O Eco+ | Edição #303 | agosto/2026
2 de agosto de 2026
O maior primata das Américas voltou para as florestas da região de Ibitipoca, em Minas Gerais. A reintrodução de três muriquis-do-norte foi realizada na quarta-feira (30), liderada pelo time de pesquisadores do Muriqui Instituto de Biodiversidade (MIB) em parceria com o Ibiti Projeto. O grupo é composto por duas fêmeas adultas e um macho jovem que foram resgatados em março de um fragmento onde estavam fadados a desaparecer. A soltura foi feita na Mata da Boa Vista, localizada na vertente leste do Parque Estadual do Ibitipoca, de onde a espécie foi extinta localmente há décadas. A repórter Duda Menegassi conta como foi a soltura, a perspectiva de outro grupo se unir ao trio solto em alguns meses e os caminhos para livrar o carismático muriqui-do-norte da extinção.
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A poluição do ar causa problemas respiratórios, cardíacos e encurta a vida de milhares de pessoas, mas essas mortes raramente entram na estatística. A colunista Kamila Camilo coloca o dedo na ferida e questiona o que faz uma das maiores crises de saúde pública do nosso tempo continuar nas sombras. Um jovem contou que a avó havia falecido, que ela era doadora de órgãos, mas seu pulmão foi recusado para transplante porque estava comprometido, isso aconteceu devido a poluição a que era exposta cotidianamente, a senhora tinha um pulmão de alguém que havia fumado a vida inteira. Ela morava na Zona Leste de São Paulo. No atestado de óbito, porém, a poluição do ar não aparecia em lugar nenhum como causa ou fator associado à sua morte, narra a colunista, que ouviu essa história em um encontro da grupo focal realizado pelo Instituto Oyá . Segundo Kamila Camilo, essa invisibilidade torna difícil combater a poluição pública, já que ela age em silêncio e seus efeitos não são registrados.
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Plantar árvores [e as manter vivas] em um mundo mais quente é um desafio que a área da restauração precisará enfrentar. Pensando em como tornar os plantios mais resilientes, um estudo inédito mapeou 48 regiões com características semelhantes de clima e solo no Brasil e projetou como elas poderão mudar diante da crise climática. Batizadas de Zonas de Transferência de Sementes (ZTS), essas áreas visam orientar a coleta de sementes destinadas à restauração ecológica associada à maior resiliência e adaptação climática. A repórter Duda Menegassi se debruçou sobre o estudo, publicado em artigo no periódico científico Plants, People, Planet, de acesso aberto. O estudo é liderado pelo Redário, articulação nacional entre organizações, redes e grupos de coletores de sementes. “Esse mapa é fundamental porque conecta com inteligência climática e ecológica os territórios onde as sementes são coletadas e onde são plantadas”, resume Eduardo Malta, do Instituto Socioambiental (ISA), coordenador do Redário e um dos autores do estudo.
Boa leitura!
Redação ((o))eco
· Destaques ·
A volta dos muriquis às matas de Ibitipoca, em Minas Gerais
O ar que mata, mas não entra na estatística
Estudo alerta sobre impacto das mudanças climáticas na restauração ecológica
· Conservação no Mundo ·
A recompensa. Órix que estavam à beira da extinção estão retornando. A agricultura prospera à medida que a água para irrigação volta a alcançar os campos pela primeira vez em décadas. Agricultores também estão cultivando novas árvores em suas propriedades. Antes sinônimo de seca e fome, a região africana do Sahel, localizada na borda sul do Deserto do Saara, agora possui mais água do que em qualquer outro momento nas últimas décadas. Poços estão se enchendo à medida que o nível dos lençóis freáticos subiu até quatro metros em algumas áreas. O Lago Chade, que já foi um dos maiores corpos d’água da África antes de encolher drasticamente durante os períodos de seca, também está se recuperando. Segundo os hidrólogos, apenas as precipitações mais fortes não explicam a recuperação das águas subterrâneas. Eles acreditam que os esforços para captar e armazenar água da chuva também podem estar dando resultados. [E360Yale]
Ciência cidadã em Portugal. Habitantes, visitantes e especialistas construirão juntos inventário participativo da biodiversidade de Figueiró e Freixo da Serra, duas aldeias de montanha do concelho de Gouveia. O projeto terá duas saídas de campo, onde os participantes irão atrás de morcegos, aves noturnas, pequenos invertebrados e outros grupos de espécies. As espécies observadas serão registadas na plataforma de ciência cidadã iNaturalist, permitindo criar um retrato cada vez mais completo da biodiversidade das duas aldeias. [Wilder]
· Dicas Culturais ·
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Sentinelas do oceano | Distribuição e estado ambiental das aves marinhas e costeiras de Portugal
O livro Sentinelas do Oceano, lançado pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), reúne informações científicas sobre 66 espécies de aves marinhas e costeiras registradas em Portugal. Resultado de dois anos de trabalho que envolveu mais de 650 pessoas, a publicação traz descrições das espécies, mais de 160 mapas de distribuição e 81 gráficos sobre o estado das populações em Portugal continental, nos Açores e na Madeira. O projeto também inclui uma plataforma digital gratuita com dados sobre 76 espécies, cerca de 700 mapas de distribuição e abundância, versão em inglês e recursos de acessibilidade para pessoas com deficiência visual.
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Biomas | Globoplay
Dividido em seis episódios, cada um dedicado a um bioma [Cerrado, Mata Atlântica, Pantanal, Pampas e Campos da Serra, Amazônia e Pantanal], a série documental apresentada por Flavia Vitorino explora as belezas naturais, a cultura e os esportes em contato com a natureza em seis diferentes regiões do Brasil. Os episódios duram entre 26 e 27 minutos.
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Tito e os Pássaros | Animação
Em Tito e os Pássaros (2018), uma epidemia de medo se espalha pela sociedade, transformando pessoas e afetando suas relações. Para tentar encontrar uma cura, o menino Tito embarca em uma jornada inspirada nas pesquisas do pai, um cientista que buscava decifrar o canto dos pássaros. A animação brasileira, dirigida por Gustavo Steinberg, Gabriel Bitar e André Catoto, combina uma estética singular com reflexões sobre medo, convivência e a relação entre humanos e natureza. O filme estreou no Festival de Annecy e chegou à pré-lista do Oscar de Melhor Animação.





