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2014: ano de aprovar reabertura da Estrada do Colono no Senado

Na volta do recesso parlamentar, autor do projeto faz referência a Ditadura Militar para defender aprovação da proposta.

Redação ((o))eco ·
5 de fevereiro de 2014 · 10 anos atrás
Dep. Assis do Couto (PT-PR) faz um apelo para que os senadores apressem a votação do projeto que reabre a estrada do colono. Foto: Antonio Augusto/Câmara dos Deputados.
Dep. Assis do Couto (PT-PR) faz um apelo para que os senadores apressem a votação do projeto que reabre a estrada do colono. Foto: Antonio Augusto/Câmara dos Deputados.

Na terça-feira (04), o deputado Assis do Couto (PT-PR) foi ao plenário defender seu projeto que reabre a Estrada do Colono – aquela que recorta em duas partes o Parque Nacional do Iguaçu (PNI), no Paraná –, usando como argumento supostos crimes praticados pela Ditadura Militar dentro da Unidade de Conservação. Para o parlamentar, a primeira tentativa de fechar a estrada, ocorrida nos anos 80, serviu para encobrir o ocultamento dos cadáveres de 5 guerrilheiros da Vanguarda Popular Revolucionária e de um argentino, desaparecidos ao ingressar no Parque em 1974.

De acordo com o deputado, os militantes teriam sido assassinados numa emboscada fruto da repressão militar à época. Em 1981, houve o primeiro plano de manejo do parque determinando o fechamento da Estrada do Colono – o caminho só foi fechado, de fato, em 1986, já no governo Sarney. Isto que significaria, segundo argumenta o deputado, que o fechamento foi uma forma de “passar uma borracha, esconder de vez os assassinatos”.

“A nossa conclusão é que a decisão pelo fechamento, como era um órgão ligado ao governo, teria como objetivo encobrir um fato ocorrido dentro do Parque Nacional do Iguaçu, que é o desaparecimento destes cinco ou seis militantes da antiga VPR”, resume.

De acordo com a assessoria de imprensa do deputado, o pronunciamento do parlamentar foi baseada em 2 livros: “Direito à Memória e à Verdade”, editado pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos e “Onde foi que vocês enterraram nossos mortos?”, de Aluizio Palmar, ex-membro da VPR, que relata na obra o fim da organização.

A história da Estrada foi apresentada de forma a sensibilizar os parlamentares presentes. De acordo com Assis do Couto, a estrada remonta ao século XIX e até mesmo a Coluna Prestes chegou a passar pela Estrada, em 1925. O Parque Nacional do Iguaçu foi criado durante o governo Vargas, em 1939. Para os ambientalistas, a estrada era um antigo caminho transformado em estrada nos anos 50 e fechada nos anos 80. A controvérsia em torno da data provável da abertura da estrada tem sua razão de ser. Os defensores da reabertura da estrada argumentam que, como (dizem) ela é mais antiga que o Parque Nacional, deveria ser aberta.

Foi em nome da herança histórica que em 2001 a estrada foi reaberta, por força de mais de 250 invasores armados com tratores e serras elétricas, que conseguiram  destruir a vegetação que já havia tomado conta do caminho. Foram expulsos por decisão judicial no mesmo ano.

Via legal

Quase 12 anos depois, em forma de projeto de lei, a Câmara dos Deputados aprovou o texto que reabre a estrada do colono e acrescenta o conceito de estrada-parque na Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), já que a categoria não existe na principal legislação que regulamenta as Unidades de Conservação brasileiras. O Projeto de Lei agora está tramitando no Senado.

O deputado terminou o discurso fazendo um apelo aos senadores: “Conclamo os senadores a apressar a votação do projeto a fim de restabelecer o importante caminho para as populações simples e humildes do Oeste e do Sudoeste, hoje separadas com o fechamento da estrada”, finalizou.

Se não houver nenhuma modificação no texto do projeto no Senado, a matéria seguirá direto para a sanção presidencial.

 

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Comentários 6

  1. Fernando diz:

  2. Alexsandro Julio diz:

    Abram essa estrada com conceito sustentáveis, pelo amor de Deus. Existe tecnologia para isso. Vamos parar de balela, Estrada do Colono aberta. Vocês não sabem como é triste ver em uma placa Foz a 120 km virar em trevo e ver Foz 230 km. Ou, seus eco…. ajudem a pressionar a duplicação da estrada de Realeza a Cascavel, por que não da mais.


  3. alyne diz:

    Parabéns pela lucidez!! Concordo em tudo o que falou. E acrescento: cortar o parque ao meio é por fim a grande parte das espécies locais!!


  4. MARÇAL A SARTORI diz:

    Depois do fechamento da estrada, a pilhagem de palmito, no parque nacional virou uma festa. Se a estrada é tão nociva ao meio ambiente, porque então, na reserva do Morro do Diabo, em Teodoro Sampaio, há uma rodovia cortando a reserva? Ela é menos importante que o Parque Nacional do Iguaçu? Até hoje não vi nenhuma palavra contra essa rodovia. Porque ela não dá ibope? E as rodovias que cortam a Serra do Mar, serão elas menos nocivas que a Estrada do Colono? Ou falta coragem para condená-las, já que atendem à população que vai ao litoral o lá mora? E a Estrada da Graciosa, algum ecochato tem peito e coragem para pedir seu fechamento? Alguém está mentindo nessa história. Ou no mínimo sendo hipocrita.
    Os hipócritas dos ecochatos ficam falando contra as usinas hidroelétricas, mas moram em apartamento ou casa com forno elétrico, microondas, aparelho de ar condicionado e sequer têm em suas casas aquecimento solar e usam chuveiro elétrico, o mais ineficiente aparelho elétrico.


  5. Fernando diz:

    Sou de Capanema. Nasci em 1986, quando do fechamento da Estrada do Colono pela primeira vez. Cresci acompanhando a discussão em torno do assunto. Inclusive acompanhei a abertura da estrada do colono em 1999, quando tinha 15 anos. As escolas levavam os alunos de ônibus até o Porto Moisés Lupion (início da Estrada) para conseguir mídia com a imprensa e assim influenciar a opinião pública. Já na época eu era contrário à abertura, porém no meio daquele frenesi e balburdia não podia me manifestar.
    A questão é que a abertura da Estrada SEMPRE foi utilizada como pauta de campanha política. Todo candidato promete abrir a estrada, os políticos da região sabem que o assunto é uma mina de votos, não é à toa que o Assis do Couto está tão empenhado em fazer passar esse projeto de Lei ABSURDO ainda esse ano. O ex prefeito de Capanema na época, o Polaco, mobilizou a polícia da cidade, as autoridades e todos os veículos públicos, como ônibus, tratores, retroescavadeiras etc., para cumprir sua promessa de campanha e abrir a estrada; assim ele conseguiu se eleger para o segundo mandato (2000 – 2004).
    Alguma "comissão", provavelmente formada por "autoridades" do município, cobrava pedágio para passar pela Estrada, é certo que manter a balsa que passava os veículos e pessoas pelo Rio Iguaçu até a estrada, custava um bom dinheiro, mas se era arrecadado mais dinheiro do que o necessário, quem controlava esse dinheiro e para onde ia, "ninguém" sabe. O povo da região está tão alienado com o discurso político que acredita piamente que a abertura da Estrada do Colono é a solução para todos os problemas da região; o que ninguém pensa é que os dois anos que ficou aberta não mudou muita coisa na cidade, quem era rico ou politico ficou mais rico ou se elegeu, quem era pobre continuou na mesma situação.
    A especulação imobiliária no Porto Moisés Lupion e arredores já começou. Existe indícios que políticos que apoiam a abertura da estrada já estão comprando imóveis na região…
    Neste momento está em curso outra agressão ao Parque Nacional do Iguaçu, a construção da Usina Hidrelétrica do Baixo Iguaçu, a última usina desse rio, que está sendo construída a poucos quilômetros (se não me engano apenas 1 km) do Parque. A previsão é que a temperatura média da região pode aumentar em até 2 Cº, interferindo na maturação e reprodução de toda fauna e flora e trazendo ainda mais desconforto térmico para os moradores, que já sofrem com 41 Cº como o ocorrido dia 04/02/2014.
    E como sempre a questão socioambiental é deixada em último plano, causando conflitos com os agricultores da região, que estão recebendo indenizações muito baixas pelas suas terras. Já existe muitos prostíbulos com previsão de abertura na cidade… E outro fenômeno que venho observando é o desmatamento desenfreado que está ocorrendo no município, que possui apenas 4,6% de vegetação restante. O motivo desta situação talvez seja pela valorização das terras, do soja e pela falta de Licenciamento Ambiental e Fiscalização no município, sendo o órgão estadual, o IAP, o responsável atual pela fiscalização, porém não dá conta da demanda, tornando-se omisso.
    Outro assunto que conheço de perto e que possui ligação com a falta de fiscalização municipal e abertura da estrada é a caça e extração ilegal de palmito no Parque Nacional. Com certeza esses crimes irão aumentar com a abertura da estrada. A fiscalização sempre foi precária e com o aumento do fluxo e demanda por produtos ilegais a situação tende a se agravar. Além da caça para venda dos produtos, também ocorre a caça por esporte. Presenciei um agricultor vizinho ao Parque matar um papagaio apenas para acertar a mira da espingarda e porque (segundo ele) as baitacas "quebram a ponta do eucalipto"… Presenciei também, inúmeras vezes, o adentramento de pessoas no parque para caçar e cortar palmito (espécie em risco de extinção), fiz denúncias mas nunca aconteceu nada…
    A abertura da Estrada do Colono será um decreto de morte para o último remanescente de Floresta Estacional Semidecidual do interior do Estado do Paraná. É inacreditável como a humanidade não se contenta até acabar com cada pedaço de mata nativa que existe. Lamentável.


    1. Fernando diz:

      bom ponto de vista, Fernando