Reportagens

Parte 3 – O cientista e o fazendeiro

Em mais um relato sobre a produção do filme de Jean Michel Costeau, Plínio Ribeiro mostra as dinâmicas econômicas da região através dos olhos de um produtor e um pesquisador.

Plínio Ribeiro ·
10 de março de 2008 · 16 anos atrás

Apesar da chuva que caía nos dias anteriores, a estrada que liga a fazenda Bacaeri ao município de Alta Floresta estava em boas condições. Não é asfaltada, mas é uma boa estrada de fazenda. Alta Floresta é um dos últimos municípios do norte do Mato Grosso, já bem perto da divisa com o Pará. Por aqui passa o chamado “arco do desmatamento”, que nada mais é que o caminho por onde avança a nova fronteira agrícola no Brasil. Entrando cada vez mais em território amazônico, ocupando áreas de floresta e deixando para trás outras tantas abandonadas.

Já havia subido naquela torre enquanto ainda realizava o levantamento de informações e logística para o documentário. Daquela vez fui guiado por Alexandre Santos, que na época era meu vizinho em Manaus. Passamos mais de duas horas juntos no topo da torre. Enquanto ele fazia sua coleta semanal dos dados acumulados com um pequeno laptop, ele me explicava as razões do projeto e as últimas descobertas científicas. Era 23 de Agosto de 2006 e poucas semanas depois Alexandre se tornou um dos 155 passageiros do vôo da Gol que colidiu com outra aeronave entre Manaus e Brasília. De alguma maneira fica aqui minha homenagem ao jovem cientista.

  • Plínio Ribeiro

    Plínio Ribeiro é formado em administração de empresas e economia pelo IBMEC, em São Paulo.Trabalha há um ano no IPÊ – Institu...

Leia também

Notícias
15 de julho de 2024

Reforma tributária: Brasil perde chance de colaborar com meio ambiente, diz organização

Na primeira grande regulamentação da Reforma Tributária, Congresso deixa de sobretaxar produtos nocivos ao meio ambiente

Reportagens
15 de julho de 2024

Na Amazônia, o fruto que alimenta há milhares de anos encara a ameaça das mudanças climáticas

O açaí está na base do prato para muitas populações amazônicas, mas com colheitas reduzidas por causa das mudanças climáticas, comunidades encaram uma perda que é alimentar, cultural e econômica

Colunas
15 de julho de 2024

Pensando como ancestrais para salvar o planeta

Para pensar de forma ancestral, o Brasil terá que abandonar nocivas ilusões petroleiras e a destruidora ambição do agronegócio predador

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.