No último dia 5 de janeiro Yara Valverde tomou posse como a nova presidente do Instituto Estadual de Florestas do Rio de Janeiro (IEF). A cerimônia de posse, realizada no Parque Estadual da Chacrinha, em Copacabana, foi concorrida. Contou com a presença do Secretário Estadual de Meio Ambiente Carlos Minc e com os ex-presidentes do próprio IEF André Ilha, Maurício Lobo e Axel Grael, este último recém nomeado para o comando da Feema.
Os discursos foram auspiciosos. Maurício Lobo fez um balanço de sua gestão, na qual sobressaiu o investimento em equipamentos, e Minc demonstrou maturidade política ao atacar maniqueísmos e afirmar que não pretende começar do zero mas dar continuidade a muitas iniciativas que já estão em curso. Por fim, Yara manisfestou sua intenção de administrar junto com a população e de buscar o entendimento com outras esferas de governo, de modo a ter uma gestão que pense ecossistemas e cujas políticas extrapolem os limites das áreas protegidas estaduais. Yara pretende manejar os Parques em mosaicos. Pode parecer arrojado, mas de um ponto de vista ambiental faz sentido e sua excelente gestão da APA de Petrópolis, que chefiava até assumir o IEF, nos permite ser otimistas com relação aos resultados.
Tão interessante e animador quanto os discursos, contudo, foram as conversas paralelas entre os diversos convidados. Interessou-me sobretudo a roda formada pelo representante do fundo alemão para meio ambiente-KFW- Carlos Bernardo Bomtempo, pelo Diretor do Parque Estadual dos Três Picos, Flávio Luiz, e por André Ilha. Discutiam a necessidade imperiosa de se criar a função de guarda-parque para cuidar das unidades de conservação estaduais Fluminenses. Realmente trata-se de assunto urgente. Hoje a função não existe e suas atribuições estão sendo (mal) desempenhadas por fiscais. Nesse sentido, confundir fiscal com guarda-parque tem sido um problema na gestão de unidades de conservação não apenas do estado, mas também daquelas que se encontram sob a égide do IBAMA.
Guarda-parque pode e deve carregar talonário de multas, mas sua função precisa ir muito além disso. Um bom guarda-parque deve fazer manutenção de trilhas, atendimento ao visitante, educação ambiental, prevenção e combate a incêndios florestais e reflorestamento. Mas, sobretudo, deve ser um sujeito bom de mato; daqueles que gosta de fazer longas trilhas, embrenhar-se na floresta, lanhar-se e, até mesmo, perder-se e reencontrar-se. Precisa apreciar dormir ao ar livre e não temer pegar uma chuvarada no lombo. A essência de seu trabalho é caminhar, caminhar e caminhar. Precisa conhecer o parque que guarda como a palmilha de seus pés. Só assim saberá onde a onça bebe água, o rio faz a curva e judas perdeu as botas. Sem essas informações não saberá prevenir a ação de caçadores e palmiteiros ilegais- e não nos iludamos- os há nos parques Fluminenses às mancheias.
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