![]() |
27 estudantes de história e geografia da Universidade Pública de Cuenca, Equador, descem pela ladeira de uma montanha da Cordilheira Oriental, no Alto Amazonas, ao sudeste do Equador. Enquanto se perdem na espessura da floresta, aguçam seus olhares como se fossem caçadores furtivos em busca de alimento. Seu objetivo é localizar petróglifos. A única certeza que existe sobre os 122 existentes na bacia do rio Indanza, por exemplo, cerca de sete quilômetros quadrados do vale do Catazho, é que são mais uma prova da relação, vinda de tempos imemoriais, do homem equatoriano com a Amazônia.
Morona Santiago é uma das mais importantes zonas arqueológicas da Amazônia equatoriana devido à alta densidade de petróglifos marcados pela arte rupestre. “Peixes, serpentes, lagartixas, mulheres, espirais, rãs, círculos concêntricos eram todos desenhados com alguma técnica penetrante com a meta de deixar profundas marcas”, afirma o arqueólogo equatoriano Napoleón Almeida Durán.
A Amazônia de 14 mil anos atrás
A Amazônia do passado
Aventura, arqueologia e um novo mundo em Marajó
|
Estudos
Morona Santiago e seus petróglifos já foram estudados por dezenas de especialistas. No entanto, muitos deles até agora não puderam ter seus trabalhos reconhecidos. Há, também, outras pesquisas feitas oficialmente desde que o governo promulgou o Decreto de Emergência do Patrimônio Cultural, em 2007, anexando extensas zonas da Amazônia ao estudo científico.
Uma novidade é que ultimamente os estudos falam sobre a necessidade de os povos das regiões arqueológicas reconhecerem a importância do patrimônio que se encontra ao seu redor ou sob seus pés. “Que não só estejam cientes a respeito da existência deste patrimônio, mas que se apropriem deles”, diz Almeida. Esta iniciativa pode ajudar na conscientização a respeito da conservação destas peças.
Para além dos petróglifos, uma pesquisa recente feita pela arqueóloga María Fernanda Ugalde Mora afirma que, nas encostas do Vulcão Sangay, na bacia alta do Rio Upano, existem plataformas artificiais e sistemas de caminhos internos, a maioria datados entre os anos 1.100 AC e 170 DC.
Arthur Rostoker, em 1996, registrou 16 “possíveis sítios arqueológicos” no vale médio e baixo do Rio Upano, outro dos mais importantes da Amazônia equatoriana.
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Só 1% do orçamento foi destinado ao clima por candidatos a governador que buscam permanecer no poder na Amazônia
Em cinco estados da Amazônia Legal, candidatos à reeleição e políticos que assumiram o governo durante o atual mandato disputam a permanência no cargo. Apesar de todos citarem a agenda climática em seus planos de governo para 2026, juntos, os cinco governos empenharam apenas 1,3% do orçamento em despesas relacionadas ao tema desde 2023: R$ 6,4 bilhões, contra R$ 475 bilhões em gastos não relacionados ao clima →
Futuros governadores têm desafio de recuperar o Cerrado, berço das águas
As candidaturas ao governo dos estados receberam uma lista de propostas concretas para recuperar as bacias hidrográficas do bioma que abastece oito das doze grandes bacias do país →
Muito do futuro da conservação da natureza se decide no Congresso
Desmonte socioambiental e passivo institucional são apenas algumas das decisões que podem ser barradas ou avançadas no Legislativo →

