Notícias

Pesquisador brasileiro ganha prêmio da Sociedade Americana de Primatologia

Primatólogo Felipe Ennes Silva, pesquisador associado do Instituto Mamirauá, foi reconhecido por contribuições à ciência, com destaque para trabalho com uacaris na Amazônia

Duda Menegassi ·
25 de junho de 2026

O brasileiro Felipe Ennes Silva, primatólogo e pesquisador associado do  Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, foi reconhecido por suas contribuições à ciência pela American Society of Primatologists (Sociedade Americana de Primatólogos, em tradução livre). A premiação, realizada na última semana, destaca a pesquisa do brasileiro para compreender a ecologia, evolução e colaborar com a conservação dos uacaris na Amazônia brasileira.  

O prêmio de Early Career Achievement é dado em reconhecimento ao trabalho excepcional de pesquisadores cujo doutorado não tenha ocorrido há mais de sete anos. 

Gaúcho, Felipe formou-se em Ciências Biológicas em 2005 na PUC-RS, instituição para a qual ele voltou, três anos depois, para buscar o diploma de mestre em zoologia conquistado em 2010. O título de doutorado, porém, viria apenas uma década depois. Como ele próprio destaca, sua carreira acadêmica não seguiu uma linha reta.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



“Eu acabei minha graduação e fiquei três anos trabalhando numa escola pra ensino de jovens e adultos, até entrar para o mestrado. Aí trabalhei como consultor ambiental, para entender o impacto da mineração na ecologia e comportamento do guariba-de-mãos-ruivas (Alouatta belzebul), no Pará. E depois eu fui para o Instituto Mamirauá”, descreve Felipe.

Na esquerda, Felipe Ennes Silva recebe a placa comemorativa pelo prêmio. Foto: Acervo Pessoal

No instituto, onde desembarcou em 2012, o primatólogo debruçou-se sobre os uacaris calvos (Cacajao sp.), macacos de distribuição restrita à Amazônia, buscando entender melhor sua diversidade, ecologia, comportamento, sua história evolutiva e as principais ameaças para sua conservação, em especial os impactos da crise climática.

Foi justamente o mergulho na história dos uacaris calvos que levou o primatólogo em 2016 a começar o doutorado em Biologia Evolutiva pela University of Salford, na Inglaterra. Além do título, Felipe foi premiado com a Napier Memorial Medal da Primate Society of Great Britain como melhor tese de doutorado em primatologia no Reino Unido entre os anos de 2020 e 2022.

“Eu costumo dizer que minha carreira foi navegando numa neblina, na medida que eu fui visualizando as coisas, elas foram acontecendo. Minha carreira não seguiu um protocolo. Mas mesmo nessa caminhada irregular, eu fui dando minhas contribuições e acho que o prêmio vem reconhecer isso. E eu sou muito grato às instituições que me ajudaram nessa carreira e eu tento retribuir isso gerando dados e contribuindo pro conhecimento dentro da primatologia”, destaca o primatólogo.

Atualmente como pesquisador associado do Instituto Mamirauá, Felipe integra o grupo de pesquisa em Biologia e Conservação de Primatas e segue comprometido em compreender melhor os uacaris e outros primatas amazônicos que ocorrem na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Mamirauá, no Amazonas. Além disso, é professor assistente na New York University (NYU).

O brasileiro é membro ainda do Primate Specialist Group da IUCN e do Primate Conservation Sequencing Consortium, e também integra o conselho editorial da American Journal of Primatology e do Endangered Species Research.

  • Duda Menegassi

    Jornalista ambiental especializada em unidades de conservação, montanhismo e divulgação científica.

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Notícias
6 de julho de 2026

Pantanal brasileiro perdeu cerca de 80% da água superficial em 40 anos, aponta pesquisa

Estudo inédito mostra que o bioma sofreu uma redução de cerca de 80% da água superficial desde 1985, comprometendo a biodiversidade e serviços ecossistêmicos essenciais

Salada Verde
6 de julho de 2026

Pesquisadora especialista em tamanduás morre em acidente aéreo no Pantanal

A alemã Lydia Möcklinghoff se dedicava há mais de 20 anos ao estudo do tamanduá-bandeira no Pantanal. Ela e o piloto morreram com queda de avião em Campo Grande

Análises
6 de julho de 2026

Encontro com os Encantados de Olivença, na Bahia

O que começou como um passeio de bicicleta até Olivença terminou em uma imersão na cultura Tupinambá, entre arte, território, ancestralidade e luta por reconhecimento

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.