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José Serra: “Eu sou ambientalista”

Candidato do PSDB diz que poderá conciliar a disputa entre as causas do setor agropecuário e dos ambientalistas. E que governo tratará do Código Florestal.

Redação ((o))eco ·
12 de agosto de 2010 · 16 anos atrás

Após as entrevistas de Marina Silva e Dilma Rousseff aos jornais Nacional e ao Jornal das Dez da Rede Globo, foi a vez do candidato à presidência José Serra do PSDB. Nessa quarta-feira, o tucano pode evidenciar suas opiniões, metas e planos para sua candidatura. Serra diz olhar para o futuro e concentrar-se em arrumar erros e perpetuar ações benéficas para o país, sem desmerecer ou criticar governos anteriores. O candidato confirmou sua escolha para Vice-Presidente, o deputado Índio da Costa do DEM, seu principal aliado e sobre suas alianças com o PTB.

Quando questionado sobre seu posicionamento paradoxal de apoio mútuo ao ambientalismo e ao desenvolvimento agrícola do país, o candidato responde que não possui essa ambiguidade em sua política e não se considera uma pessoa duas caras fazendo políticas polarizadas, além de acreditar em um caminho do meio, que alie as duas questões, de produção e desenvolvimento e meio ambiente.

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“Eu posso ter vários defeitos políticos, mas não tenho duas caras. Eu costumo dizer que tenho uma cara feia, muitos acham, muitos não acham, mas pelo menos tem uma vantagem, ela é uma só. Eu não faço um discurso lá e um acolá. Eu acredito tanto nessa combinação que eu coloquei na Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo alguém mais afeito à agricultura, um proprietário rural, o Chico Graziano e nós fizemos um trabalho ambiental lá avançadíssimo. E eu dou um exemplo, o problema da queimada de cana, São Paulo estava queimando toda a cana da colheita, 2 milhões e meio de hectares de queimada infectando o meio ambiente todo em todo o interior do Estado. Nós fizemos um acordo com os produtores, um protocolo que está cumprido reduzindo em 1 milhão de hectares”.

Esse posicionamento de Serra ainda não lhe dá uma opinião firme e clara sobre suas ações para o meio ambiente brasileiro. Em relação ao Código Florestal, por exemplo, o candidato se coloca contra a discussão da questão em época de eleição, porém afirma que em seu governo o assunto será tratado com rapidez. “A minha posição clara é que não dá para discutir agora, no meio de uma campanha eleitoral, uma loucura, foi um equívoco do governo ter instigado a questão até chegar na época de eleição. É a pior época para negociar. Segundo, o Brasil é um país heterogêneo, não é? E também tem uma heterogeneidade que vai para trás que é a idade das propriedades. Tem gente que a Reserva Legal não era legal e foi consumida há 50 anos. Eu vou chegar lá (na predidência) e em seis meses vou equacionar esse assunto”, explica Serra.
 
E retoma, “Mas eu quero dizer e insisto: eu sou muito ambientalista!”
 
 Essa foi a terceira entrevista concedida ao Jornal das Dez que sorteou os candidatos em falas de quinze minutos para os espectadores brasileiros. O próximo entrevistado será Plínio de Arruda, candidato à presidência pelo PSOL.

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