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Organizações pedem para que Biden não assine acordo com Bolsonaro: “É endosso à tragédia”

Em carta, 199 organizações brasileiras alertam presidente americano sobre risco de negociação a portas fechadas com representantes do governo brasileiro

Daniele Bragança ·
6 de abril de 2021

O Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, a Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável, o Instituto Democracia e Sustentabilidade e mais 196 organizações da sociedade civil assinam uma carta endereçada ao governo americano pedindo para que Joe Biden não coopere com o governo brasileiro, mandando recursos financeiros e apoio político ao governo de Jair Bolsonaro. 

“As negociações ocorrem longe dos olhos da sociedade civil, que o presidente brasileiro já comparou a um “câncer”. O governo brasileiro comemora tais negociações, que envolveriam recursos financeiros. O presidente americano precisa escolher entre cumprir seu discurso de posse e dar recursos e prestígio político a Bolsonaro. Impossível ter ambos”, diz a carta.

Quando era candidato, Biden mencionou que levantaria 20 bilhões de dólares para a Amazônia. Após ser eleito, o governo americano tem mantido conversas reservadas com as autoridades brasileiras, principalmente com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Para as organizações, o presidente americano parece não ter percebido o risco que o atual governo traz para os direitos humanos, a democracia e o meio ambiente.

“O líder extremista do Brasil justificou o putsch de 6 de janeiro nos EUA repetindo as mentiras de Donald Trump sobre fraude na eleição. Dentro de casa, ele ataca os direitos humanos e a democracia. Cooperar com tal governante seria um ato inexplicável”, afirmam.

Um acordo entre Brasil e EUA deverá ser anunciado na cúpula sobre o clima convocada por Biden para os próximos dias 22 e 23. Há forte rumor sobre o acordo envolver transferência de recursos para o Brasil.

“Não é razoável esperar que as soluções para a Amazônia e seus povos venham de negociações feitas a portas fechadas com seu pior inimigo”, afirmam os signatários. 

Leia a carta na íntegra.

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