Reportagens

Amazônia equatoriana, arte rupestre desde 1.500 A.C.

Petróglifos encontrados no Equador são mais uma prova da relação, vinda de tempos imemoriais, do homem equatoriano com a Amazônia. Poucos estudos, no entanto, são reconhecidos.

Ricardo Tello ·
11 de maio de 2012 · 10 anos atrás
Estudantes observam pretóglifos encontrados no Alto Amazonas. (Crédtio: Ricardo Tello)
Estudantes observam pretóglifos encontrados no Alto Amazonas. (Crédtio: Ricardo Tello)

27 estudantes de história e geografia da Universidade Pública de Cuenca, Equador, descem pela ladeira de uma montanha da Cordilheira Oriental, no Alto Amazonas, ao sudeste do Equador. Enquanto se perdem na espessura da floresta, aguçam seus olhares como se fossem caçadores furtivos em busca de alimento. Seu objetivo é localizar petróglifos. A única certeza que existe sobre os 122 existentes na bacia do rio Indanza, por exemplo, cerca de sete quilômetros quadrados do vale do Catazho, é que são mais uma prova da relação, vinda de tempos imemoriais, do  homem equatoriano com a Amazônia.

Morona Santiago é uma das mais importantes zonas arqueológicas da Amazônia equatoriana devido à alta densidade de petróglifos marcados pela arte rupestre. “Peixes, serpentes, lagartixas, mulheres, espirais, rãs, círculos concêntricos eram todos desenhados com alguma técnica penetrante com a meta de deixar profundas marcas”, afirma o arqueólogo equatoriano Napoleón Almeida Durán.

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Curiosidade: A Caverna dos Tayos

Caverna dos Tayos é o nome da uma das cavernas mais importantes da Baixa Amazônia equatoriana, responsável de uma série de mitos. É composta por formações milenares cuja morfologia natural não foi modificada pelo homem. Pode ser classificada como uma das mais importantes exploradas até agora na América do Sul. Acreditava-se que embaixo dela haveria uma cidade subterrânea com placas em ouro e prata onde estaria escrita a história da humanidade.

Quem alimentou a lenda foi o sacerdote italiano Carlos Crespi Crocci, que afirmava ter encontrado as placas. Ele teria tido um museu particular sobre o tema, mas muito de seu patrimônio foi perdido em um grande incêndio em sua propriedade, no Equador. Expedições comprovam que a caverna já foi visitada por povos aborígenes. Cerâmicas recolhidas pelo sacerdote Pedro Porras e submetidas a carbono 14 na Universidade de Colônia, Alemanha, confirmaram sua idade: 1.500 anos AC.
 

Estudos
Morona Santiago e seus petróglifos já foram estudados por dezenas de especialistas. No entanto, muitos deles até agora não puderam ter seus trabalhos reconhecidos. Há, também, outras pesquisas feitas oficialmente desde que o governo promulgou o Decreto de Emergência do Patrimônio Cultural, em 2007, anexando extensas zonas da Amazônia ao estudo científico.  

Alunos observam petróglifos. (Crédito: Ricardo Tello)
Alunos observam petróglifos. (Crédito: Ricardo Tello)

Uma novidade é que ultimamente os estudos falam sobre a necessidade de os povos das regiões arqueológicas reconhecerem a importância do patrimônio que se encontra ao seu redor ou sob seus pés. “Que não só estejam cientes a respeito da existência deste patrimônio, mas que se apropriem deles”, diz Almeida. Esta iniciativa pode ajudar na conscientização a respeito da conservação destas peças.

Para além dos petróglifos, uma pesquisa recente feita pela arqueóloga María Fernanda Ugalde Mora afirma que, nas encostas do Vulcão Sangay, na bacia alta do Rio Upano, existem plataformas artificiais e sistemas de caminhos internos, a maioria datados entre os anos 1.100 AC e 170 DC.

Arthur Rostoker, em 1996, registrou 16 “possíveis sítios arqueológicos” no vale médio e baixo do Rio Upano, outro dos mais importantes da Amazônia equatoriana.

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