Originalmente, ele foi pensado para fazer completa justiça ao seu nome. Criado em 1981, o Parque Nacional do Pantanal Mato-grossense começou a ser desenhado na cabeça da burocracia ambiental brasileira em fins da década de 70 e o plano era estabelecê-lo juntando principalmente duas imensas fazendas de gado na região. A do Caracará, do carioca João Borges, já naquela época completamente alagada pelas águas que vieram com a grande cheia de 1974, e a do Acurizal. Seu dono era o paulista Horácio Coimbra, amigão do então ministro da Fazenda Delfim Neto e proprietário de um banco e de uma fábrica de café solúvel que atendiam pela mesma marca, Cacique. Ao contrário da propriedade vizinha, a maior parte do Acurizal resistiu à subida das águas de 1974.
Espaços para crescer
“Estamos em estudos para ver o que pode ser feito e o que é mais viável, se é incorporar áreas ao Parque ou criar um Parque novo, adjacente”, diz Brant sem dar muita pista do que poderá acontecer. A razão é simples. Depois de 24 anos de serviço público, ele sabe muito bem que aquilo que é tecnicamente recomendável nem sempre é politicamente aceitável. A área no entorno do Parque tem baixíssima densidade populacional, mas está em mãos privadas. Ampliar a área de conservação custa dinheiro, uma mercadoria escassa em órgãos como o Ibama. “É muito difícil prever o que pode sair desse novo levantamento”, diz Brant. Seja lá o que vier, o fato é que mesmo nos seus 135 mil hectares atuais, a maioria alagada, o Parque Nacional do Pantanal Mato-grossense é uma jóia rara da natureza.
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