Notícias

Espécie rara de anfíbio é registrada em Minas Gerais

Medindo o tamanho de uma unha, o sapo vive dentro de bromélias é encontrado apenas no Parque Estadual do Pico do Itambé, em Minas Gerais.

Daniele Bragança ·
4 de novembro de 2013 · 13 anos atrás
Medindo cerca de 15 mm, o sapo da bromélia não é maior que um polegar humano. Foto: Guilherme Ferreira/Instituto Biotrópicos.

A mais nova espécie de anfíbios descrita é tão pequena quanto uma unha, passa a vida dentro de uma bromélia e só é encontrada em um ponto específico no Parque Estadual do Pico de Itambé. A Crossodactylodes itambe foi descrita na última sexta-feira (01) na revista Zootaxa. Mede cerca de 15 mm  de comprimento e vive dentro de bromélias.

O gênero inclui mais 3 espécies e todas elas ocorrem em altitudes elevadas e ocupam bromélias durante toda a sua vida. É uma espécie endêmica. Até o momento, o sapinho da bromélia, como é chamado pelos moradores, foi registrada apenas no Parque Estadual do Pico do Itambé, em Minas Gerais, numa área inferior a 0,1 km². Daí surgiu seu nome científico.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



A pesquisadora Izabela Barata investiga uma bromélia atrás da Crossodactylodes itambe. Foto: Guilherme Ferreira/Instituto Biotrópicos.

“O registro da nova espécie amplia a área de ocorrência do gênero, que era conhecido em poucas localidades da Mata Atlântica” comemora Izabela Barata, a principal autora da descoberta e pesquisadora do Instituto Biotrópicos. “Temos que avaliar o quanto a espécie é restrita e quais variáveis climáticas podem influenciar a distribuição e ocorrência desta espécie”.

Os anfíbios são muitos vulneráveis às mudanças no ambiente. Não por acaso, estão no topo da lista de vertebrados mais ameaçados do planeta da IUCN (União Mundial para a Conservação da Natureza). Os pesquisadores acreditam que a temperatura e umidade são fatores importantes para a preservação do sapinho da bromélia. O monitoramento da espécie contribuirá para entender as consequências das mudanças climáticas na biodiversidade brasileira.

O pequeno anfíbio. Foto: Izabela Barata/Instituto Biotrópicos.

 

Saiba Mais (artigo original)
A new species of Crossodactylodes (Anura: Leptodactylidae) from Minas Gerais, Brazil: first record of genus within the Espinhaço Mountain Range. IZABELA M. BARATA, MARCUS T.T. SANTOS, FELIPE S.F. LEITE, PAULO C.A. GARCIA.

Leia Também
Balanço da busca global por anfíbios
Sapinho descoberto na Oceania é menor vertebrado do mundo
Uma nova perereca e o sapo que copula com a fêmea morta

 

 

 

  • Daniele Bragança

    Repórter e editora do site ((o))eco, especializada na cobertura de legislação e política ambiental.

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Salada Verde
31 de julho de 2026

Justiça determina que Rio incorpore clima no processo de licenciamento ambiental

Decisão estabelece prazo de 90 dias para que prefeitura passe a exigir de empreendimentos poluidores plano de mitigação de emissões e medidas de compensação

Salada Verde
31 de julho de 2026

Quase 600 áreas protegidas da Amazônia não registraram desmatamento no primeiro semestre

Mais de 80% das áreas protegidas do bioma não apresentaram desmatamento entre janeiro e junho deste ano, segundo o Imazon. É o melhor desempenho dos últimos 8 anos

Colunas
31 de julho de 2026

A Era do Fogo: o alerta que vem da França

Os incêndios franceses demonstram que capacidade técnica e econômica, embora indispensáveis, não garantem proteção quando os ecossistemas perdem resiliência

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.