Amazônia africana
Uma jóia ambiental, o Kruger National Park, na África do Sul, corre sério risco de encolher e há gente no país que diz que se isto acontecer, na verdade ele vai acabar desaparecendo. Várias comunidades pobres e tribos do país, desde o fim do apartheid, entraram na Comissão de Restituição, órgão encarregado de examinar pedidos de devolução de bens tomados pelo governo no antigo regime, reclamando como suas terras que há muito foram incorporadas ao Kruger, conta reportagem do Mail and Guardian (área gratuita) de Joanesburgo. São 37 demandas contra o Parque que envolvem 1/4 de seus 2 milhões de hectares de extensão. O governo sul-africano recomendou ao Serviço de Parques do país que chegue a um acordo com os reclamantes e desenvolva atividades econômicas de baixo impacto nas áreas em disputa para beneficiar suas comunidades. O Serviço de Parques diz que sua função não é a de agência de fomento e que as Unidades de Conservação sul africanas não foram criadas para distribuir benefícios econômicos mas para proteger a biodiversidade. Qualquer semelhança com a Amazônia não é mera coincidência. →
Estrada para um problema
Petrobrás volta a ser pressionada a desistir de abrir uma estrada no Parque Nacional do Yasuní, Equador, um dos lugares mais ricos em biodiversidade do mundo. →
Destino incerto
Para onde vão os bichos encontrados na cidade. Maria Beatriz Mussnich Pedroso →
Mata Atlântica em pauta
Estão abertas até 4 de abril as inscrições para o 5° Prêmio de Reportagem sobre a Biodiversidade da Mata Atlântica, promovido pelas ongs S.O.S. Mata Atlântica e Conservação Internacional. A premiação é dividida em duas categorias, Televisão e Impresso, e valem matérias publicadas ou exibidas entre os dias 1° de abril de 2004 e 31 de março de 2005. Os vencedores serão convidados a participar de um congresso internacional de conservação ou jornalismo ambiental. O segundo e o terceiro lugares ganham, respectivamente, 5 mil e 2.500 reais. A organização do Prêmio estuda a possibilidade de incluir, na edição de 2006, a categoria Internet. O Prêmio de Reportagem sobre Biodiversidade é realizado pela Conservação Internacional em outros seis países. →
Novos capítulos
Depois do assassinato da freira Dorothy Stang, o governo federal ajoelhou no milho e prometeu combater a grilagem de terra no Pará e reassumir o controle de terras da União no estado. Segundo O Globo, deve ser anunciado ainda hoje o envio de uma força-tarefa para a região. Na Folha, o colunista Marcelo Leite lembrou que Anapu, local do crime, está numa região onde a questão fundiária está amarrada a questões ambientais. Como ele bem diz, “Naquelas paragens não há Estado nem lei, só muita biodiversidade.” Em breve, Anapu fará parte do arco do desmatamento. →
Rachando a conta
A revista The Economist analisa o conceito de responsabilidade social das empresas, que se tornou unânime mas não pode ser implementado sem a ação dos governos. →
Em defesa da soja
Xico Graziano, agrônomo e ex-secretário da Agricultura de São Paulo, escreveu um artigo para o Estadão defendendo o plantio da soja como uma dádiva. Em relação a necessidade de se desmatar floresta virgem para o plantio do grão, ele argumenta: “Perde-se biodiversidade de um lado, ganha-se civilidade do outro.” →
União pela biodiversidade
Mil e duzentos cientistas reunidos em Paris numa conferência internacional endossaram proposta do governo francês em favor da criação de um banco de dados e conhecimento sobre a biodiversidade na Terra. O encontro, batizado de “Biodiversidade: ciência e governança”, teve a presença inclusive das grandes empresas farmacêuticas mundiais e de representantes de governo. O Le Monde reconhece que não será fácil fazer a idéia decolar. Há muitas questões a serem resolvidas em torno do tema. Como disse um representante da indústria de remédios, o conhecimento da biodiversidade envolve propriedade intelectual e o domínio de nações sobre espécimens da fauna e da flora em seus territórios. Ainda assim, os cientistas acham que é possível fazer a coisa decolar. Citaram inclusive a existência de algo semelhante em relação às questões climáticas. Trata-se do Grupo Intergovernamental sobre a Evolução do Clima, onde pesquisadores e governam trocam dados e informações que dispõem sobre o assunto. →
Será que vai dar tempo?
O Ibama anunciou que vai intensificar o combate a desmatamentos na região da Terra do Meio, no Pará. A região detém uma parcela de floresta amazônica preciosa em madeira de lei e biodiversidade. Ao mesmo tempo, está localizada entre os Rios Xingu e Iriri e ameaçada pelos gigantes municípios de São Félix do Xingu e Altamira, habitados por madeireiros, grileiros e pecuaristas. O Ibama anunciou que vai contar com 90 veículos e equipamentos de ponta na região a partir da segunda quinzena de março, mas o Instituto também avisou que a temporada de desmatamento, que normalmente começa em junho, já está a todo vapor. A previsão é de que 30 mil hectares de floresta nativa sejam postos abaixo até fevereiro. O Plano de Macrozonemanto do Pará determina que boa parte da Terra do Meio vire área de proteção integral. O projeto de lei está pronto, mas foi retirado em dezembro da pauta de votação da Assembléia Legislativa do estado. →
Canetada de ouro
Saiu o Mosaico de Unidades de Conservação no sul do Amazonas. Sua função primordial é combater a grilagem. Mas vai proteger também um bocado de biodiversidade. →
O bazar da biodiversidade
O patrimônio genético do Brasil lhe dá o potencial de virar cachorro grande no mercado da biodiversidade. Mas o país precisa se preparar para isso. →
Pescadores pedem socorro
Ao contrário dos índios, os pescadores artesanais são ignorados pelas políticas de desenvolvimento social. Uma boa solução é incentivá-los a deixar de pescar →
Devagar, devagar
O rio Colorado, que corta o Grand Canyon e é responsável pela maior parte da água que abastece os estados da região sudoeste dos Estados Unidos, há muito é um pesadelo ambiental. Sua biodiversidade começou a ser posta em cheque em 1963, quando a construção de uma represa num afluente roubou do Colorado o principal fornecedor da areia que se acumulava no seu fundo e nas margens. Sem ela, o rio começou a perder os santuários onde várias espécies de peixes se reproduziam e foi ficando mais frio. Deu-se bem a truta, que gosta de água gelada. Começou também a sentir o sumiço de várias plantas nativas da região, que ficavam raízes nos bancos de areia próximos do rio. Mas a coisa ficou feia mesmo a partir de 1996, com um desastre ecológico provocado justamente por plano para repor a areia ao longo do leito do Colorado. Cientistas descobriram que outro afluente trazia areia para o rio, mas seu fluxo e velocidade da água acabavam concentrando praticamente toda ela no fundo. Os sábios aumentaram o volume de água despejado por outra represa dentro do Colorado, para forçar a circulação dos sedimentos e redistribuí-los para as margens. Os cálculos foram mal feitos, a velocidade da água aumentou terrivelmente e o resultado da experiência serviu apenas para livrar o rio dos restinhos de areia ele ainda tinha. Agora, conta o The New York Times, os pesquisadores começaram a mobilizar outro afluente para tentar devolver a areia que tanta falta faz ao Colorado. O princípio do trabalho é o mesmo empregado em 1996. A diferenca é que a velocidade do fluxo adicional de água foi sensivelmente reduzida. →
A lei do mais forte
Parque Estadual Serra de Ricardo Franco, corredor ecológico de grande biodiversidade em Mato Grosso, pode perder 100 mil hectares para a expansão da soja. →
De piratas a biopiratas
Papagaios de pirata tomaram conta da preparação da Convenção sobre Biodiversidade e deturparam o conceito de biopirataria. Os verdadeiros ladrões se safaram. →
