O Eco+ | Edição #279 | fevereiro/2026
15 de fevereiro de 2026
O governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro (PL), assinou há duas semanas (26) o Decreto nº 50.123/2026, que reorganiza a estrutura da Polícia Militar do estado. As alterações realizadas na polícia ambiental, porém, geram preocupações sobre uma possível perda de efetivo nas ruas, segundo especialistas ouvidos por Gabriel Tussini, para ((o))eco. Desde a reorganização de 2012, a atividade era realizada por oito Unidades de Policiamento Ambiental (UPAm) puramente operacionais e ostensivas, espalhadas por todas as regiões do estado e diretamente subordinadas ao Comando de Polícia Ambiental (CPAm), que concentrava atividades administrativas e de inteligência. Com a reestruturação, as UPAm passam a se chamar Companhias Orgânicas Ambientais (CIA/Amb), todas subordinadas a três novos Batalhões de Polícia Ambiental (BPAm), que respondem diretamente ao CPAm – assim como a antiga 7ª UPAm, que passa a se chamar Grupamento Marítimo e Fluvial (GPMar) e segue respondendo diretamente ao comando ambiental. Na prática, foram criadas novas estruturas, com suas próprias demandas administrativas, como intermediárias entre o comando da área e as unidades operacionais – e sem aumento do efetivo policial.
Na maior cadeia montanhosa do país, a Serra do Espinhaço, entre Minas Gerais e Bahia, a mineração se expande e ameaça áreas estratégicas para a produção de água e conservação da biodiversidade. Aldem Bourscheit, em reportagem para ((o))eco, divulga os resultados do estudo publicado na revista “Science of the Total Environment” feito por pesquisadores da Universidade Estadual de Montes Claros, Universidade do Estado do Rio de Janeiro e Universidade Federal de Minas Gerais, que levantou 3.668 processos minerários que já incidem na serra: 1.360 em operação ou em fase avançada e outros 2.308 em planejamento, todos concentrados justamente nas regiões de maior valor ambiental da maior cordilheira do país, explica. “Há espécies que praticamente só existem em determinados afloramentos rochosos, numa serra específica”, explica a bióloga Leila Meyer, coautora do estudo. “Quando uma mina ocupa esse espaço, não há para onde a espécie migrar.”
O exótico cervo chital (Axis axis) chegou ao Pantanal. Originário da Ásia, o cervídeo foi introduzido em uma fazenda de caça no Uruguai, no início do Século XX, e posteriormente invadiu o Brasil, sendo registrado no Rio Grande do Sul em 2009. Desde então, já há registro da ocorrência da espécie em Santa Catarina, Paraná, São Paulo e agora, em pleno Mato Grosso do Sul. Os pesquisadores Walfrido Moraes Tomas, da Embrapa Pantanal, e Liliani Marilia Tiepolo, do Universidade Federal do Paraná, explicam que o caso do chital é parecido com o contexto é semelhante ao do javali, embora ainda que não tenha adquirido a mesma escala geográfica e demográfica e afirmam que o Brasil ainda não implementou nenhuma ação efetiva e eficaz de controle da espécie.
Boa leitura!
Redação ((o))eco
· Destaques ·
Mudanças na polícia ambiental do RJ podem tirar efetivo das ruas, alertam especialistas
Milhares de projetos minerários ameaçam água e biodiversidade na maior cordilheira do Brasil
Nova ameaça no Pantanal: o cervo Axis ou chital chegou ao Bioma
· Conservação no Mundo ·
Pelas turfeiras. Elas cobrem uma fração mínima do planeta – cerca de 3 a 4% da superfície da Terra –, mas guardam um terço do carbono do solo mundial. Agora, uma articulação entre a Finlândia, o Ártico canadense e os Estados Unidos busca estabelecer uma das primeiras iniciativas coordenadas para proteger e restaurar esses ecossistemas na Europa e na América do Norte. [Mongabay]
A volta dos que não foram. Cientistas acreditavam que Romeu, um sapo macho, era o último de sua espécie. Quando outros sapos-d’água-de-Sehuencas foram descobertos em 2018, a expectativa era que ele se reproduzisse com uma fêmea chamada Julieta. A história, porém, não teve final feliz: Romeu morreu no ano passado, sem deixar descendentes. Mas boas notícias surgiram para a espécie de sapo azarado: biólogos descobriram uma nova população em um parque nacional boliviano, abrindo um novo capítulo na dramática peça do século XXI dos sapos-d’água-de-Sehuencas. Esta é apenas a segunda descoberta de uma população desses sapos na natureza desde 2009. [NatGeo]
· Dicas Culturais ·
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Adaptação Climática na Amazônia Urbana – caderno de resultados | Laboratório da Cidade
Foi lançado esta semana o livro “Adaptação Climática na Amazônia Urbana”, que reúne evidências produzidas por pesquisadores amazônidas sobre os impactos da crise climática em Belém e em outras cidades da região, com foco em saúde pública, desigualdade territorial e soluções construídas nas periferias.
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Manifesto pelo florescer da diversidade | Jerome Lewis | Christopher Knight
O livro, editado pela Dantes Editora, foi traduzido por Marina Matheus. A partir do princípio que o florescer da diversidade é fundamental para a existência da vida na Terra, os autores prepararam um guia com saídas para a crise climática vigente. O manifesto propõe apoiar a diversidade ambiental e de saberes e práticas de comunidades indígenas e locais, como fonte de diversidade do planeta.
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Coral-sol: Uma Espécie Invasora no Litoral Brasileiro | Correio Sabiá
Nesta série documental que envolveu mergulhos de cilindro em Arraial do Cabo e contou com apoio do Earth Journalism Network, o Correio Sabiá entrevista cientistas para entender o problema que o coral-sol –espécie invasora no litoral brasileiro– causa no ambiente em que se instala, bem como suas potenciais soluções e desafios. YouTube





