Novo, só no discurso. O El Niño é um fenômeno climático natural que altera a temperatura das águas do Oceano Pacífico e influencia os padrões climáticos em diversas partes do mundo. Ele ocorre há milhares de anos e está longe de ser um desconhecido.
As variações naturais na interação entre oceanos e atmosfera modificam a circulação do ar e a distribuição de calor e umidade pelo planeta, provocando mudanças no clima de diferentes regiões. O problema, portanto, não é a existência do El Niño, mas a forma como nossas cidades se preparam – ou deixam de se preparar – para seus impactos.
Enquanto isso, a situação das cidades só piora. Chuvas intensas, enchentes, deslizamentos e ondas de calor fazem parte de uma realidade que afeta cada vez mais pessoas. A quinta edição do Mapa da Desigualdade 2026, lançado recentemente pela Casa Fluminense, aponta que entre 2024 e 2025, 1,49 milhão de pessoas foram afetadas pelas chuvas na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. São vidas vulneráveis a estes impactos, em cidades que falham em garantir a segurança e a proteção de sua população.
Diante desse cenário, fica a pergunta: agora, a responsabilidade é toda do El Niño? É mais fácil apontar um fenômeno climático como responsável por tudo do que encarar problemas que já existiam muito antes dele. Afinal, quando faltam planejamento, prevenção e ações para proteger quem vive nos territórios mais vulneráveis, qualquer chuva forte pode se transformar em uma tragédia.
O El Niño não é novidade e continuará acontecendo. Esse fenômeno natural faz parte da dinâmica do planeta e influencia o clima em diferentes regiões do mundo. O que muda é a forma como seus efeitos atingem cada lugar, podendo agravar situações que já eram preocupantes. Isso significa que problemas antigos podem se tornar ainda maiores, colocando mais pessoas em risco. Por isso, não basta esperar que o El Niño passe ou usar sua chegada como justificativa para todos os estragos. É preciso que as governanças locais assumam suas responsabilidades, se antecipem aos riscos, criem planos de emergência e coloquem em prática ações que protejam a população antes, durante e depois dos desastres.
Ninguém sabe exatamente quando os efeitos de um episódio de El Niño deixarão de ser sentidos, mas não precisamos esperar por essa resposta para agir. As cidades precisam estar preparadas para enfrentar as chuvas, os alagamentos e os deslizamentos que já fazem parte da realidade de milhares de pessoas. O El Niño pode até ser natural, mas os estragos causados pela falta de planejamento e de governança não podem ser.
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