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“Adote um ninho”: Conheça a campanha para a preservação dos papagaios brasileiros

Campanha busca incentivar a proteção dos papagaios por meio da construção de ninhos artificiais para suprir a falta de cavidades naturais, que estão diminuindo por conta do desmatamento

Bruna Martins ·
22 de outubro de 2021

O mês de outubro foi marcado pelo início da campanha Adote um Ninho, lançada pelo Programa Papagaio Brasil, que ocorrerá até março de 2022. Trata-se de uma ação que incentiva pessoas físicas e jurídicas a contribuir com a instalação, manutenção e o monitoramento de ninhos artificiais para papagaios das seguintes espécies brasileiras: papagaio-de-cara-roxa, papagaio-de-peito-roxo, papagaio-verdadeiro e papagaio-charão.

Elenise Sipinski, responsável técnica do Programa e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, explica que por conta do desmatamento e, consequentemente, a redução de áreas florestais onde seria possível a existência de ninhos naturais, essas espécies estão com dificuldade em encontrar locais adequados para a sua reprodução. A partir disso, foi sentida a necessidade da criação de ninhos artificiais para que a continuidade dessas espécies não seja ameaçada. 

“As espécies são monitoradas por especialistas há mais de duas décadas. Com muita pesquisa e conhecimento local, observamos que o desmatamento era uma das principais razões para a ausência de ocos adequados para a reprodução dos papagaios. Com isso, incentivamos a criação de Unidades de Conservação nas áreas de distribuição dos papagaios e também instalamos os ninhos artificiais para suprir a falta de cavidades naturais”, conta Sipinski.

A importância desse recurso é tamanha que, em determinadas regiões, se os papagaios não puderem contar com o artificial, eles precisam se deslocar em áreas muito distantes, podendo perder o período reprodutivo da espécie, acabar ocupando uma cavidade natural não adequada, perdendo os filhotes, ou até morrer procurando um espaço adequado.

Apoiada pela Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), a campanha, que acontece durante o período reprodutivo dessas aves (agosto a fevereiro), busca reforçar esta ação, possibilitando que pessoas do mundo inteiro possam contribuir com a preservação das espécies.

A adoção

Foto: SPVS

O processo de adoção de um ninho consiste em, primeiramente, escolher qual das quatro espécies gostaria de direcionar a ajuda financeira. Depois, será feito o direcionamento para uma página onde o doador pode ler mais sobre o papagaio escolhido, acessando informações sobre ele e sua área de ocorrência. A seguir, pode escolher o valor a ser transferido e realizar a adoção. As pessoas podem doar de R$ 1,00 a R$ 1 mil, ou até valores maiores se preferirem. Dependendo da quantidade, o doador pode receber benefícios, como um recibo especial com identidade da campanha, moldura para redes sociais, foto da espécie de papagaio, certificado com foto do ninho e localização (estado e cidade) e vídeo simples do ninho adotado.

Com a doação efetivada, os projetos destinam os recursos arrecadados à produção de novos ninhos artificiais, contratação de mão-de-obra para a instalação, custeio das ações de monitoração dos ninhos naturais e artificiais, continuidade das ações de pesquisa com as espécies, além de outras atividades que incluem a comunicação e a educação para a conservação dos papagaios em vida livre.

Nêmora Prestes, coordenadora do Programa Nacional de Conservação do Papagaio-de-peito-roxo e integrante da RECN, acredita no potencial da mobilização dessa campanha, afinal, os papagaios são animais carismáticos e conhecidos pela população brasileira: “Cada vez mais a sociedade tem entendido seu papel cidadão na conservação da biodiversidade. Adotar um ninho precisa ser visto como uma ação que garante futuro, um presente à nossa e às futuras gerações”, diz.

Filhote. Foto: SPVS
  • Bruna Martins

    Jornalista em formação pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM).

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Comentários 1

  1. Maria José diz:

    Aqui em minha casa tenho um casal da natureza qye foi adotado desde 2014. Eles chegam em Outubro e chocam no beiral da casa, onde fica o ninho. Todo ano nascem 2 filhotes. Ninguém mexe. Vão embora só final de Março. Eles sael para a mata 6h da manhã. 9h, 12h, 15h eles retornam ao ninho. Às 17:30 chegam para dormim. Chegam, observam e entram. Encontram segurança.
    Final de setembro abro a entrada do beiral. Final de março quando eles vão embora, fecho. E assim já se vão 8 anos.