Colunas

Os tímidos lobos-guará da Serra da Canastra

Se as pessoas pudessem entender o quão inofensivo é o guará, a chance de sobrevivência desse magnífico e ameaçado animal cresceria.

24 de junho de 2013 · 13 anos atrás
  • Adriano Gambarini

    Fotógrafo profissional desde 1991. Vencedor do Prêmio Comunique-se, é geólogo de formação, com especialização em história natural e espeleologia, autor de 20 livros e diretor de dezenas de documentários.

A estrela desta série: o lobo-guará. Serra da Canastra, MG. Fotos: Adriano Gambarini
A estrela desta série: o lobo-guará. Serra da Canastra, MG. Fotos: Adriano Gambarini

Não é de hoje meu envolvimento com lobos-guará. Meu primeiro contato profissional com estes fantásticos bichos foi em 1998, quando conheci o pesquisador Rogerio Cunha de Paula, na Serra da Canastra, em Minas Gerais. Na época estava produzindo um livro em parceria com ele e o Instituto Pró-Carnívoros, e durante vários dias ficamos à espreita destes tímidos animais caminhando pelo cerrado mineiro. De lá pra cá meu fascínio pela espécie só aumentou, assim como o conhecimento e experiência deste biólogo que há 15 anos dedica sua vida ao lobo-guará, não apenas ao estudo comportamental e dados ecológicos, mas todo um trabalho de educação ambiental, planos de ação para conservação em âmbito nacional, parceria com institutos de pesquisa nacionais e internacionais, genética e toda uma gama de informações essenciais para um eficaz programa de conservação da espécie e seu hábitat.

Há cerca de uma semana estou documentando uma nova campanha de captura de lobos-guará na Serra da Canastra, Nos próximos dias pretendo compartilhar um pouco do conhecimento e experiência do Rogerio e sua equipe sobre este animal tão fascinante e mostrar os mais modernos recursos e estratégias que estão sendo adotados para melhorar sua conservação.

Clique nas imagens para ampliar e ler as legendas

Assim como “lobo mau” só existe em contos de carochinha, a maioria das “áreas protegidas” no Cerrado só existe no papel, salvo exceções como o Parque Nacional da Serra da Canastra e Parque Nacional das Emas, em Goiás. Aqui na Canastra, o Parque exerce há 40 anos a primordial função de dar todas as condições para que a espécie se mantenha em condições naturais. Mas um animal não conhece as fronteiras definidas pelo homem, vive pela sobrevivência e busca alimento onde existe. Assim, não tarda para que o lobo caminhe por fazendas vizinhas ao Parque, e é justamente nestas áreas privadas onde a equipe do projeto tem dispensado maior esforço. A proposta é minimizar os conflitos existentes entre o lobo e o homem, mostrar que é possível uma convivência pacífica. Afinal, lobo-guará é um animal solitário, não oferece perigo algum, é tímido e come diversas frutas típicas do cerrado. Ou seja, comer vovozinha ou chapeuzinho vermelho, só no mundo lúdico das crianças.

Convido-lhes a nos acompanhar diariamente aqui no ((o))eco, a conhecer um pouco sobre este animal tão misterioso e solitário. A entender que é possível sim, conviver bem com eles e com toda fauna silvestre brasileira. É fundamental e mais, emergencial este aprendizado. Pelo bem das espécies e nós mesmos.

 

 

Leia também

Análises
15 de janeiro de 2026

Autogestão comunitária como princípio de Justiça Ambiental

Livres consultas recíprocas estabeleceram benefícios econômicos para todos, que assumem práticas ambientalmente corretas sem sacrificar individualidade alguma

Externo
15 de janeiro de 2026

Por que forçar as pessoas a adotar práticas ecológicas pode sair pela culatra

Um novo estudo revela um dilema para a política climática: as pessoas não gostam quando dizem a elas o que fazer

Por Tik Root
Notícias
15 de janeiro de 2026

Saúde na Amazônia precisa ser redesenhada diante da crise climática, defendem pesquisadores

SUS na Amazônia precisa se adaptar às mudanças climáticas, incorporando saberes tradicionais, indicadores locais e estratégias de cuidado ajustadas ao território, apoiam

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.