as aves é uma experiência arrebatadora. Lico estava sempre pronto a negociar a entrada de baías já quase separadas do rio por bancos de areia. Por vezes, bem no meio, o rio ficava tão raso que era preciso parar o motor da chata e encontrar uma parte onde a lâmina d’água ainda permitisse passar. Outras vezes, embora não fossem imediatamente visíveis, havia tocos na areia no leito do rio minguante. Lico acelerava, desacelerava o barco com maestria. “É preciso aprender a ler o rio”. Estou convencido de que é preciso mais que isto. É preciso aprender a ler a natureza toda, ouvir dela os gritos e sussurros, deixar que ela nos vá mostrando um jeito de curar suas feridas e, da mesma forma, que nos vá revelando suas belezas e sua lógica. Guimarães Rosa encontrou grandes pensadores entre os sertanejos que percorriam o cerrado quase virgem de suas grandes veredas. Gente de frases curtas e sabedoria profunda. Conheço essa luz íntima do sertão que acende as inteligências. Encontrei amostras parecidas no meio pantaneiro. Gente de olhos sinceros, que sabem ler suas terras, ou suas águas.

Leia também

Externo
8 de janeiro de 2026

Minerais e tensões com EUA: o futuro da relação China-América Latina

Commodities ainda lideram relação comercial, mas atuação chinesa na região entra em nova fase, com menos crédito e mais atrito com Washington

Análises
8 de janeiro de 2026

O que esperar da visitação a parques nacionais brasileiros em 2026

Como o aumento no número de servidores ambientais, os valores cobrados em parques americanos e as taxas de preservação podem impactar a visitação de parques brasileiros

Notícias
8 de janeiro de 2026

Trump retira EUA de instâncias internacionais sobre clima e biodiversidade

País que já estava fora do Acordo de Paris classificou como “contrárias aos interesses dos EUA” acordos e organizações-chave da governança climática, ambiental e de direitos humanos

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.