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Eleição de Nikolas Ferreira revela impacto ambiental do bolsonarismo em Minas Gerais

Deputado federal mais votado do país, em 2022, é um forte defensor do avanço da mineração e votou contra proteção de área de Mata Atlântica

Débora Pinto ·
7 de outubro de 2022

Nikolas Ferreira (PL) foi o deputado federal com melhor desempenho nas eleições de  2022 no país, angariando aproximadamente 1,492 milhões de votos.  Aos 26 anos, tornou-se ainda o deputado federal mais votado da história de Minas Gerais, porém não ultrapassou a votação histórica de Enéas, em 2002 – com 1,573 milhões, nem de Eduardo Bolsonaro, em 2018, com 1,843 milhões de votos e que na época herdou o número de Tiririca, 2222, que no pleito de 2010 teve 1.353 milhões com o uso do bordão: “Pior do que tá não fica, vote no Tiririca”. 

Ferreira, que é formado em Direito, já havia conquistado a segunda maior votação em Belo Horizonte, onde ocupava desde 2021, o cargo de vereador. A primeira maior votação à época foi da então vereadora Duda Salabert (PDT), sua antagonista, com 37.613 mil votos e que também migrou do legislativo municipal mineiro para a Câmara dos Deputados Federais.

O trabalho de Nikolas Ferreira como vereador foi marcado pela  defesa constante do avanço da mineração, com destaque para o controverso projeto da exploração minerária da Serra do Curral, na região metropolitana da capital mineira.

Serra do Curral avistada de BH. Foto: André Jean Deberdt

Já o Projeto de Lei 1050/2020, aprovado em outubro de 2021, e que reconhece o valor ecológico, paisagístico, cultural e comunitário da Mata do Planalto – uma das únicas áreas verdes remanescentes da Região Norte de BH,  com aproximadamente de 200 mil m² de Mata Atlântica e mais de 20 nascentes – contou com voto negativo por parte de Nikolas Ferreira na câmara municipal. A empresa Direcional Engenharia tinha interesse em construir no local um empreendimento residencial de grande porte, o que levaria ao desmatamento de aproximadamente de 30% da área. 

Segundo o MapBiomas, Minas Gerais teve um recorde de perda de áreas naturais na Mata Atlântica e no Cerrado nos últimos anos, embalada pelos crimes ambientais de Brumadinho e Mariana. 

Conservadores 

O deputado federal recordista de votos nestas eleições conta, além do apoio público de Jair Bolsonaro, com aliados da jovem onda conservadora consolidada em Minas Gerais, como o  campeão de votos no legislativo estadual  Bruno Engler (PL). Com  637.412 votos, Engler chegou ao seu segundo mandato. 

Em 2015, ele foi um dos fundadores do Movimento Direita Minas, que se dedica à promoção e defesa de  valores considerados conservadores, como a família tradicional e o acesso a armas. Com coletivos espalhados em dezenas de cidades em diferentes regiões do estado, o movimento se denomina como um Quartel General de Bolsonaro.

Atualmente, o Direita Minas é coordenado por Nikolas Ferreira que se coloca publicamente contra toda a forma de manifestação progressista. Os membros do movimento se denominam bolsonaristas “raiz” e contaram com o incentivo do deputado Eduardo Bolsonaro (PL) para se lançarem à representatividade política. 

O alinhamento de Minas Gerais com Bolsonaro para o segundo turno se estende com o apoio declarado pelo governador reeleito Romeu Zema (Novo) e do senador eleito Cleitinho Azevedo (PSC). Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do país, menor apenas do que São Paulo.  No primeiro turno, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contou com 48,29% dos votos válidos  e Jair Bolsonaro (PL) com 43,60% no pleito para o executivo.

A equipe de Nikolas Ferreira foi procurada por ((o))eco para comentar sobre sua atuação na área de meio ambiente em Belo Horizonte e seus planos para as políticas ambientais no Congresso, mas não recebeu resposta até o fechamento desta matéria.

  • Débora Pinto

    Jornalista pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero, atua há vinte anos na produção e pesquisa de conteúdo colaborando e coordenando projetos digitais, em mídias impressas e na pesquisa audiovisual

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Comentários 1

  1. Por favor insistam com o Deputado eleito para manifestar sua versão sobre os fatos narrados na notícia. Afinal, toda história tem dois lados e o jornalismo sério deve se comprometer em mostrar as duas versões.