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Dinamarca: Peixes prosperam nos parques eólicos offshore

Estudo realizado no Mar do Norte sugere relação harmoniosa entre comunidades de peixes e a estrutura subaquática das turbinas.

Flávia Moraes ·
18 de abril de 2012 · 14 anos atrás
Enguias do Mar do Norte na região do parque eólico Horns Rev I. (fonte: relatório)
Enguias do Mar do Norte na região do parque eólico Horns Rev I. (fonte: relatório)

As dúvidas sobre os impactos da instalação de um parque eólico offshore (dentro do mar), nas comunidades de peixes do Mar do Norte, já tem respostas preliminares. O Instituto Nacional de Recursos Aquáticos da Dinamarca (DTU Acqua, na sigla original) divulgou um estudo que concluiu haver uma convivência harmoniosa entre as turbinas do parque em alto mar Horns Rev I e os peixes. Para algumas espécies, a população aumentou.

“A partir da exclusão de atividades de pesca de arrastão, dentro da área do parque, alguns benefícios ambientais foram mensurados, como a transformação do local em santuário para populações bentônicas [de águas profundas] e comunidades de peixes”, explica Simon Leonhard, um dos editores do relatório Os efeitos do parque eólico offshore Horns Rev I nas comunidades de peixes: acompanhamento de sete anos após a construção (do inglês, Effect of the Horns Rev 1 Offshore Wind Farm on Fish Communities. Follow-up Seven Years after Construction).

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Esses parques ficam situados entre 14 e 20 km da costa, a uma profundidade menor que 20 metros. Essas áreas são consideradas berçário de espécies locais importantes, como a solha escura (Limanda limanda), badejo (Merlangius Merlangus) e enguias. A maior preocupação é que os parques eólicos inviabilizassem a sobrevivência desses estoques de peixe no local.

Turbinas do parque eólico Horns Rev I. (foto: Naturfocus; Vattenfall)
Turbinas do parque eólico Horns Rev I. (foto: Naturfocus; Vattenfall)

No entanto, durante os sete anos de acompanhamento, pesquisadores verificaram que o Horns Rev I não ameaçou a comunidade de enguias, por exemplo, destacada pela sua importância ao ecossistema do mar nórdico e por seu valor comercial na região. Não houve impacto negativo sobre o tamanho da população e notou-se um aumento no número de enguias jovens, provavelmente devido a proibição da pesca no local.

Contudo, sempre há impactos negativos ao ambiente, já que ele está sendo modificado. Leonhard destaca que “os arrecifes artificiais formados em áreas com fundo marinho arenoso podem funcionar como degraus para espécies invasoras. Além disso, os efeitos cumulativos de muitos parques eólicos offshore, próximos uns aos outros, poderiam afetar as populações de aves migratórias”.

Para minimizar as possíveis perdas na biodiversidade “a instalação das turbinas é avaliada com rigor e só é permitida em locais onde os impactos ambientais sejam mínimos ou que os custos e dificuldade de mitigação sejam baixos Planejar cuidadosamente os espaços de construção é um fator chave para o desenvolvimento bem sucedido de parques ambientalmente sustentáveis”, afirma Leonhard.

 

Mapa: A Dinamarca possui 12 parques eólicos offshore para a geração de energia elétrica. Entre eles, está o Horns Rev I - em verde no mapa. (fonte: Relatório)
Mapa: A Dinamarca possui 12 parques eólicos offshore para a geração de energia elétrica. Entre eles, está o Horns Rev I – em verde no mapa. (fonte: Relatório)
  • Flávia Moraes

    Jornalista, geógrafa e pesquisadora especializada em climatologia.

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