Reportagens

Idéia ilegal

Assembléia Legislativa do Mato Grosso do Sul diz que projeto de Zeca do PT sobre usinas de álcool nas bordas do Pantanal fere as Constituições do país e do estado

Carolina Elia ·
23 de novembro de 2005 · 20 anos atrás
Foto: Assembleia Legislativa MS/Flickr.

O governador do Mato Grosso do Sul, Zeca do PT, terá que mudar as leis do Brasil se quiser instalar usinas de açúcar e álcool no Pantanal. Na terça-feira, dia 23, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembléia Legislativa do estado concedeu, por unanimidade, parecer contrário ao projeto. Por um motivo simples: a proposta é ilegal. Fere as constituições do país e do Mato Grosso do Sul e promete empregos que não poderão ser assegurados.

O relator do parecer, o deputado e advogado Roberto Orro, se deteve aos aspectos jurídicos do Projeto de Lei Nº. 170/05, que foi posto em xeque depois do suicídio do ambientalista Francisco Anselmo de Barros em protesto a uma possível aprovação do PL. Foi o suficiente para evidenciar que a questão ambiental foi atropelada pelos idealizadores do projeto.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



As usinas seriam implantadas na Bacia do Alto Paraguai, que regula o sistema hídrico do Pantanal. Um ecossistema considerado Reserva da Biosfera, sítio do Patrimônio Mundial Natural e, portanto, Patrimônio Nacional. O que exige respeitar as leis federais que determinam a necessidade de se proteger a área, de se elaborar um plano de zoneamento econômico-ecológico para a região e de se submeter, como qualquer projeto de utilização do Pantanal, ao Ibama. Mas nada disso foi feito.

Pelo Projeto de Lei, os licenciamentos das usinas seriam aprovados pelo Instituto de Meio Ambiente do Pantanal (IMAP), que como o próprio parecer da CCJ explica, não é o instrumento técnico competente para trazer segurança ambiental para toda a Bacia do Alto Paraguai. Com um agravante: a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMA) não participou da elaboração do projeto. O PL Nº. 170/05 também ignora a inexistência de um plano de zoneamento econômico-ecológico para o Pantanal, que seria o primeiro passo para aproximar o projeto da legalidade.

Após o projeto ter sido vetado na CCJ, dois integrantes da comissão, os deputados Onevan de Matos e Roberto Orro, pediram para serem incluídos no orçamento estadual de 2006 recursos para a criação do Programa de Zoneamento Ecológico-Econômico do Mato Grosso do Sul. Na semana que vem, os deputados estaduais vão votar o PL, mas dificilmente o projeto do governador será aprovado depois de sua ilegalidade ter sido revelada pelo próprio legislativo.

Como conclui o parecer, “nunca é demais mencionar que o desenvolvimento a qualquer custo, a qualquer preço, felizmente é obra do passado, lá devendo permanecer”. Para ler o documento na íntegra, clique aqui.

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Salada Verde
25 de abril de 2026

O dia em que a ciência lotou um teatro

Lançamento de um painel científico global que contará com mais de 400 pesquisadores para acelerar saída dos combustíveis fósseis teve risos, aplausos e plateia atenta

Salada Verde
24 de abril de 2026

Clima avança no papel, mas estados falham na execução, aponta estudo

Anuário mostra que, apesar de progressos, desigualdades entre estados, gargalos institucionais e falta de adaptação ampliam riscos e prejuízos diante de eventos extremos

Notícias
24 de abril de 2026

Conferência sobre fim dos fósseis aposta em “coalizão de ação” fora da ONU

Fora do formato das COPs, encontro aposta em coalizão de países para avançar na implementação da agenda climática

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.