Notícias

Ararajuba, o pássaro tão especial quanto o ouro

De plumagem amarelo-ouro, essa ave inconfundível da Amazônia está ameaçada de desaparecer ou se tornar mais rara do que o nobre metal.

Redação ((o))eco ·
17 de outubro de 2013 · 12 anos atrás

Um casal de ararajubas ([i]Guaruba guarouba[/i]). Crédito: Benny Mazur/Flickr
Um casal de ararajubas ([i]Guaruba guarouba[/i]). Crédito: Benny Mazur/Flickr


Uma espécie endêmica do Brasil, a ararajuba (Guaruba guaruba) é encontrada exclusivamente na área entre o norte do Maranhão, sudeste do Amazonas e norte do Pará; e sempre ao sul do Rio Amazonas e leste do Rio Madeira. Há registros de avistamentos em Rondônia e extremo norte do Mato Grosso, na década de 1990.

“Ararajuba” vem do termo tupi para “arara amarela”, araraîuba: yuba = amarelo e arara = aumentativo de ará (“papagaio”), isto é, papagaio grande. Possuindo ainda, outros nomes, tais como: guaruba, aiurujuba, guarajuba, marajuba, tanajuba, ajurujuba, ajurujubacanga, guamba, guarujuba e papagaio-imperial, trata-se de uma ave inconfundível, que tem até 35cm de comprimento e possui uma bela plumagem amarelo-ouro, com pontas da cauda das asas coloridas de verde-oliva.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Poucas são as informações sobre os hábitos da espécie no meio selvagem, mas alguns comportamentos são conhecidos. Alimentam-se de sementes, frutos oleosos, frutas e flores. As aves se reúnem em grupos de até 40 indivíduos, divididos em bandos menores de tamanhos variáveis que pernoitam em ninhos separados nas copas das árvores de florestas úmidas altas. Entre si são muito sociáveis e cooperativas. Enquanto algumas forrageiam alimentos e realizam outras atividades nas partes baixas, outras se colocam sobre a copa florestal, atuando como guardiões e vigias. Com intrusos, são territoriais: expulsam de sua área de nidificação outras espécies de aves, como tucanos e papagaios de outras espécies, com agressivos ataques e intensa vocalização. Seus maiores inimigos são o tucano-de-peito-branco (Ramphastos tucanus), o tucano-de-bico-preto (Ramphastos vitellinus), araracanga (Ara macao) e o cauré (Falco rufigularis). Mas também têm que defender ninho e filhotes de macacos, iraras e serpentes.

As ararajubas procuram árvores altas (de 15 a 30 m de altura), vivas ou mortas, e ocas para construir seus ninhos. São escavados túneis que penetram fundamente na árvore, podendo chegar a uma profundidade de mais de 2m. Dentro desta câmara profunda, as fêmeas colocam de 2 a 4 ovos que são incubados por aproximadamente 30 dias, não somente pelos pais, mas também por outros indivíduos do bando. O grupo colabora no cuidado com os filhotes até que se tornem adultos, da proteção à alimentação.

A população total de G. guaruba provavelmente nunca foi grande, e hoje, é ainda menor. Estima-se que haja não mais que três mil indivíduos, e que este número está em declínio. A espécie é ameaçada pela destruição das florestas onde vive: sua área de ocorrência diminuiu em 40% em relação à original e justamente nestas áreas são verificados os mais altos índices de desmatamento na Amazônia. Em geral, para formação de pastagens. O tráfico de aves silvestres é outro fator que contribui significativamente para redução dessa espécie na natureza. A IUCN a classifica como Ameaçada e o ICMBio como Vulnerável.

Os esforços para preservação da ararajuba se concentram nas unidades de conservação nacionais: Estação Ecológica da Terra do Meio, Floresta Nacional Caxiuanã, Floresta Nacional Itaituba I, Floresta Nacional Itaituba II, Floresta Nacional Tapajós, Parque Nacional da Serra do Pardo (PA); Parque Nacional da Amazônia (AM); Floresta Estadual Rio Preto/Jacundá² (RO) e Reserva Biológica do Gurupi (MA). Somente as populações que habitam a Flona do Tapajós e Rebio Gurupi são razoavelmente protegidas: as demais estão sob pressão constante de madeireiros e invasores. Também prejudica a conservação o desconhecimento sobre muitos aspectos básicos da história natural, biologia e ecologia da espécie.

 

 

Leia também
Onde menos se espera, Suçuarana
Uma estrela de nove pontas
Tudo azul: Borboleta Morpho

 

 

 

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Colunas
2 de abril de 2026

A nova fronteira do crime organizado está na Amazônia

Estudo revela que atividades ilegais e facções impulsionaram quase 19 mil homicídios, reposicionando a violência no interior do Brasil

Salada Verde
1 de abril de 2026

Pressão minerária cerca terras indígenas em Mato Grosso e acende alerta

Estudo aponta avanço de processos no entorno de Terras Indígenas, riscos a povos isolados e fragilidades no licenciamento

Notícias
1 de abril de 2026

De saída no MMA, Marina faz balanço dos últimos 3 anos e ‘passa’ o bastão para Capobianco

Ministra destaca queda do desmatamento, reconstrução institucional e aposta na continuidade da agenda ambiental sob comando do ex-secretário executivo

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Comentários 3

  1. Mari diz:

    Bom-dia porque uma delas está sem pena no peito.


    1. deisiany diz:

      quando elas entram de depressão elas podem se alto mutilar roncando suas próprias penas, nunca devem viver sozinhas,sao muito unidas


  2. victoria diz:

    qual é a porcentagem no mundo