Em 2025, os parques nacionais brasileiros registraram 13.588.589 visitas, o maior número da história. Um crescimento de 8,3% sobre o recorde anterior, em uma série que não para de subir. Mas 2025 traz uma novidade que passou quase despercebida nos números agregados: a concentração da visitação nos cinco parques mais visitados caiu para o menor patamar já registrado.
Desde que o ICMBio começou a sistematizar os dados de visitação, em meados dos anos 2000, a curva é quase ininterruptamente ascendente, com a única grande ruptura causada pela pandemia de Covid-19, em 2020. O que 2025 revela é que a recuperação não apenas está completa como inaugurou um novo patamar.

A concentração que vem caindo, ainda que lentamente
Em 2015, os cinco parques nacionais mais visitados concentravam 82,2% de toda a visitação. Em 2025, esse índice chegou a 73,8% – o menor da série histórica disponível. A queda de quase 9 pontos percentuais em dez anos reflete o aumento do número de parques que passaram a monitorar visitantes e a consolidação de destinos antes menos expressivos.
A concentração nos dez primeiros é mais resistente. Em 2015, os top 10 somavam 90,8% das visitas; em 2025, os dez mais visitados acumularam 87,0% do total de visitas. Uma redução menor, de pouco menos de 4 pontos percentuais no mesmo período. Em outras palavras: a desconcentração acontece sobretudo entre os parques que estão na faixa do 6º ao 10º lugar e em menor escala além disso.

O que mudou no ranking dos dez mais visitados
Em 2025, o ranking dos dez parques mais visitados teve três mudanças em relação a 2024 – duas entradas e duas saídas. Saíram do top 10 o Parque Nacional do Itatiaia (9º em 2024, agora 13º, com redução de 20,4%) e o Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal (10º em 2024, agora em 17º com queda de 46%).
📈 Quem subiu
Os Lençóis Maranhenses cresceram 48,7% e passaram da 6ª para a 5ª posição. A Restinga de Jurubatiba teve o maior crescimento percentual entre os parques já no top 10 em 2024: +67,4%, saltando para 335 mil visitas e se consolidando em 7º. Logo atrás está a Serra dos Órgãos, cuja visitação cresceu 37,8% em 2025, chegando a 330 mil visitas.
🌿Campos Gerais: o dobro em um ano
Entre os parques fora do top 10, o destaque foi o Parque Nacional dos Campos Gerais, no Paraná, que dobrou sua visitação: de 77 mil para 155 mil visitas (+100%).
Os gestores indicam que as variações ocorreram por conta do aumento no número de atrativos, melhorias na estrutura de visitação e incorporação de novos pontos para controle de acesso.
📉 Quem caiu
Jericoacoara é o único parque entre os dez mais visitados que registrou queda em 2025: −10,6%, somando 1,38 milhão de visitas. É o terceiro ano consecutivo de oscilação sem crescimento líquido.
Gestores apontam que alguns Parques tiveram ajustes na metodologia de contagem, cujos dados antes combinavam estimativas e contagem propriamente dita.

A Tijuca e seus setores: um parque ou quatro?
O Parque Nacional da Tijuca mantém uma posição singular no sistema brasileiro. Com 4,9 milhões de visitas em 2025, é o parque mais visitado por uma margem enorme. O segundo colocado, o Iguaçu, recebeu 2,2 milhões. Se os principais atrativos da Tijuca fossem parques diferentes, ocupariam quatro das dez posições entre os mais visitados do Brasil.
O Morro do Corcovado concentra sozinho cerca de 53% das visitas do parque, algo em torno de 2,6 milhões de pessoas em 2025 e mais que o Parque Nacional do Iguaçu inteiro. Outro setor, o Parque Lage, equivale ao 5º mais visitado do país.

Cinco parques passaram a reportar e quatro deixaram de reportar
Em 2025, cinco parques nacionais passaram a registrar visitas oficialmente: Serra do Gandarela (MG, 34.728 visitas), Chapada das Mesas (MA, 6.650), Serra do Teixeira (PB, 2.259, criado em 2023), Cabo Orange (AP, 1.581) e Serra das Lontras (BA, 60).
Por outro lado, quatro parques que em 2024 haviam registrado suas primeiras visitas deixaram de reportar em 2025: Pacaás Novos (RO), Acari (AM), Campos Amazônicos (AM) e Nascentes do Lago Jari (AM).
Em 2024, cada um deles havia registrado exatamente duas visitas: as nossas, durante a expedição Entreparques. A ausência de dados em 2025 não significa necessariamente que não houve visitantes, mas que o sistema de monitoramento pode ainda não estar ativo nesses parques.
Por bioma: visitação por parque como índice de distribuição
O número total de visitas por bioma diz muito, mas o índice de visitas por parque revela se o crescimento (ou a estagnação) é sistêmico ou concentrado em poucos destinos.
A Mata Atlântica mantém a maior média de visitas por parque: 411 mil em 2025, com 23 dos 25 parques reportando dados. O Cerrado teve a maior alta relativa na média de visitas por parque: de 91 mil para 114 mil (+25%). A Amazônia permanece com uma média de 6 mil visitas por parque em 2025, 68 vezes menos que a Mata Atlântica.

O Brasil num contexto global
Os 13,6 milhões de visitas a parques nacionais brasileiros em 2025 representam um marco histórico, mas a comparação com os EUA ajuda a dimensionar tanto o que já foi conquistado quanto o que ainda está por vir. Considerando apenas as 63 unidades designadas como “National Parks“, o equivalente mais próximo dos nossos Parques Nacionais, os EUA receberam 94,3 milhões de visitas em 2024 e 93,9 milhões em 2025. São sete vezes mais visitas a parques nacionais dos EUA que do Brasil para uma população 65% maior que a nossa.
O dado mais revelador é a velocidade de crescimento. Desde 2015, os 63 National Parks americanos cresceram 12% em visitação, enquanto os parques nacionais brasileiros cresceram 90% no mesmo período.

No ritmo atual, o Brasil dobrará sua visitação antes de 2035 e chegará a um patamar em que a gestão da demanda se tornará tão importante quanto a promoção da visitação.
*Agradecimentos à Coordenação de Estruturação da Visitação (COEST) e à Coordenação Geral de Uso Público (CGEUP) do Instituto Chico Mendes (ICMBio) pela organização dos números em painéis dinâmicos. Agradecimentos aos gestores dos parques mencionados pelos esclarecimentos. A todos os servidores ambientais e agentes temporários que trabalharam e/ou trabalham direta ou indiretamente na gestão do uso público em cada uma das Unidades de Conservação brasileiras.
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