Salada Verde

Na Mata Atlântica, filhote de harpia ganha rastreamento inédito por GPS

Sinalização por satélite acompanhará em tempo real o voo da maior águia das Américas, no bioma mais ameaçado do Brasil

Aldem Bourscheit ·
15 de setembro de 2025
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente

Um macho de harpia com cerca de 2 anos recebeu um transmissor GPS alimentado por energia solar, no Parque Nacional do Pau-Brasil, em Porto Seguro (BA). É o primeiro registro de monitoramento da espécie com essa tecnologia na Mata Atlântica, um passo considerado histórico para sua conservação.

O equipamento envia dados diários em tempo real sobre os movimentos do animal. Isso demonstrará como o filhote usa o território, rotinas de voo e tendências da “dispersão”, quando jovens se afastam dos pais buscando áreas próprias. Tais dados são cruciais em biomas muito fragmentados.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Nesse sentido, os primeiros traçados enviados pelos satélites mostram que o filhote está ativo e saudável, sinal de que a tecnologia pode se tornar uma aliada poderosa para proteger não só a ave, mas todo o ecossistema ao qual ela e outros animais e plantas pertencem.

O aparelho foi instalado este mês por uma equipe do Projeto Harpia Mata Atlântica, coordenado pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e apoiado por ICMBio, ongs e instituições científicas. 

Maior águia das Américas, a harpia precisa de florestas contínuas, monta seus ninhos em árvores com mais de 30 m de altura e se alimenta de mamíferos como preguiças e macacos. Os adultos começam a reproduzir a partir dos seis anos e têm apenas um filhote a cada três anos. 

Além dessa recuperação natural lenta, a possante ave enfrenta outros desafios em todas as regiões onde ainda vive, como desmatamento, caça e incêndios.

Saiba mais aqui sobre o acompanhamento do filhote com GPS.

  • Aldem Bourscheit

    Jornalista cobrindo há mais de duas décadas temas como Conservação da Natureza, Crimes contra a Vida Selvagem, Ciência, Agron...

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Notícias
28 de dezembro de 2012

O voo cada vez mais raro da Harpia ou Gavião-real

A ave de rapina que pela força e velocidade inspirou brasões militares, hoje se limita a uma fração do terrritório em que já reinou. Foto: Nivaldo Arruda/Flickr

Análises
2 de fevereiro de 2020

Crônica de uma reintrodução de Harpia

Filhote se mostra pouco empolgado em sair voando após período de 4 meses enjaulado. Sem problemas, ele tem dois anos para aprender a se virar sozinho

Reportagens
5 de agosto de 2021

A curiosidade (dos outros) matou a harpia

Pesquisa realizada no norte de Mato Grosso registrou 148 abates de harpias em apenas dois anos por moradores rurais “curiosos” em ver de perto a maior ave de rapina do Brasil

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.