Colunas

Os tímidos lobos-guará da Serra da Canastra

Se as pessoas pudessem entender o quão inofensivo é o guará, a chance de sobrevivência desse magnífico e ameaçado animal cresceria.

24 de junho de 2013 · 9 anos atrás
  • Adriano Gambarini

    É geólogo de formação, com especialização em Espeleologia. É fotografo profissional desde 92 e autor de 14 livros fotográfico...

A estrela desta série: o lobo-guará. Serra da Canastra, MG. Fotos: Adriano Gambarini
A estrela desta série: o lobo-guará. Serra da Canastra, MG. Fotos: Adriano Gambarini

Não é de hoje meu envolvimento com lobos-guará. Meu primeiro contato profissional com estes fantásticos bichos foi em 1998, quando conheci o pesquisador Rogerio Cunha de Paula, na Serra da Canastra, em Minas Gerais. Na época estava produzindo um livro em parceria com ele e o Instituto Pró-Carnívoros, e durante vários dias ficamos à espreita destes tímidos animais caminhando pelo cerrado mineiro. De lá pra cá meu fascínio pela espécie só aumentou, assim como o conhecimento e experiência deste biólogo que há 15 anos dedica sua vida ao lobo-guará, não apenas ao estudo comportamental e dados ecológicos, mas todo um trabalho de educação ambiental, planos de ação para conservação em âmbito nacional, parceria com institutos de pesquisa nacionais e internacionais, genética e toda uma gama de informações essenciais para um eficaz programa de conservação da espécie e seu hábitat.

Há cerca de uma semana estou documentando uma nova campanha de captura de lobos-guará na Serra da Canastra, Nos próximos dias pretendo compartilhar um pouco do conhecimento e experiência do Rogerio e sua equipe sobre este animal tão fascinante e mostrar os mais modernos recursos e estratégias que estão sendo adotados para melhorar sua conservação.

Clique nas imagens para ampliar e ler as legendas

Assim como “lobo mau” só existe em contos de carochinha, a maioria das “áreas protegidas” no Cerrado só existe no papel, salvo exceções como o Parque Nacional da Serra da Canastra e Parque Nacional das Emas, em Goiás. Aqui na Canastra, o Parque exerce há 40 anos a primordial função de dar todas as condições para que a espécie se mantenha em condições naturais. Mas um animal não conhece as fronteiras definidas pelo homem, vive pela sobrevivência e busca alimento onde existe. Assim, não tarda para que o lobo caminhe por fazendas vizinhas ao Parque, e é justamente nestas áreas privadas onde a equipe do projeto tem dispensado maior esforço. A proposta é minimizar os conflitos existentes entre o lobo e o homem, mostrar que é possível uma convivência pacífica. Afinal, lobo-guará é um animal solitário, não oferece perigo algum, é tímido e come diversas frutas típicas do cerrado. Ou seja, comer vovozinha ou chapeuzinho vermelho, só no mundo lúdico das crianças.

Convido-lhes a nos acompanhar diariamente aqui no ((o))eco, a conhecer um pouco sobre este animal tão misterioso e solitário. A entender que é possível sim, conviver bem com eles e com toda fauna silvestre brasileira. É fundamental e mais, emergencial este aprendizado. Pelo bem das espécies e nós mesmos.

 

 

Leia também

Reportagens
19 de maio de 2022

Pesquisa questiona ocorrência de Mata Atlântica no Piauí

O estudo caracterizou flora e vegetação de florestas estacionais em municípios na área de abrangência da Lei da Mata Atlântica no Piauí e concluiu que não há espécies botânicas exclusivas do Bioma

Notícias
19 de maio de 2022

Em meio à ameaça da mineração, projeto prevê criação de parque na Serra do Curral

O projeto de lei nº 1.125/22 foi apresentado às comissões da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (17) pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) para garantir a proteção da serra mineira

Reportagens
18 de maio de 2022

Ocupação indígena no Parque Estadual Cunhambebe quer retomar posse do território

Indígenas estão acampados desde quinta (12) ao lado da sede do parque fluminense, em mobilização pela retomada do seu território ancestral

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Comentários 4

  1. Eu espero que os indígenas sejam assentados em terras degradadas do entorno, onde eles podem produzir suas roças à vontade. Infelizmente vimos muitas vezes o resultado da entrada de indígenas nas unidades de conservação do sul da Bahia e norte do Rio Grade do Sul, para no falar do litoral de São Paulo e Paraná. A extinção local dos animais de maior porte se segue rapidamente, assim como a venda de madeira. As unidades de conservação não são palco para solucionar os nosso grave problemas sociais.


    1. Leandro Travassos diz:

      Falou e disse! Com a diplomacia e o respeito que o tema merece. Parabéns à Duda pela matéria e ao Everton pelo lúcido comentário. Muito bom!


  2. Israel Gomes da Silva diz:

    Se não tem apoio de partido político, quem está bancando a picanha e a bebida que a liderança está comendo todos os dias no Sahy Vilage Shopping, sendo solicitado apenas Notinhas da comida? Todos os dias um grupo de indígenas vão à praia e aí Shopping, mesmo no frio.


  3. Salvador Sá diz:

    Parabens ao Duda pela materia, me permite concluir que estamos diante de uma nova e muito grave ameaça ao q sobrou, grave pq faz uso de uma causa nobre, mas cheia de equivocos e que está enganando muita gente e não só os próprios índios. A materia fura o cerco de silencio feito pelo ambientalismo seletivo e chapa branca midiatico.