Como dizia Osho, um dos maiores líderes espirituais da modernidade, um pouco de loucura e ousadia não fazem mal a ninguém. Na minha humilde existência eu enfatizaria dizendo que são justamente estas características, muitas vezes reprimidas pela apática sociedade, que fazem o mundo se tornar melhor: sacode a poeira, renova, traz verdades, conceitos e visões diferenciadas, questionam o antigo e estático.
Quando recebi o convite de assumir esta seção, vim com a idéia de tornar este espaço além da simples divulgação de trabalho de fotógrafos convidados. É claro que divulgar novos e antigos amantes da fotografia continuará sendo importante, mas se a intenção é inovar, que comecemos agora!
Vivemos num momento onde a prática de eternizar o mundo de agora- essência da fotografia há dois séculos, está se tornando a manipulação do mundo. O advento da fotografia digital trouxe muitos benefícios: rapidez, possibilidade de corrigir de imediato eventuais erros, compartilhamento infindável das imagens. Mas trouxe um comodismo, uma descrença e uma aparente sensação de que tudo é possível. “O Photoshop corrige” tem sido uma frase cada vez mais falada e perigosa, pois isto não é verdade, e ao mesmo tempo pode gerar a desvalorização do profissional, que busca fazer o melhor em seu trabalho. Inúmeras vezes ouvi pessoas dizerem: “ah, esta cor você fez no photoshop” quando na verdade, toda a riqueza de detalhes e cores na imagem vieram de uma luz pacientemente esperada, do uso de lentes com clareza ótica e do bom e velho filme Velvia.
Da mesma forma, não estou proferindo uma nostalgia e aversão ao moderno. A fotografia digital veio pra ficar, num caminho de mão única. Até ecologicamente é mais correta, pois redime do meio ambiente toneladas de produtos químicos, sais de prata e afins necessários para a produção dos filmes.Quem gosta do bom e velho filme continuará trabalhando com ele (logicamente se o capitalismo comercial mantiver a produção dos mesmos), como àqueles que gostam das músicas arranhadas do vinil numa era de pureza de ruídos em tudo que é tipo de mídia. Não há certo ou errado, bom ou ruim, apenas o gosto, o interesse e a proposta de cada um que se aventura na arte fotográfica.
O que intento nesta nova fase da seção é discutir a fotografia como conceito, como essência, como objeto de delírio. Relembrar os antigos fotógrafos de natureza em sua labuta ao transformar tanta riqueza de detalhes e tons, em preto e branco. Trazer temas e dúvidas que podem gerar polêmicas, conceitualizar a diferença entre tratamento e manipulação de imagem. Mostrar que mesmo numa época em que chaveiros tiram fotos e as lançam para o mundo virtual, ainda se tem como referência e estudo Ansel Adams e sua enorme caixa preta.
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