![Caturritas ([i]Myiopsitta monachus[/i]) num ninho em Santiago, no Chile. Foto:](/wp-content/uploads/oeco-migration/images/stories/abr2015/12122010-caturritas.jpg)
Manaus, AM – Pesquisadores americanos descobriram que as caturritas ou cocotas (Myiopsitta monachus) da Europa e América do Norte são descendentes da mesma população. Trata-se de um periquito originário da América do Sul que invadiu essas longínquas bandas. Apesar da entrada nos dois continentes ao norte ter ocorrido em épocas diferentes, estudos genéticos demonstraram que os ancestrais das aves devem ter vindo da mesma região no Uruguai.
A caturrita é o caso único de psitacídeo que constrói o próprio ninho, de acordo com o site Wikiaves. Outras espécies da família preferem utilizar ocos de árvores ou buracos em barrancos. Os ninhos da caturrita são comunitários e chegam a um metro de diâmetro e 200 quilos de peso.
Existem quatro subespécies, que ocupam áreas que, de oeste a leste, vão desde os Andes até as regiões Sul e Sudeste de Brasil; e de norte ao sul, da Bolívia à Patagônia.
Os estudos demonstraram que as populações de caturritas da Europa e dos Estados Unidos têm diversidade genética inferior a da população sul-americana. Para os pesquisadores, esse resultado é incomum, pois a diversidade genética poderia oferecer uma chance maior de produzir indivíduos adaptados e que prosperem em novas áreas e condições.
“Uma possibilidade é que essas populações invasoras possam estar sob pressões de seleção semelhantes”, arrisca a bióloga Elizabeth Hobson, estudante de pós-doutorado do Instituto Nacional de Matemática e Síntese Biológica e uma das autoras do artigo. “A maior parte das populações invasoras é restrita a habitats urbanos e suburbanos que podem ter sido selecionados devido a características-chave que aumentaram a aptidão dos indivíduos nesses ambientes”.
As caturritas chegam em grande quantidade aos Estados Unidos no final dos anos 1960 e início dos anos 1970, quando foram importadas como animais de estimação. Se escaparam ou foram soltos, tanto faz. Adaptaram-se, reproduziram-se e estão se espalhando. Hoje a ave é encontrada em 14 estados americanos e apontada como potencialmente perigosa para o cultivo de cítricos na Flórida, embora os impactos até agora tenham sido pequenos. Em grandes cidades como Nova Iorque e Chicago, formam barulhentos bandos que podem ser ouvidos a grandes distâncias.
Saiba Mais
Edelaar P et. al. 2015. Shared genetic diversity across the global invasive range of the monk parakeet suggests a common restricted geographic origin and the possibility of convergent selection. Molecular Ecology.
Leia Também
O que é uma espécie exótica e uma exótica invasora
Visitantes indesejáveis
Se for exótica, “atire primeiro e pergunte depois”, diz Simberloff
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Conama discute revisão de regra para APPs e proteção de olhos d’água intermitentes
Revisão da Resolução 303/2002 será discutida nesta terça-feira; especialistas defendem que proteção de olhos d’água intermitentes seja mantida de forma expressa na norma →
Mundo precisa investir US$ 1,7 trilhão por ano para aumentar renováveis até 2030
Valor é quase três vezes superior ao investimento de 2025, segundo a Irena; 93 de 120 NDCs dependem total ou parcialmente de apoio internacional →
Deputado que propôs a derrubada do Parque Nacional do Albardão é reeleito no RS
Alceu Moreira, que entrou com um projeto de anulação da unidade de conservação do município de Santa Vitória do Palmar, foi o 5° candidato mais votado do estado para o cargo →
