Reportagens

Supermercado usa o próprio lixo para fazer compostagem

Uma das grandes redes da cidade do Rio de Janeiro tem programa para reciclar seus resíduos orgânicos, mas diz que não sai barato.

Fabíola Ortiz ·
24 de março de 2014 · 10 anos atrás

Projeto transforma 3 toneladas de lixo orgânico em adubo. Compostagem é feita em parceria com a empresa Videverde (Venativ), em Magé, no Rio. Foto: Divulgação
Projeto transforma 3 toneladas de lixo orgânico em adubo. Compostagem é feita em parceria com a empresa Videverde (Venativ), em Magé, no Rio. Foto: Divulgação

Rio de Janeiro – As redes de supermercados são as responsáveis por gerar a maior quantidade de lixo orgânico. Boa parte deste material é descartado nos aterros sanitários sem passar por qualquer processo de separação ou reciclagem. Na contramão, a Zona Sul, uma das grandes redes no Rio de Janeiro, decidiu investir em um programa para transformar o lixo gerado em suas lojas em adubo orgânico.

O lixo orgânico é aquele resíduo de origem vegetal ou animal, como restos de alimentos (carnes, vegetais, frutos, cascas de ovos). Em seu processo de decomposição, esse lixo produz o chorume, um líquido viscoso que pode provocar contaminação de ambientes naturais como solo e águas.

Se não aproveitado de forma correta, o resíduo orgânico perde seu grande potencial que é o de gerar energia e ainda transformar-se em um importante produto para adubar a terra. É através da compostagem que é possível aplicar um conjunto de técnicas para transformar o que, a princípio, não teria mais valor em um produto útil.

A compostagem é um processo de transformação de matéria orgânica em adubo com a ação de bactérias em alta temperatura. Este processo é também conhecido como uma forma de se reciclar o indesejável e mal cheiroso lixo orgânico.

Descarregando os resíduos orgânicos que se transformarão em adubo através da compostagem. Foto: divulgação Zona Sul
Descarregando os resíduos orgânicos que se transformarão em adubo através da compostagem. Foto: divulgação Zona Sul

Há cinco anos, a Zona Sul resolveu separar as 5 toneladas de lixo orgânico geradas nas 33 lojas e mandar para a compostagem. Após a triagem do lixo, restam 3 toneladas que se tornam matéria-prima para transformar-se em adubo, que pode ser usado na agricultura, jardins e plantas.

“O que geramos de resíduos orgânicos em toda a nossa rede é praticamente uma cidade, pois temos cinco mil funcionários. A gente começou a pensar na ideia da compostagem”, contou a ((o))eco Fortunato Leta, diretor-presidente da rede Zona Sul. “O desafio era retribuir para a sociedade e diminuir a carga de resíduos que a gente leva para os aterros”, disse em uma conversa durante o seminário “Gestão Integrada de Resíduos Sólidos – Como transformar lixo em dinheiro“.

A ideia começou a tomar corpo em 2009 e hoje, já são produzidos 30 toneladas de adubo orgânico através de empresas parceiras. Apenas a rede em si mobiliza 150 funcionários para trabalhar no processo de seleção do lixo enviado para a compostagem. Uma parte é feita com uma empresa parceira no município de Magé, a 60 km da capital fluminense, e outra parte segue para a Comlurb, que compra o lixo para fazer composto orgânico e utilizar em praças e encostas.

Compostagem ainda é cara

“Ainda não consegui fechar os custos. Meu discurso está antenado com a ação, mesmo não valendo a pena economicamente”

 

Leta diz que esta iniciativa de reciclagem de lixo orgânico é pioneira no setor de redes de supermercados no estado do Rio, mas ainda não se paga. “Arrisco a dizer que somos os únicos na indústria de supermercado que fazemos esse projeto no Rio, ou seja, aproveitar o lixo e não levá-lo para o aterro”. No entanto, ele garante que sai “muito mais barato” jogar o lixo no aterro sanitário. “Ainda não consegui fechar os custos. Meu discurso está antenado com a ação, mesmo não valendo a pena economicamente”, disse. O adubo orgânico derivado do lixo reciclado volta às prateleiras das lojas do Zona Sul em embalagens de 2 quilos.

Para Leta, o desafio agora é participar de todo o ciclo que envolve desde a geração de lixo, reciclagem, adubação e produção de cultivos orgânicos. Em um projeto ainda piloto, a rede alugou um pequeno terreno onde planta pimenta em 4 mil metros quadrados de área. A primeira safra da pimenta foi colhida recentemente de um solo também certificado como orgânico.

“Conseguimos uma parceria de um produtor orgânico em Magé próximo à empresa que faz a compostagem e lá estamos produzindo pimenta. É a nossa primeira experiência. Queremos participar do ciclo completo. Se der certo, vamos expandir”, disse Leta.

 

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  • Fabíola Ortiz

    Jornalista e historiadora. Nascida no Rio, cobre temas de desenvolvimento sustentável. Radicada na Alemanha.

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