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Cientistas apontam provável extinção de 3 aves nordestinas

Segundo ornitólogos, a corujinha caburé-de-pernambuco e outras duas aves endêmicas da Mata Atlântica de Alagoas podem ter desaparecido

Daniele Bragança ·
27 de agosto de 2014 · 7 anos atrás
Ilustração da corujinha caburé-de-pernambuco (Glaucidium mooreorum), que provavelmente foi extinta da natureza.

A corujinha caburé-de-pernambuco (Glaucidium mooreorum) e dois parentes do joão-de-barro o gritador-do-nordeste (Cichlocolaptes mazarbarnetti) e o limpa-folha-do-nordeste (Philydor novaesi) , estão praticamente extintos na natureza. A conclusão vem de um trabalho assinado por pesquisadores brasileiros e estrangeiros que estudam as aves há mais de uma década. As três espécies são endêmicas da Mata Atlântica nordestina.

Segundo os pesquisadores, há anos não ocorrem registros oficiais de visualização dessas espécies na natureza. O último registro da corujinha caburé-de-pernambuco foi feito há 24 anos. Já o gritador-do-nordeste foi visualizado em um único local em 2005 e descrito oficialmente apenas este ano. De 2005 para cá, a espécie nunca mais foi vista na natureza. A terceira ave possivelmente extinta, o limpa-folha-do-nordeste, foi descrito há 31 anos e visto pela última vez na natureza em 2011.

Região de endemismo ameaçada

As três espécies viviam em uma faixa de Mata Atlântica ao norte do rio São Francisco que abrange áreas de Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Conhecida pelo sugestivo nome de Centro de Endemismo Pernambucano (CPE), trata-se de uma faixa onde ocorrem centenas de espécies endêmicas que só são encontradas ali. De acordo com estimativas, o CPE possui 434 espécies, sendo 26 aves endêmicas da região.

Segundo os pesquisadores, a principal ameaça às 3 espécies é a perda de habitat resultado principalmente do avanço do desmatamento. “Acompanhamos as florestas ficarem cada vez menores e o número de indivíduos dessas três espécies diminuir até praticamente desaparecerem por completo”, afirma Luís Fábio Silveira, um dos autores do estudo.

Doutor em Ciências Biológicas pela USP e consultor da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, Silveira explica que pesquisadores estão atrás do registro da corujinha caburé-de-pernambuco há anos: “Registros documentados da corujinha incluem apenas a coleta de dois indivíduos, em novembro de 1980 a partir dos quais a espécie foi descrita e uma única gravação de som obtida em outubro de 1990 […]. Em 2001, no entanto, ornitólogos avistaram a espécie, mas não houve registro oficial. Por isso, considera-se que a caburé-de-pernambuco está potencialmente extinta”.

O limpa-folha-do-nordeste (Philydor novaesi). Foto: Ciro Albano

De acordo com o Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan), restam apenas 2% de pequenos fragmentos de florestas nativas de Mata Atlântica no nordeste. De acordo com  Emerson de Oliveira, coordenador de Ciência e Informação da Fundação Grupo Boticário, a criação de Unidades de Conservação (UCs) é uma estratégia importante para a proteção do que restou da fauna e flora da Mata Atlântica no Nordeste. “Uma das saídas para evitar a extinção de outras espécies é proteger o que sobrou dos remanescentes de Mata Atlântica, por meio da criação de áreas protegidas e corredores ecológicos que garantam a conexão entre elas”.

O estudo foi publicado em julho na revista científica ‘Papéis avulsos de zoologia’, do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP).

*Com informações da Assessoria de Imprensa da Fundação Grupo O Boticário de Proteção à Natureza.

 

Saiba Mais
Status of the globally threatened forest birds of northeast Brazil (Situação geral das aves de floresta do Nordeste do Brasil)

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  • Daniele Bragança

    É repórter especializada na cobertura de legislação e política ambiental. Formada em jornalismo pela Universidade do Estado d...

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Comentários 2

  1. MARLI ALVES PEREIRA VASCONCELLOS diz:

    Não entendo o porquê esconder o rosto do homem, adulto!! Ele mostrou a cara nas redes sociais!! É preciso identificar criminosos.


    1. JOCEMIR VIEIRA JUNIOR diz:

      Verdade.
      E um ano e seis meses é muito pouco pra esse tipo de crime!