Notícias

Desmantelada mega quadrilha argentina de caçadores ilegais

A legalização da prática no país vizinho parece não ter dado cabo de gravíssimos crimes contra a vida selvagem

Aldem Bourscheit ·
9 de agosto de 2024 · 2 anos atrás

Chefes de uma empresa de “safáris de caça”, um comerciante de “troféus de caça” e um taxidermista foram presos esta semana, na Argentina, por crimes contra animais silvestres. Uma força-tarefa de órgãos policiais, judiciais e ambientais busca fugitivos e investiga conexões com países vizinhos.

Anos de investigações apontaram, entre outros delitos, que os envolvidos na bandidagem receberam milhares de caçadores para matar animais como onças-pintadas e pardas, capivaras, catetos e veados. Armas pesadas com silenciadores foram usadas.

Os caçadores envolvidos vinham principalmente dos Estados Unidos e da Europa, onde os safáris eram amplamente divulgados.

Um dos detidos esta semana e um “cliente” de safári de caça ilegal na Argentina. Foto: Brigada de Controle Ambiental da Argentina/Freeland/Divulgação

A operação seria a maior do tipo na história argentina e vasculhou ao menos 13 pontos no país vizinho, onde foram confiscados itens como carros, motocicletas, escrituras de propriedades rurais, inúmeros animais e troféus de caça. Uma onça-parda e três catetos foram resgatados.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



“A partir da análise de documentos, computadores e celulares apreendidos, certamente surgirão informações vitais para identificar os caçadores internacionais e o grau de participação que eles têm nessa organização”, disse a ((o))eco Emiliano Villegas, coordenador de Operações da Área de Fauna da Brigada de Controle Ambiental da Argentina.

A caça de certos animais é legalizada por alguns meses a cada ano na Argentina, mas em certos estados (províncias), como Santiago del Estero e Buenos Aires, espécies como as apreendidas esta semana não podem ser abatidas. Algumas são protegidas pela Cites, sigla em Inglês da Convenção sobre Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção.

“Além disso, o trânsito interjurisdicional e a exportação de troféus de caça de todas as espécies nativas estão proibidos desde 2022, pelo antigo Ministério do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável”, acrescenta Villegas.

Diretora da ong Freeland para a América do Sul, Juliana Ferreira analisa que a operação foi “impressionante em qualquer escala” e comemora o esforço argentino para derrubar “essa notória organização criminosa”. A entidade apoiou as investigações e a capacitação de agentes no combate aos crimes.

Confira mais informações no comunicado da Freeland.

  • Aldem Bourscheit

    Jornalista cobrindo há mais de duas décadas temas como Conservação da Natureza, Crimes contra a Vida Selvagem, Ciência, Agron...

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Salada Verde
14 de novembro de 2023

O retorno da vida selvagem na Argentina

Rewilding no país que já trouxe de volta a onça-pintada, ariranha e arara-vermelha para locais onde haviam sido extintas. Iniciativa é tema de livro disponível em português

Salada Verde
1 de julho de 2019

MPF denuncia grupo que matou mais de mil onças-pintadas no Acre

Justiça Federal já aceitou a denúncia contra caçadores ilegais que atuavam no interior do estado. Grupo responderá por caça e uso de armas de fogo sem permissão

Salada Verde
8 de agosto de 2024

Aparando pontas do tráfico mundial de vida selvagem

Medidas adotadas por três países podem dificultar esse comércio ilegal que tanto ameaça à biodiversidade

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Comentários 1

  1. Asafe diz:

    A caça como suporte de proteínas para nativos é uma coisa;
    A comunicação de ani.ais silvestres de criadores autorizados é outra coisa;
    A caça esportiva sem amparo legal é outra coisa. As de proteção a fauna Silvestre são brandas. Então, no meu entender com tantos recursos, tecnologia e corpo técnico – esse investimento não deve ser punido com se estivesse chovendo no molhado ( tantos esforço para parcos resultados) ou mesmo nenhuma punição! Reitero, o monitoramento sistemático na Escala 365X24, em um primeiro poderia funcionar como método. Mas depois precisaria evoluir para filosofia!