Dicionário Ambiental

Entendendo o Pantanal

Neste guia ((o))eco, visitamos a planície alagado do Pantanal, o bioma que é uma mistura de outros três.

9 de junho de 2013 · 8 anos atrás

Imagine uma salada, mas seus ingredientes não são apenas frutas ou verduras, são biomas inteiros. Misture-os. E, ao final, acrescente bastante água. Esta é a receita do Pantanal: um pouco de Amazônia, um pouco de Cerrado, uma parte de Mata Atlântica e outra do Chaco boliviano. Considerada a maior planície de inundação contínua do planeta, é influenciado por rios que drenam a bacia do Alto Paraguai nele contido. São cerca de 150.355 km² – 1,76% da área total do território brasileiro – que contém 65% do território do estado de Mato Grosso do Sul e 35% do estado do Mato Grosso.

Embora seja o bioma com a menor extensão territorial no Brasil, o Pantanal é dos mais exuberantes e o menos afetado: ainda mantêm 86,77% de sua cobertura vegetal nativa. A vegetação não florestal (cerrado, chaco, formações pioneiras e áreas de tensão ecológica ou contatos florísticos) domina 81,70% do bioma. Os tipos de vegetação florestais (floresta estacional semi-decidual e floresta estacional decidual) representam 5,07% do Pantanal. A maior parte dos 11,54% restantes foram alterados pela ação humana, na exploração da lavoura e na criação extensiva de gado em pastos plantados. Não à toa, é considerado pela UNESCO como Patrimônio Natural Mundial.

A Planície do Pantanal, que se estende pela Bolívia e Paraguai, possui seus limites marcados por variadas formações topográficas como chapadas, serras e maciços. Além disso é cortada por uma grande quantidade e variedade de rios, todos pertencentes à Bacia do Rio Paraguai. Do lado brasileiro, que compreende o norte, leste e sudeste, é delimitado por terrenos de altitude entre 600 e 700 metros; a oeste, estende-se até a Cordilheira dos Andes e se prolonga ao sul pelas planícies dos Pampas centrais.

O clima é quente e úmido no verão. No inverno, embora mais frio, permanece úmido o ar devido à evapotranspiração associada à água acumulada no solo durante o período de cheia. Aliás, o Pantanal é regido pelas chuvas: durante os meses da seca — de maio a outubro, aproximadamente — , a paisagem sofre mudanças radicais: as águas baixas revelam campos, bancos de areia e ilhas; os rios retomam seus leitos naturais, mas nem sempre seguindo o curso do período anterior. No período da cheia, o aguaceiro eleva o nível das baías permanentes; os rios transbordam, alagando campos no entorno, e morros isolados sobressaem como verdadeiras ilhas cobertas de vegetação, onde animais buscam refúgio contra a subida das águas.

Como área de transição, a região do Pantanal apresenta um mosaico de ecossistemas: a vegetação não é homogênea e há um padrão diferente de flora de acordo com o solo e a altitude. Nas partes mais baixas, predominam as gramíneas, que são áreas de pastagens naturais para o gado — a pecuária é a principal atividade econômica do Pantanal. A vegetação de cerrado, com árvores de porte médio entremeadas de arbustos e plantas rasteiras, aparece nas alturas médias. Acima das áreas inundáveis, ficam os capões de mato. Em altitudes maiores, de clima árido e seco, a paisagem se assemelha à da caatinga.

Muitas espécies ameaçadas em outras regiões do Brasil persistem em populações avantajadas na região, como é o caso do tuiuiú – ave símbolo do Pantanal. A biodiversidade local é pujante: o bioma abriga pelo menos 4.700 espécies conhecidas, entre animais e plantas. Já foram registradas 263 espécies de peixes, 113 de répteis, 41 de anfíbios, 463 de aves, 1.032 de borboletas e 132 espécies de mamíferos, sendo 2 endêmicas.

O bioma tem sido muito impactado pela ação humana, principalmente pela atividade agropecuária, especialmente nas áreas de planalto adjacentes do bioma. Também afetam diretamente o Pantanal atividades como garimpo de ouro e diamantes, a caça, a pesca, o turismo, além da construção de rodovias e hidrelétricas. Diante destas ameaças, a estratégias de conservação são tímidas: até o momento, apenas 4,4% do Pantanal encontra-se protegido por Unidades de Conservação, dos quais 2,9% correspondem a unidades de proteção integral e 1,5% de uso sustentável.

 

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