Dicionário Ambiental

Entendendo a Mata Atlântica

Em homenagem ao Dia da Mata Atlântica (27/05), ((o))eco apresenta as características do bioma mais ameaçado do país em mais um guia.

27 de maio de 2013 · 9 anos atrás

Cada um dos biomas brasileiros tem o seu “mais”: a Amazônia é o mais extenso, o Cerrado é o mais severo; a Caatinga, o mais exclusivo; o Pampa, o mais esquecido. A Mata Atlântica acumula “mais”, já que é o mais populoso, o mais povoado, o mais explorado e, em consequência disso, o mais ameaçado. Após 500 anos de ocupação, a Mata Atlântica passou por mudanças drásticas – mais profundas no século XX – que reduziram sua cobertura a menos de 10% do original.

O bioma se estendia por aproximadamente 1.300.000 km², cobrindo 17 estados do território brasileiro (Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe). Hoje, restam apenas 102.012 km² (cerca de 7,3%), faixas de vegetação ao longo da Serra do Mar.

Esta transformação é resultado de um processo de exploração histórico. Começou em 1500, com a chegada dos portugueses ao Brasil, cujo interesse primordial era a exploração do pau-brasil. O desmatamento prosseguiria durante os ciclos da cana-de-açúcar, do ouro, da produção de carvão vegetal, da extração de madeira, da plantação de cafezais e pastagens, da produção de papel e celulose, do estabelecimento de assentamentos de colonos, da construção de rodovias e barragens, e da intensa urbanização, com o surgimento das grandes capitais do país, como São Paulo e Rio de Janeiro.

Segundo dados do MMA, 849 espécies de aves, 370 espécies de anfíbios, 200 espécies de répteis, 270 de mamíferos e cerca de 350 espécies de peixes habitam este bioma, que considerado como a quinta área mais rica em espécies endêmicas do mundo. Não é incomum a descoberta de novas espécies: recentemente, foram descobertas a rã-de-alcatráses, a rã-cachoeira, os pássaros tapaculo-ferrerinho e bicudinho-do-brejo, os peixes Listrura boticario e o Moenkhausia bonita, e o mico-leão-de-cara-preta. Além de ser uma das regiões mais ricas do mundo em biodiversidade, abriga aproximadamente 120 milhões de brasileiros em seus domínios.

Estima-se, ainda, que existem cerca de 20.000 espécies vegetais (cerca de 35% das espécies existentes no Brasil) espalhadas pelas diversas formações florestais tropicais que formam a Mata Atlântica (Ombrófila Densa, Ombrófila Mista, Estacional Semidecidual, Estacional Decidual e Ombrófila Aberta) e ecossistemas associados como as restingas, manguezais e campos de altitude.

Além disso, a área de domínio da Mata Atlântica compreende oito bacias hidrográficas, responsáveis pelo abastecimento de 70% da população brasileira. Lá estão os rios Paraná, Uruguai, São Francisco, Parnaíba, as bacias do Atlântico Sudeste, Atlântica Sul, Atlântico Leste, Atlântico Nordeste Oriental, e o Aqüífero Guarani.

O alto grau de degradação do bioma é reflexo do fato de que compreende parcela significativa da população nacional. Apesar dos esforços de proteção, a perda e fragmentação dos habitats, caça e extração predatória de produtos florestais, conversão de áreas de floresta em campos cultivados e a urbanização não diminuíram.

Apesar dos esforços de conservação, como a criação de corredores ecológicos (corredores que unem os principais fragmentos de floresta, possibilitando o fluxo gênico e evitando o isolamento das populações da fauna e flora), a maior parte dos remanescentes de vegetação nativa ainda permanece sem proteção e a falta de infraestrutura na manutenção das unidades ainda é um problema.

Assim, fazem-se necessários além da ampliação de investimentos, a adoção de novas estratégias para a conservação da biodiversidade, tais como a promoção da recuperação de áreas degradadas e do uso sustentável da vegetação nativa.

 

Leia também

Notícias
3 de outubro de 2022

Conheça as propostas para o meio ambiente do governador reeleito no Rio

Claudio Castro (PL) abordou timidamente o meio ambiente em seu plano de governo e afirma ter despoluído a Baía de Guanabara

Reportagens
3 de outubro de 2022

“As mudanças climáticas já estão causando desastres”, alerta Marengo aos candidatos das eleições de 2022

Ao ((o))eco, o coordenador do Cemaden fala da importância da educação e das políticas públicas para mitigarmos as mudanças climáticas

Reportagens
3 de outubro de 2022

Pesquisa mapeia impactos do turismo para fauna em parque nacional

Ao longo de sete anos, os pesquisadores monitoraram como mamíferos responderam ao movimento de turistas em trilhas no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Comentários 1

  1. Fernando Tatagiba diz:

    Muito bacana a matéria! Alguns destaques que considero bem relevantes nas conclusões dos pesquisadores, à luz da gestão das unidades de conservação:
    “… a maioria das espécies não foi afetada negativamente pelo turismo e mesmo que tenhamos observado algumas alterações, elas são restritas apenas a área do parque que está aberta à visitação”. De fato, a área destinada ao fluxo de visitantes representa a esmagadora minoria na área total das UC. Assim, como ressaltam os pesquisadores, “quaisquer impactos negativos sobre a biodiversidade causados ​​pelos visitantes devem ser ponderados em relação aos ganhos de conservação e gestão proporcionados pelo turismo.” Além de visitantes e condutores autorizados contribuírem para a redução de ilícitos, como a caça, o turismo com base na conservação da natureza é importante indutor de economia. Estudo mostra que cada R$1 investido no ICMBio em 2018 produziu R$ 15 em benefícios econômicos para o Brasil!
    O Brasil só tem a ganhar com a criação e o investimento na gestão das Unidades de Conservação da Natureza!