O nascimento de um novo filhote de harpia em reserva particular do sul da Bahia, há cerca de duas semanas, foi comemorado no meio científico e considerado marco para a conservação da espécie. Este é o único ninho conhecido com filhote em toda a Mata Atlântica neste ano.
O nascimento foi registrado na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Estação Veracel, que fica entre Porto Seguro e Eunápolis, no extremo sul do estado. Foi lá também que o primeiro ninho de harpia (Harpia harpyja) foi identificado em toda Mata Atlântica, em 2005. Em 2018, outros dois ninhos foram localizados na Estação, ambos com filhotes.
O nascimento da ave agora em 2026 marca um momento relevante para a conservação da espécie. Desde 2018, apesar de as harpias monitoradas geralmente retornarem aos mesmos ninhos para reprodução, os casais vinham apenas reformando as estruturas, sem sucesso reprodutivo.
Além da relevância para a espécie, o nascimento do filhote indica outros ganhos ambientais. “A harpia é extremamente exigente em relação à qualidade do habitat. Ter um filhote ativo no Corredor Central da Mata Atlântica é algo extraordinário, pois demonstra que ainda existem áreas de floresta com condições ecológicas capazes de sustentar uma espécie tão sensível e rara, o que nos enche de esperança de que possamos evitar sua extinção na região”, afirma Aureo Banhos, coordenador do Projeto Harpia Mata Atlântica.
O filhote recém-nascido será monitorado à distância, inicialmente. Havendo possibilidade, aos seis meses ele passará a ser acompanhado com uso de GPS. O monitoramento deste e de outros indivíduos na reserva visa à geração de dados para aperfeiçoamento de estratégias e políticas públicas de proteção da espécie.
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