
No Estado do Acre, a população da Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes vem sendo incentivada a participar de um sistema de monitoramento florestal comunitário cujo objetivo é coletar informações para o fortalecimento da gestão e governança de recursos florestais.
Batizada de Projeto Sinal Verde, a ferramenta busca levantar dados sobre aspectos socioeconômicos e ambientais da comunidade da Reserva, além de gerar oportunidades locais de aprendizagem e capacitação.
Há mais de um ano, o projeto é realizado em 50 seringais dentro da Resex e conta com a participação de 40 jovens, que recebem uma bolsa no valor de R$ 300 mensais – equivalentes a 10 dias trabalhados – para coletar as informações. O procedimento foi adaptado a partir de experiências realizadas com comunidades indígenas na Guiana.
O projeto está sob a coordenação do Global Canopy Programme (GCP), em parceria com o Instituto de Mudanças Climáticas e Regulação dos Serviços Ambientais do Acre (IMC), o Centro dos Trabalhadores da Amazônia (CTA) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O financiamento vem da Agência Norueguesa de Cooperação para o Desenvolvimento (NORAD).
De acordo com Magaly Medeiros, diretora-presidente do IMC, “o Projeto Sinal Verde alinha tecnologia à capacitação dos jovens da Resex Chico Mendes, num processo de diálogo com as comunidades para o monitoramento participativo das políticas públicas implementadas”.
Os monitores comunitários contratados pelo projeto participam de oficinas mensais, onde recebem treinamento para utilizar formulários de levantamento eletrônicos instalados em smartphones. A coleta dos dados é feita com o aplicativo Open Data Kit (ODK), que oferece um conjunto de ferramentas abertas e públicas, com interface amigável e de fácil interação.
A experiência de monitoramento comunitário no Acre busca melhorar a gestão florestal e contribuir com o desenvolvimento das reservas extrativistas. Para Stoney do Nascimento, coordenador local do projeto, “a inclusão de comunidades no monitoramento é fundamental para o fortalecimento de políticas que buscam desenvolver uma economia sustentável e de baixas emissões de carbono. Ninguém melhor que os próprios atores florestais, beneficiários dessas políticas, para executarem o monitoramento”.
Falta de luz
Uma das principais limitações do projeto é o acesso à energia elétrica no interior da floresta, que ocorre principalmente por meio de geradores movidos a combustível. Em muitos casos, a equipe de monitoramento precisava recarregar os celulares em bares – o que gerava piadinhas entre amigos e familiares, que viam isso como uma boa desculpa para beber. A solução encontrada foi o uso de bolsas com carregadores solares.
Além desta dificuldade, um relatório (em inglês) do Programa de Florestas e Climas da Rede WWF aponta a ausência de integração entre os dados das instituições governamentais envolvidas e a necessidade de melhorar a organização das informações obtidas. Até agora, os dados não estão disponíveis para consulta pública da sociedade civil.
O maior interesse da comunidade está em dados importantes para seu dia a dia, como a presença de plantas medicinais, produtos florestais madeireiros e não-madeireiros, governança e planejamento de uso da terra. Enquanto isso, os órgãos governamentais dão importância ao monitoramento de estoques de carbono, indicadores de degradação florestal e desmatamento. O relatório da Rede WWF aponta como essencial que a coleta de dados seja relevante para ambas as partes envolvidas.
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