A possibilidade de um El Niño mais intenso reforça a necessidade de preparar a agropecuária brasileira para eventos climáticos extremos, segundo a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura. Chuvas fortes e concentradas em períodos curtos no Sul e Sudeste e episódios de escassez hídrica no Norte e Nordeste podem comprometer safras, reduzir a renda dos produtores e afetar emprego, crédito, seguros, logística e preços dos alimentos.
Para Rodrigo Castro, membro do Conselho Estratégico da Coalizão e diretor de País da Fundação Solidaridad, o setor precisa deixar de concentrar esforços apenas na resposta aos prejuízos e ampliar medidas de adaptação. “Nenhum segmento da sociedade encarou o problema com a gravidade que ele pede. Precisamos de soluções de médio e longo prazos, porque a temperatura vai continuar subindo e os eventos extremos tendem a se intensificar”, afirma.
A entidade defende a integração entre crédito rural, assistência técnica, informações climáticas e seguro como forma de ampliar a capacidade de resposta dos produtores. Segundo Castro, os efeitos de uma quebra de safra ultrapassam as propriedades rurais e podem atingir toda a cadeia do agronegócio. “Quando um fenômeno climático extremo como o El Niño ocorre, ele atinge toda essa cadeia, aumentando custos e preços e reduzindo a riqueza, o que também impacta a geração e a manutenção de empregos no campo. Essa é uma situação crítica para a economia”, analisa.
O desafio, de acordo com a Coalizão, é levar estratégias de adaptação principalmente a pequenos e médios produtores. A organização aponta que sistemas diversificados, como agroflorestas, integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e práticas de manejo regenerativo do solo, podem contribuir para aumentar a resiliência das lavouras e reduzir a exposição a eventos climáticos extremos.
O alerta ocorre em meio a projeções de impactos crescentes da mudança do clima sobre a produção de alimentos. Relatório recente do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) aponta possibilidade de redução de até 14% na produção global de alimentos até 2050.
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