O cálculo sobre as emissões de gases de efeito estufa de um país depende de fatores que podem tornar o resultado mais ou menos conveniente. Se for contabilizada a responsabilidade dos países importadores de produtos que, para serem feitos, demandaram altas emissões de CO2, a geografia do aquecimento global sofre algumas alterações. Atualmente, os inventários informados à Organização das Nações Unidas consideram apenas as emissões produzidas em cada país.
Sendo tudo uma questão relativa de interpretação, o Instituto Carnegie de Ciencias, nos Estados Unidos, divulgou um relatório mostrando que 23% das emissões globais de gás carbônico (6.2 gigatoneladas, em 2004), foram resultado da fabricação de produtos comercializados internacionalmente. A maior parte proveniente da China e de países emergentes para alimentar os mercados ricos. Os europeus, por exemplo, importam quase duas vezes mais carbono per capta do que os americanos. De acordo com o estudo, o europeu é responsável em média por acrescentar mais de 4 toneladas de CO2 na atmosfera no processo de manufatura de bens importados de outros países.
Segundo um dos autores, o pesquisador Ken Caldeira, se a intenção é entender a ‘pegada’ das emissões, é preciso levar em conta que outros estão emitindo por causa do consumo dos países ricos, em bens e serviços, subsidiando seu estilo de vida.
O estudo leva em consideração emissões até 2004. Mas está prevista a divulgação de uma nova pesquisa, desta vez desenvolvida pelo Centro Internacional de Clima e Pesquisa Ambiental de Oslo, na Noruega, que analisa as emissões de consumo até 2008, mostrando ainda como a geografia das emissões mundiais tem mudado desde 1990. Um dos resultados dessa análise mais recente aponta que os americanos voltam a liderar as emissões globais porque embora a China tenha superado os Estados Unidos na liberação de gases dentro de seu território, em 2006, considerando as importações americanas e os padrões de consumo, eles continuam poluindo muito mais. Levando em conta as importações e as exportações americanas de dois anos atrás, as emissões do país aumentaram cerca de 10% comparadas às suas emissões territoriais. Enquanto isso, as emissões chinesas diminuiram cerca de 20% no mesmo período, conforme a pesquisa. A notícia foi publicada na New Scientist.
No mês passado, esta mesma publicação científica já havia noticiado que o governo britânico estava relutente em reconhecer um estudo que mostrava que suas emissões haviam aumentado 13,5% entre 1992 e 2004 (por causa das importações de bens de consumo), quando os dados oficiais diziam que no período tinha acontecido uma redução de gases de 4.6%.
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Pesquisa revela bactéria de mamíferos em piolho de ave marinha
Achado inédito em ave migratória sugere novas rotas de circulação de patógenos entre oceanos e amplia lacunas sobre a ecologia de bactérias associadas a mamíferos →
Inscrições abertas para mestrado em Desenvolvimento Sustentável na UFRRJ
As inscrições para o Mestrado Profissional estão abertas e vão até o dia 24 de abril. Serão disponibilizadas 20 vagas e as aulas serão presenciais no Rio →
Qualidade da água na Mata Atlântica estagna e pontos com nível “bom” despencam
Relatório da SOS Mata Atlântica mostra piora discreta, mas persistente, nas águas do bioma. Também averiguou que nenhum rio apresentou qualidade ótima em 2025 →
