Notícias

Comissão aprova abate de 1.104 baleias por aborígenes

Comissão Internacional Baleeira aprovou ontem (3) cotas para populações dos EUA, Rússia e do arquipélago de São Vicente e Granadinas.

Vandré Fonseca ·
4 de julho de 2012 · 12 anos atrás
No Panamá, centenas de ativistas foram uma figura humana para prostestar contra a votação que derrubou a criação de um santuário de baleias no Atlântico Sul. Foto: divulgação
No Panamá, centenas de ativistas foram uma figura humana para prostestar contra a votação que derrubou a criação de um santuário de baleias no Atlântico Sul. Foto: divulgação

A Comissão Internacional Baleeira aprovou na terça-feira (3), no Panamá, em uma única votação, as cotas de captura aborígene de subsistência para populações dos Estados Unidos, Rússia e do arquipélago de São Vicente e Granadinas. Entre 2013 e 2018, americanos e russos vão poder matar 336 baleias-da-groenlandia e 744 baleias-cinzentas. A comissão entendeu, quase por unanimidade, que estes dois países cumprem as regras estabelecidas pela CIB, como relatórios, e que a matança de baleias é realizada para a subsistência de populações humanas.

Na votação, foi aprovada também o pedido de São Vicente e Granadinas, um pequeno arquipélago do Caribe que pretende matar 24 baleias-jubarte no próximo período de seis anos. No total, foi aprovado o abate de 1.104 baleias. As cotas para os três países foram aprovadas em uma única votação (48 votos a favor, 10 contra, 2 abstenções e 01 ausência ).

Não faltaram acusações contra as ilhas caribenhas. Para os países-membros da comissão, faltam registros históricos que comprovem o uso das baleias para a subsistência da comunidade das ilhas. Além disso, o país é acusado de violar os princípios da CIB, ao matar baleias fêmeas e filhotes.

Na quarta-feira, foram apresentadas duas outras propostas que podem aumentar a matança de baleias. A Coréia do Sul também quer liberação para abater baleias com a desculpa de fazer pesquisa científica. O país argumenta que é preciso capturar baleias-minkes para conhecer melhor os hábitos alimentares da espécie e assim invetigar o impacto delas nos estoques pesqueiros. O plano de abate “científico” da Coréia deve ser apresentado na próxima reunião anual da comissão.

O Japão, que já tem autorização para a “caça científica”, quer liberdade também para abate de baleias próximo a regiões costeiras em pequena escala. Essa proposta, já havia sido apresentada em 2010, foi questionada por diversos países, que vêem acreditam que a idéia busca, na verdade, a permissão para a caça comercial. Mas a idéia deve continuar a ser discutida ainda no Panamá.

A reunião da CIB termina sexta (6). Até lá, pode ser que a Dinamarca consiga também uma quota de abate. O ativista José Truda Palazzo Júnior transmitiu a reunião por meio do twitter @brasildeovelhas e anunciou, com desconfiança, que o país nórdico recuou. “Dinamarca vê que não tem apoio pra passar a quota de caça da Groenlândia e pede pra adiar a decisão… vão seguir tentando algum golpe”, postou no twitter.

Também ontem, centenas de ativistas formaram uma figura humana que mostra uma baleia e a palavra ‘Santuário’, para protestar contra o resultado da votação que derrubou a criação de um santuário de baleias no Atlântico Sul. ((o))eco publicou os votos de cada país na decisão que barrou a nova área de proteção.

* Atualizado em 05/07/2012, à 01h00.

Leia também

Notícias
12 de abril de 2024

ICMBio abre consulta pública para criação de novo parque marinho no Rio Grande do Sul

Criação do Parna de Albardão foi proposta há mais de 15 anos. Unidade protegerá 1,6 milhão de hectares, em região com alta pressão da pesca industrial

Notícias
12 de abril de 2024

Pesquisadores alertam para impactos de turbinas eólicas sobre morcegos

Artigo assinado por 12 pesquisadores de 9 países e territórios aborda efeitos das turbinas sobre morcegos ao redor do mundo, lista medidas de prevenção e pede maiores regulações

Salada Verde
12 de abril de 2024

Os 35 anos do Parna Grande Sertão Veredas

Uma das principais unidades de conservação do Cerrado abriga inigualáveis cenários que inspiraram a obra de Guimarães Rosa

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.