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Unidades de Conservação no Amapá estão sem segurança

O atual  contrato de vigilância patrimonial foi encerrado e, mesmo, uma nova licitação feita, não há data para o serviço voltar a funcionar.

Daniele Bragança ·
14 de julho de 2016 · 6 anos atrás
Base operacional da Floresta Nacional do Amapá. Foto: Rayssa Barros/Wikiparques
Base operacional da Floresta Nacional do Amapá. Foto: Rayssa Barros/Wikiparques

No dia 25 de maio, bandidos invadiram um depósito do Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, no município de Serra do Navio, a 140 km de Macapá. O ataque custou grande parte do equipamento usado na gestão da unidade de conservação: 7 motores de popa, 2 motosserras, 1 motobomba e uma embarcação. Não havia ninguém no local. Os quatro vigilantes que deveriam fazer a segurança da área faltaram no dia do incidente, decisão tomada após meses de atrasos no pagamento.

A situação piorou a partir do dia 17 de junho, quando o contrato com a empresa Vigex foi encerrado. Ela empregava todos os vigilantes de 6 das 7 áreas protegidas federais no estado. O ICMBio explica que a empresa não cumpriu com as exigências fiscais perante a Receita Federal, o que “impede legalmente a assinatura de contrato”.

Uma licitação foi realizada, mas uma empresa que foi desclassificada entrou com um mandato de segurança. Enquanto o juiz avalia a ação, o processo de contratação está suspenso. O órgão ambiental informou que está atuando para regularizar a contratação. Ainda não existe data para o serviço ser restabelecido.

Problema generalizado

O mesmo ocorre em outras 6 unidades do estado: o Parque Nacional Cabo Orange, o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, a Reserva Biológica Lago Piratuba, a Estação Ecológica Maracá-Jipioca, a Floresta Nacional do Amapá e a Reserva Extrativista Rio Cajari. Juntas, elas correspondem a 40% do território do estado.

Nem mesmo o Núcleo de Gestão Integrada, com sede em Macapá, está seguro. É neste centro que os analistas ambientais de todas as unidades do Amapá trabalham diariamente e onde ficam concentradas as papeladas de multas, embargos e processos referentes às áreas protegidas.

Analistas expostos

Segundo analistas ambientais do Amapá ouvidos por ((o))eco, a situação que já era precária, agora ficou insustentável.

“Sem vigilantes, ficamos expostos e não conseguimos fazer nosso trabalho”, explica Cassandra Oliveira, analista ambiental. Para não suspender os trabalhos realizados, a equipe de Tumucumaque conta com a ajuda de outras unidades de conservação do ICMBio, que emprestam equipamentos para que possam ir a campo. A unidade perdeu 8 vigilantes e tem duas bases de campo ameaçadas.

Os analistas sabem que essa ajuda temporária não durará para sempre: outras unidades também estão vulneráveis. Já houve tentativa de arrombamento de um depósito que pertence a Floresta Nacional do Amapá. Servidores do ICMBio estão se virando para conseguir que as atividades de pesquisa não sejam prejudicadas por causa do fim do contrato.

“O esforço na Flona é para atender os pesquisadores e não perder as informações que eles coletam”, afirma o analista Érico Emed Kauano, chefe da unidade. A base de campo da área protegida é vigiada por um funcionário de limpeza terceirizado.

“O que está acontecendo no Amapá não é exclusividade daqui, as unidades do país inteiro estão sofrendo com escassez de recursos que dificultam a realização do nosso trabalho”, explica Érico.

 

 

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  • Daniele Bragança

    É repórter especializada na cobertura de legislação e política ambiental. Formada em jornalismo pela Universidade do Estado d...

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Comentários 12

  1. Gisele diz:

    Realmente, com esse presidente e diretora de volta, só falta a ColibriC5 pra voltarmos de vez a 2009…afffff


  2. Box 2 diz:

    A "nova-velha" Diretora da Diplan vai dar um jeito nisso kkkkkkkk


    1. Everardo diz:

      É verdade! #voltamáquinadecafé


      1. AAdaSede diz:

        Hahaha…excelente "inside joke"! Mas daí as "pontas" iam pirar de vez!!!


  3. Allyson diz:

    Mais um motivo pra DELETAR o ICMBio e RESETAR a gestão das UCS Federais!


  4. Marcelo diz:

    A má gestão PTista levou a isso. Estado quebrado.


    1. mwf diz:

      Se fosse só o PT era tão fácil….vamos ter um visão mais holística das coisa que nos levaram ao atual cenário de nosso país


  5. mwf diz:

    Problema generalizado, em Altamira onde há o escritório que gere quase 5 milhões de hectares também está sem vigilantes, nem faxineira. Puro descaso com um órgão que tem responsabilidade por nossas áreas protegidas!!! Meio ambiente não vale nada pros nossos "governantes"


  6. tche diz:

    Q TAL IREM P RUA PEDIR O FORA TEMER, pois pelo q sei as coisas pioraram com ele no peder!!! OU VÃO POUPA-LO, E O PAÍS Q SE DANE???


    1. Massa de Manobra Jr. diz:

      Golpe! Fora Temer! Dilmãe! Lacra 13! Volta Dilma! CIA! FBI! Fascistas! Racistas! Imperialistas! Taxistas!! Recepcionistas! Motoristas! Não passarão!


      1. Ebenezer diz:

        Hahaha…hj em dia leio o Eco só pelos comentarios!!!


  7. AAI diz:

    Mesmo nas UCs onde ainda há vigilância, o número de postos/vigilantes vem sendo drasticamente reduzido em todo o país, há algum tempo!
    Postos de limpeza igualmente. Mutos servidores, para poder trabalhar, se encarregam da limpeza de seus locais de trabalho.
    Serviços administrativos terceirizados também cortados! Sem falar em combustível etc.
    Estamos numa situação de penúria total! Bom se a mídia começasse a divulgar isso tudo!