Duas décadas após a criação do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães (PNCG), no Mato Grosso, um estudo recém publicado por uma dezena de pesquisadores na revista do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP) traz um apanhado do conhecimento ornitológico (sobre aves) regional, apontando registros de 393 espécies. Amostras da riqueza do Cerrado quando preservado e sinalização clara da função conservacionista de áreas de proteção integral.
Tão relevante quanto o estudo, que denotou boa saúde do meio ambiente protegido dentro do parque, é descobrir que pelo menos 24 espécies podem estar extintas na região. Entre os motivos apontados pelos pesquisadores para o sumiço daquelas aves, estão a destruição de grandes extensões de campos por plantações e pastagens comerciais e captura por criadores clandestinos.
Os autores são bem claros: “Uma série de ameaças sentidas no PNCG e no seu entorno intensificaram-se a partir dos anos 1970?80. A maior parte destes problemas tem origem relacionada à situacao fundiária do parque, pois cerca de 65% de sua área ainda não foi desapropriada, o que causa conflitos com proprietários de terra da região. Fora dos limites do PNCG, os principais problemas encontrados são as extensas monoculturas de soja, algodão (…) e eucalipto (…). Já os vales chapadenses têm tido suas matas substituídas por atividades agropecuárias, com destaque para a horticultura.
Além disso, o loteamento destes vales para a implantação de casas de veraneio ou de produção, valorizados pelo solo rico e abundância de água, fragmenta sua vegetação, restando atualmente poucos lugares com florestas primárias. Somam-se a estas atividades nocivas o garimpo de diamantes no alto da Chapada, a destinação imprópria dos resíduos sólidos, o não tratamento de esgoto, o turismo desordenado e as extensas queimadas observadas no final da estação seca, justamente durante o período de reprodução da maioria das espécies de aves”.
Confira aqui o estudo Aves da Chapada dos Guimarães, Mato Grosso, Brasil: uma síntese histórica do conhecimento
Saiba mais:
Apologia ao crime
Perturbação automotiva
Pica-pau-do-campo
Da horta urbana para o prato
Um tempo à Chapada dos Guimarães
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Agricultura familiar do PA mira além da rastreabilidade e dá fôlego à Pecuária Sustentável
Pequenos pecuaristas aproveitam programa do governo que obriga identificação individual do gado para ampliar repertório de manejo e gestão, colhendo resultados na preservação ambiental →
Expedições percorrem a costa brasileira para estudar a biodiversidade marinha
Dados coletados em cruzeiros científicos sinóticos na Amazônia Azul permitirão cruzar informações de norte a sul da costa brasileira →
A Natureza da Conversa #3 – A revolução regenerativa na produção de commodities
Episódio do podcast desconstrói o mito de que a agricultura regenerativa é restrita a pequenas produções e mostra sua aplicação em commodities em larga escala →
