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Bonito irá cobrar taxa ambiental diária de turistas a partir de dezembro

Taxa será de R$7 por dia e terá 80% do valor arrecadado destinado para ações de proteção e preservação do meio ambiente, em especial dos rios

Duda Menegassi ·
24 de novembro de 2022 · 1 anos atrás

Um dos destinos mais famosos de ecoturismo do Brasil, o município de Bonito, em Mato Grosso do Sul, começará a cobrar uma taxa de conservação ambiental dos turistas. Estipulada em R$7,00 por dia, a taxa tem como objetivo arrecadar fundos para ações de proteção e preservação do meio ambiente, em especial dos rios, como esclarece a Secretaria de Turismo, Indústria e Comércio de Bonito (Sectur). A cobrança, prevista em lei municipal desde o final do ano passado, passará a valer já a partir da próxima quinta-feira, dia 1º de dezembro. 

Conforme estabelecido na lei complementar nº 162/21, 80% do valor será destinado à conservação e manutenção das cabeceiras dos rios, nascente e afluentes, conservação de estradas vicinais de acesso aos atrativos de turismo, controle e prevenção de poluição, destinação final de resíduos sólidos e demais ações de conservação do meio ambiente. Os passeios nos rios de água cristalina são a marca registrada do turismo no município.

Os outros 20% arrecadados irão para saúde pública e para aquisição de equipamentos de assistência médica. Ainda de acordo com a legislação, os visitantes de longa permanência pagarão uma taxa diferenciada, no valor de R$60,00 para cada período de trinta dias. A cobrança será feita através de um voucher digital emitido pelas próprias agências de turismo.

O diretor de turismo da Sectur, Elias de Oliveira Francisco, acredita que a novidade não irá influenciar na tomada de decisão do visitante que se propõe a conhecer Bonito e que isso poderá, inclusive, contribuir positivamente para tomada de decisão. “A taxa ambiental é cobrada em outros destinos turísticos e é notório nos dias de hoje que o turista transforma de várias formas o ambiente que ele visita, tanto para geração de sua segurança na assistência médica ou pelos impactos ambientais gerados, ou seja, é uma contribuição pela consciência no ambiente que está inserido. Ele [o turista] irá contribuir para que o destino continue preservado e ele faz parte dessa ação social”, resume o diretor.

Atualmente no país, a taxa é cobrada em destinos como Fernando de Noronha (PE), arquipélago protegido por um parque nacional e uma área de proteção ambiental; e no município de Jijoca Jericoacoara (CE), onde também existe um parque nacional.

De acordo com o diretor da Sectur, “a expectativa de arrecadação nesse primeiro momento é baixa para as ações de curto prazo e poderá ser satisfatória nas ações de médio e longo prazo. Ou seja, as ações para preservação e conservação já acontecem e esses valores estarão disponíveis após um período satisfatório de arrecadação”. 

Ele afirma ainda que eventuais reajustes do valor precisarão sempre ser aprovados antes pelos vereadores.

  • Duda Menegassi

    Jornalista ambiental especializada em unidades de conservação, montanhismo e divulgação científica.

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