O Eco+ | Edição #285 | março/2026
29 de março de 2026
Uma rede de cooperativas populares constrói diariamente uma alternativa econômica ao agronegócio que une geração de renda e conservação do Cerrado, da Caatinga e da Amazônia. O repórter Aldem Bourscheit visitou a Central do Cerrado, hoje uma vitrine e braço comercial para milhares de famílias de agricultores agroextrativistas. No noroeste mineiro, conta Aldem, as 160 famílias ligadas à Cooperativa de Agricultura Familiar Sustentável com Base em Economia Solidária (Copabase) produzem itens como castanha de baru, polpas de mangaba, araticum e coquinho-azedo, além de goiaba, acerola, maracujá e outras frutas cultivadas em quintais e sistemas agroflorestais. É algo bem distinto da paisagem regional dominada por gado e grãos. “Quando a cooperativa nasceu, há 18 anos, a gente mal conhecia o que era um pivô de irrigação. Hoje estamos cercados”, conta Dionete Barboza, coordenadora–executiva da Copabase, uma das cooperativas filiadas à Central do Cerrado. A união do grupo, a montagem da cooperativa, a organização para aumentar a escala e a busca por novos mercados deu bons frutos, tema da reportagem de Aldem Bourscheit esta semana em ((o))eco.
Era para ser um momento de celebração: a tão sonhada titulação do quilombo Serra dos Mulatos, localizado no município de Jardim, interior do Ceará, ocorreu em novembro de 2025. Porém, depois dessa conquista, a comunidade passou a receber ameaças de morte e de agressão física por parte de fazendeiros locais. A comunidade é uma entre as várias que compõem a Área de Proteção Ambiental da Chapada do Araripe, que se estende pelos estados do Ceará, Pernambuco e Piauí e agora vive com medo de retaliações. No centro do conflito está a disputa por terra e recursos hídricos. Os repórteres Gabriel Damasceno e Karizia Marques, de((o))eco, conversaram com exclusividade com lideranças ameaçadas.
Nos bairros de maior renda em Boa Vista, telhados cobertos por placas solares passaram a fazer parte da paisagem. Sob o sol intenso, moradores buscam na própria casa uma alternativa para reduzir a conta de luz em um estado que por anos conviveu com apagões e a dependência da energia da Venezuela e de termelétricas caras e poluentes. Apesar do alto potencial solar de Roraima, a geração distribuída ainda alcança uma parcela limitada dos consumidores, apenas 4% do total, e embora haja uma demanda no estado, a expansão da energia solar enfrenta barreiras, conta o repórter Felipe Medeiros, para ((o))eco. Empresários do setor relatam que novos projetos têm sido barrados pela Roraima Energia, que alega limitações na infraestrutura da rede e riscos de inversão de fluxo, quando a energia gerada pelos consumidores retorna ao sistema em volume superior ao previsto. Na prática, dizem os instaladores, a justificativa tem adiado ou inviabilizado a conexão de novos sistemas, frustrando clientes que buscam reduzir a conta de luz por meio da geração própria.
Boa leitura!
Redação ((o))eco
· Destaques ·
A força da sociobiodiversidade que mantém o Cerrado em pé
Avanço de monoculturas pressiona comunidades na Chapada do Araripe
Em meio à alta na conta de luz, uso de energia solar cresce em Roraima
· Conservação no Mundo ·
O rio não está para peixe. A migração mais longa de qualquer espécie de peixe de água doce é a do dourado, que percorre 11.000 km, desde a desova no sopé dos Andes até a alimentação no estuário do Amazonas e de volta. Vastas jornadas como estas estão cada vez mais ameaçadas, com a queda de 81% nas populações de peixes de água doce, revela relatório apresentado na 15ª Convenção das Nações Unidas sobre a Conservação de Espécies Migratórias (CMS). [The Guardian]
Plantar nem sempre é o ideal. Plantar árvores é uma estratégia vital para combater tanto as mudanças climáticas quanto a crise da biodiversidade. À medida que as florestas crescem, elas absorvem dióxido de carbono da atmosfera e fornecem habitat renovado para animais, plantas, fungos e inúmeras formas de vida invisíveis ameaçadas. Essa capacidade das florestas de ajudar a desacelerar as mudanças climáticas impulsionou um movimento para reflorestar terras degradadas ou mesmo plantar novas florestas onde antes não existiam. Também estimulou outras estratégias, como o cultivo de culturas bioenergéticas aliado à captura de carbono. Porém, uma análise recente mostra que cerca de 13% das terras globalmente importantes e ricas em biodiversidade coincidem com áreas destinadas a esses tipos de projetos de remoção de dióxido de carbono. [Mongabay]
· Dicas Culturais ·
• Para ler •
Maior data center da América do Sul terá licenciamento simplificado no RS | Ambiental Media
A informação está em protocolo de intenções obtido com exclusividade pela jornalista Naira Hofmeister, da Ambiental. O documento fala em licenças “no menor tempo possível”, mas técnicos, ambientalistas e autoridades veem risco elevado.
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Uma Caminhada na Floresta | Filme
Dirigido por Ken Kwapis e estrelado por Robert Redford e Nick Nolte, Uma Caminhada na Floresta (A Walk in the Woods) acompanha a jornada de um escritor que decide percorrer a famosa Trilha dos Apalaches ao lado de um velho amigo. Misturando humor e reflexão, o longa explora os desafios físicos e emocionais da travessia, ao mesmo tempo em que aborda temas como envelhecimento, amizade e a busca por sentido em meio à natureza.






