Salada Verde

Emissão de amônia é esquecida no país

Enquanto países europeus aprimoram suas ferramentas para medição e controle das emissões de amônia, Brasil negligencia poluente quando o assunto é poluição veicular.

Salada Verde ·
29 de junho de 2009 · 17 anos atrás
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente

Na última semana, um grupo de pesquisadores europeus divulgou o primeiro mapa completo das emissões globais de amônia, a partir de imagens de satélite. As medições e a análise das imagens revelaram que muitos inventários ao redor do mundo estão subestimados e que há regiões importantes cuja concentração do poluente não está nem sendo medida, como a Ásia Central. Segundo o documento, os inventários dos vales agrícolas do Hemisfério Norte, em particular a região de São Joaquim, na Califórnia, e os vales do Pó e Ebre, na Itália, mostram valores muito abaixo do real.

A amônia (NH3) é particularmente emitida nos processos de produção de fertilizantes, avicultura e pecuária, mas outra fonte importante de emissão é a veicular. Apesar de o estudo europeu indicar que América do Norte e Europa estão subestimando seus inventários, pelo menos ele mostram que os países dessas regiões estão preocupados com o assunto, em todos os níveis.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



No Brasil, o tema parece estar longe de entrar na pauta de discussões, pelo menos no que diz respeito à emissão veicular. Atualmente, o país discute a implementação do diesel mais limpo. A meta é que, em 2012, esteja rodando o combustível com 10 partes por milhão (ppm) de enxofre. Para que o novo diesel funcione corretamente, é preciso abastecer os veículos também com uréia. O problema é que, quando os equipamentos de controle de emissão (catalisadores/filtros) não estão em bom funcionamento, a uréia produz amônia. O poluente não é regulado no país.

Segundo a pesquisadora do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), Kamyla Cunha, a questão não foi mencionada em 2002, época da Resolução – 315 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), que estabeleceu os novos limites para o diesel, nem em 2009, quando os novos prazos foram estabelecidos. “Veja como a pressão sobre o diesel foi rasa. Todo mundo pressionando para que se reduzisse o teor de enxofre do diesel, sem uma avaliação mais aprofundada do que isso exigiria em termos de outras providências ambientais”, diz. O IEMA é ligado à Fundação Hewlett, entidade americana que patrocina estudos sobre qualidade do ar no Brasil.

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Colunas
10 de abril de 2026

Do Césio-137 à política do risco invisível no Brasil

O caso de Goiânia deveria ter estabelecido um princípio inequívoco: riscos invisíveis exigem máxima precaução, controle rigoroso e transparência absoluta

Externo
10 de abril de 2026

A indústria petrolífera do Canadá tenta lucrar com a guerra no Irã

Políticos e analistas canadenses estão aproveitando a guerra de Trump com o Irã para expandir a infraestrutura de combustíveis fósseis

Notícias
9 de abril de 2026

ATL: Indígenas tomam as ruas de Brasília pedido demarcação

Segunda marcha do Acampamento Terra Livre 2026 reuniu povos indígenas de todo o país nesta quinta-feira (09); Veja fotos

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.